A oração não se presta à espetacularização
1000 | Quaresma | 1ª Semana | Terça | Mateus 6,7-15
As comunidades cristãs, aprenderam e ensinaram, desde
muito cedo, que a oração, junto com a partilha dos bens e o jejum, é uma das
formas mais expressivas de viver a quaresma e preparar a Páscoa. Jesus supõe a oração como óbvia para
quem o segue e se entrega a Deus Pai. Daí que, falando de oração, Jesus chama a
atenção para as atitudes equivocadas na oração, e indica o caminho da oração
cristã.
O texto de hoje está inserido na primeira
grande catequese de Jesus segundo o evangelho de Mateus, conhecido como “Sermão
da Montanha” (Mt 5,1-7,29), e foi omitido na quarta-feira de cinzas. E a
primeira advertência de Jesus em relação à oração é para não multiplicarmos
louvores e pedidos vazios. Hoje parece que se tornou moda promover encontros de
oração massivos e barulhentos, multiplicar Ave-Marias e prolongar tardes de
louvor e orações de intercessão.
Em seguida, Jesus aponta para a atitude de
base que deve ser revelada e cultivada na oração: a discrição e a dispensa de
toda forma de espetacularização. Mandando “entrar no seu quarto”, Jesus não
está falando do lugar adequado ou exclusivo para rezar, mas sublinha a
necessidade de evitar a publicidade, ou de rezar colocando nossa atenção mais
na impressão que causa nos outros que em Deus.
Finalmente, Jesus fala do conteúdo essencial
da oração cristã, mas não ensina uma oração a mais. Na primeira parte, a ênfase
está no compromisso e na ação: santificar o nome de Deus, ou aceitar que Deus
não seja o espelho dos nossos egoísmos, mas faça justiça às vítimas; agir para
que o reino de Deus venha a com sua força demolidora dos muros; que pratiquemos
a vontade de Deus (que todos os seus filhos e filhas tenham vida em abundância)
em todos os tempos e lugares
Na segunda parte
do seu ‘roteiro de oração’, Jesus nos ensina a pedir a Deus, que é Pai e nos
conhece e ama, aquilo que é essencial à nossa convivência: o alimento
necessário à vida cotidiana e comum; o perdão que desfaz muros e reata relações
rompidas; a liberdade diante das pessoas e estruturas que resistem e se opõem
ao Reino de Deus. O resto deve ser fruto do essencial, e nos vem por acréscimo.
Sugestões para a meditação
Leia atentamente,
palavra por palavra, a advertência e o ensino de Jesus sobre a atitude e o
conteúdo da oração cristã
Que lugar a oração
(e a celebração) ocupa na sua vida, na vida da sua família e da sua comunidade
cristã?
Quais são os
pedidos (e os agradecimentos) que você repete mais amiúde em sua oração
pessoal, familiar e comunitária?
Em que medida o
desejo de que a vontade do Pai e a ação transformadora do seu Reino ocupam o
centro da sua oração?
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