segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Rezar bem

A oração não se presta à espetacularização

1000 | Quaresma | 1ª Semana | Terça  | Mateus 6,7-15

As comunidades cristãs, aprenderam e ensinaram, desde muito cedo, que a oração, junto com a partilha dos bens e o jejum, é uma das formas mais expressivas de viver a quaresma e preparar a Páscoa. Jesus supõe a oração como óbvia para quem o segue e se entrega a Deus Pai. Daí que, falando de oração, Jesus chama a atenção para as atitudes equivocadas na oração, e indica o caminho da oração cristã.

O texto de hoje está inserido na primeira grande catequese de Jesus segundo o evangelho de Mateus, conhecido como “Sermão da Montanha” (Mt 5,1-7,29), e foi omitido na quarta-feira de cinzas. E a primeira advertência de Jesus em relação à oração é para não multiplicarmos louvores e pedidos vazios. Hoje parece que se tornou moda promover encontros de oração massivos e barulhentos, multiplicar Ave-Marias e prolongar tardes de louvor e orações de intercessão.

Em seguida, Jesus aponta para a atitude de base que deve ser revelada e cultivada na oração: a discrição e a dispensa de toda forma de espetacularização. Mandando “entrar no seu quarto”, Jesus não está falando do lugar adequado ou exclusivo para rezar, mas sublinha a necessidade de evitar a publicidade, ou de rezar colocando nossa atenção mais na impressão que causa nos outros que em Deus.

Finalmente, Jesus fala do conteúdo essencial da oração cristã, mas não ensina uma oração a mais. Na primeira parte, a ênfase está no compromisso e na ação: santificar o nome de Deus, ou aceitar que Deus não seja o espelho dos nossos egoísmos, mas faça justiça às vítimas; agir para que o reino de Deus venha a com sua força demolidora dos muros; que pratiquemos a vontade de Deus (que todos os seus filhos e filhas tenham vida em abundância) em todos os tempos e lugares

Na segunda parte do seu ‘roteiro de oração’, Jesus nos ensina a pedir a Deus, que é Pai e nos conhece e ama, aquilo que é essencial à nossa convivência: o alimento necessário à vida cotidiana e comum; o perdão que desfaz muros e reata relações rompidas; a liberdade diante das pessoas e estruturas que resistem e se opõem ao Reino de Deus. O resto deve ser fruto do essencial, e nos vem por acréscimo.   

 

Sugestões para a meditação

Leia atentamente, palavra por palavra, a advertência e o ensino de Jesus sobre a atitude e o conteúdo da oração cristã

Que lugar a oração (e a celebração) ocupa na sua vida, na vida da sua família e da sua comunidade cristã?

Quais são os pedidos (e os agradecimentos) que você repete mais amiúde em sua oração pessoal, familiar e comunitária?

Em que medida o desejo de que a vontade do Pai e a ação transformadora do seu Reino ocupam o centro da sua oração?

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