Deus nos livre do
fermento dos fariseus!
993 | Tempo Comum | 6ª Semana | Marcos 8,14-21
Temos diante de nós
o episódio evangélico do duro diálogo entre Jesus e seus discípulos sobre o
fermento dos fariseus e de Herodes, enquanto fazem a travessia do mar, voltando
à Galilei. Como vimos no último sábado e ontem, isso acontece depois da
distribuição de alimentos aos pobres de origem pagã, e após a exigência de um
milagre espetacular por parte dos fariseus.
Há vários indícios
de que os discípulos continuam sem entender e resistindo à forte interpelação
das últimas ações de Jesus: a integração dos pagãos e a justiça social e
econômica. Desde o início da sua missão e do chamado dos primeiros discípulos,
Jesus vem insistindo, sem muito sucesso, nas características essências do discipulado:
compaixão solidária pelos excluídos; austeridade pessoal e desapego dos bens;
confiança na hospitalidade do povo; abertura ecumênica a pensa diferente.
A cena de hoje começa
com uma constatação: desatentos, os discípulos não haviam levado alimento para
a travessia do lago, e tinham consigo apenas um pão. Percebendo que seus
discípulos continuavam presos à ideia de uma comunidade pura e fechada, apoiada
em meios abundantes e poderosos, Jesus introduz uma questão importante: o risco
de que fermento dos fariseus e de Herodes contamine seus discípulos. E os
questiona duramente: “Ainda não entendem nem compreendem? Vocês tem olhos e não
enxergam, têm ouvidos e não escutam?”
Com estes
questionamentos, Jesus provoca a tempestade da qual o mar havia poupado a
pequena embarcação. Na verdade, os discípulos resistem em aceitar que o segredo
do Reino de Deus está na partilha, e não no acúmulo; que os pagãos gozam da
mesma dignidade que os judeus; que o separatismo vivido pelos fariseus não é
coisa de Deus; que a ostentação, o poder e a violência de Herodes revelam sua
fraqueza e seu distanciamento de Deus.
Nem o pouco alimento
na sacola, nem a força do vento que agita as ondas, nem os alimentos
contaminados pela impureza são ameaças letais ou mais perigosas aos discípulos.
O que os ameaça e torna impuros é o fermento do separatismo e do poder que
oprime e mata. Estamos nós livres desse maldito fermento?
Sugestões para a meditação
Releia o
texto, e perceba o questionamento que Jesus faz aos discípulos pela falta de
abertura e entendimento ao seu ensino
Será que nós,
no Brasil do século XXI, em plena “ressaca moralista”, entendemos realmente a
exigente novidade de Jesus?
Será que
nossos pensamentos e iniciativas são realmente fermentadas pelo Reino de Deus?
Onde isso se mostra claramente?
O que você
acha do bombardeio que alguns grupos católicos dirigem contra a Campanha da
Fraternidade e a nossa Conferência Nacional dos Bispos do Brasil?
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