quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Do discipulado ao apostolado

Um bom discípulo amadurece como apóstolo

981 | Tempo Comum | 4ª Semana | Marcos 6,7-13

No episódio anterior (v. 1-6), o esperado encontro de Jesus com sua família e seus conterrâneos de Nazaré terminou em desencontro. Jesus percebeu que, como ocorreu com muitos profetas, ele não era reconhecido pelas pessoas mais próximas, tanto do povoado como da própria família. Familiares e conterrâneos também são vítimas da ideologia que não consegue acreditar na força dos fracos.

Mas Jesus não se rende às objeções, vindas da elite religiosa e muito disseminadas, a um Deus que assume a condição humana. Os sinais mais eloquentes e transformadores do Reino de Deus vêm exatamente da ação dos pequenos e marginalizados. Que eles atuem de forma pública e transformadora é um sinal da libertação já conquistada. O Reino de Deus não depende da eficácia dessas ações, pois o fato de os amordaçados falarem já é a libertação em curso.

Indiferente a este desprezo, Jesus põe sua confiança naquela gente pequena e desprezada que ele acolhe e escolhe para ser o início simbólico da sua comunidade-semente, da nova família que ele reúne em torno do Evangelho. E, mais tarde, os envia para multiplicar sua ação emancipadora por doze, sem o apoio de meios potentes, que só fazem impressionar e intimidar. Seria como negar com os fatos a Boa Notícia que anunciavam com as palavras.

É este o significado das recomendações que Jesus faz àqueles e aquelas que envia: não levar reserva de alimentação, nem reserva técnica de dinheiro; dispensar também as roupas desnecessárias; levar apenas o cajado e calçar sandálias, para facilitar e agilizar a caminhada. Mas Jesus pede que eles não deixem de fazer o que é indispensável: não atuem sozinhos, mas em companhia de outros; larguem mão dos pensamentos elitistas, que menosprezam os pobres; curem os doentes e libertem as pessoas dominadas, para que possam viver plenamente; evitem retaliações violentas contra aqueles que não os ouvem nem acolhem.

Eis o essencial da missão, em qualquer tempo e lugar: sair ao encontro como amigos e hóspedes; confiar na força libertadora da fragilidade; manter a abertura e o diálogo; fazer o bem sem olhar a quem. Um bom discípulo torna-se bom mestre e apóstolo.

 

Sugestões para a meditação

Em que medida nós e nossas comunidades ainda não conseguimos aceitar a importância das ações frágeis e pequenas?

Você acredita mesmo que este mundo será melhor quando o menor que padece acreditar no menor?

Como superar a tentação de confiar apenas nos meios potentes e nos agentes mais poderosos para desenvolver nossa missão?

Deixe-se seduzir por Jesus Cristo, o Deus na carpintaria e na cruz, assumindo uma vida simples e priorizando os meios frágeis

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