quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Salvar a vida

Conquistemos nossa vida gastando-a!

995 | Quaresma | Cinzas| Lucas 9,22-25

As cinzas que recebemos ontem reforçam o chamado à conversão ao Evangelho do Reino de Deus. Como todas as criaturas, os seres humanos somos vulneráveis, e a vida escapa ao nosso controle. Hoje, no segundo dia da quaresma, Jesus nos fala do seu caminho de encarnação radical na condição humana humilhada, e o propõe como regra de vida para aqueles que, crendo nele, seguem seu caminho.

Esta lição de Jesus no processo de formação dos discípulos ocorre num momento importante. Os discípulos são tentados a voltar atrás, resistem à proposta de Jesus, têm dificuldades de mudar o modo de pensar e de agir. É nesse contexto que Jesus diz claramente quem ele é e a que veio. E, com a mesma clareza, fala que sua proposta e sua pessoa serão rejeitadas, perseguidas e eliminadas em nome da religião e dos bons costumes. A violência pode se esconder no pequeno intervalo entre um canto e um rito.

Estamos diante do “coração” da fé cristã: a realização do Reino de Deus, a construção da unidade num mundo polarizado e intolerante, passa pela doação da própria vida. É claro que Jesus não está falando de uma espécie de suicídio premeditado, nem de uma morte acidental. Ele diz que esse é o caminho de quem é enviado por Deus como sinal inequívoco do seu amor por todas as pessoas, sem olhar para sua condição moral ou religiosa. É difícil legitimar nossas violências com o álibi da autodefesa.

Mas Jesus não é uma espécie de herói solitário, como aqueles que estrelam os filmes norte-americanos. Nem alguém a ser apenas admirado e imitado. Seu caminho é o caminho de toda pessoa que nele crê e busca um mundo habitável: o boicote, a perseguição e a exclusão por parte das elites que dominam. Para Jesus, a cruz, ou o dom radical de si mesmo, não é um martírio espetacular e admirável, nem uma solução de emergência, mas a lógica predominante e permanente da fé.

Por isso, Jesus coloca seus discípulos diante de uma encruzilhada, e pede que escolhamos entre dois caminhos alternativos: focar nossa caminhada antes de tudo em nossos interesses, salvar nossa vida a qualquer custo e viver mediocramente; doar a vida sem reservas pelos outros e pelo cuidado da casa comum, acessando, assim, uma vida plena e fecunda, que nada e ninguém pode aprisionar.

 

Sugestões para a meditação

Leia atentamente, palavra por palavra, frase por frase, este ensino no qual Jesus apresenta o “miolo” do seu Evangelho

Se possível, leia também o episódio que antecede estas palavras (9,18-21), onde Jesus pergunta: “Quem vocês dizem que eu sou?”

O que significa propriamente salvar ou perder a própria vida? Como Jesus nos mostra isso no seu próprio modo de viver?


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