segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Sobre os fermentos

Deus nos livre do fermento dos fariseus!

993 | Tempo Comum | 6ª Semana | Marcos 8,14-21

Temos diante de nós o episódio evangélico do duro diálogo entre Jesus e seus discípulos sobre o fermento dos fariseus e de Herodes, enquanto fazem a travessia do mar, voltando à Galilei. Como vimos no último sábado e ontem, isso acontece depois da distribuição de alimentos aos pobres de origem pagã, e após a exigência de um milagre espetacular por parte dos fariseus.

Há vários indícios de que os discípulos continuam sem entender e resistindo à forte interpelação das últimas ações de Jesus: a integração dos pagãos e a justiça social e econômica. Desde o início da sua missão e do chamado dos primeiros discípulos, Jesus vem insistindo, sem muito sucesso, nas características essências do discipulado: compaixão solidária pelos excluídos; austeridade pessoal e desapego dos bens; confiança na hospitalidade do povo; abertura ecumênica a pensa diferente.

A cena de hoje começa com uma constatação: desatentos, os discípulos não haviam levado alimento para a travessia do lago, e tinham consigo apenas um pão. Percebendo que seus discípulos continuavam presos à ideia de uma comunidade pura e fechada, apoiada em meios abundantes e poderosos, Jesus introduz uma questão importante: o risco de que fermento dos fariseus e de Herodes contamine seus discípulos. E os questiona duramente: “Ainda não entendem nem compreendem? Vocês tem olhos e não enxergam, têm ouvidos e não escutam?”

Com estes questionamentos, Jesus provoca a tempestade da qual o mar havia poupado a pequena embarcação. Na verdade, os discípulos resistem em aceitar que o segredo do Reino de Deus está na partilha, e não no acúmulo; que os pagãos gozam da mesma dignidade que os judeus; que o separatismo vivido pelos fariseus não é coisa de Deus; que a ostentação, o poder e a violência de Herodes revelam sua fraqueza e seu distanciamento de Deus.

Nem o pouco alimento na sacola, nem a força do vento que agita as ondas, nem os alimentos contaminados pela impureza são ameaças letais ou mais perigosas aos discípulos. O que os ameaça e torna impuros é o fermento do separatismo e do poder que oprime e mata. Estamos nós livres desse maldito fermento?

 

Sugestões para a meditação

Releia o texto, e perceba o questionamento que Jesus faz aos discípulos pela falta de abertura e entendimento ao seu ensino

Será que nós, no Brasil do século XXI, em plena “ressaca moralista”, entendemos realmente a exigente novidade de Jesus?

Será que nossos pensamentos e iniciativas são realmente fermentadas pelo Reino de Deus? Onde isso se mostra claramente?

O que você acha do bombardeio que alguns grupos católicos dirigem contra a Campanha da Fraternidade e a nossa Conferência Nacional dos Bispos do Brasil?

Nenhum comentário: