sábado, 14 de fevereiro de 2026

Ir além do mínimo

A lei é superada pelo amor e pela misericórdia

991 | Tempo Comum | 6ª Semana | Mateus 5,17-37

Mateus nos mostra que, na sua primeira “catequese” mais extensa, Jesus nos propõe uma justiça mais ampla, profunda e humana que aquela ensinada e praticada pelos escribas e fariseus. Sua advertência é clara e inequívoca: “Se vossa justiça não for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus”. Já diante de João Batista, Jesus já antecipara: “Devemos cumprir toda a justiça”! (3,16)

Jesus oferece alguns exemplos de cumprimento radical da Lei. O primeiro é no campo das tensões nas relações interpessoais, contemplada pelo mandamento “Não matarás”! Na ótica da nova ética do Reino de Deus, o conteúdo desta lei não se resume em evitar o homicídio, mas passa pela pacificação das relações e pela superação das posturas raivosas e da linguagem eivada de desprezo, preconceito e violência, como aquela tão comumente usada hoje nas redes sociais.

O segundo exemplo está situado no campo da espiritualidade e da liturgia. Jesus critica o culto que ignora as tensões e não leva à reconciliação. A vida concreta é mais importante que os ritos religiosos, e a percepção dos conflitos tem primazia sobre a ortodoxia. “Deixa a tua oferenda diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão”. Devemos nos reconciliar antes da chegada ao tribunal do incerto fim da vida.

Os dois exemplos seguintes estão no âmbito das relações homem-mulher. O primeiro focaliza a questão do adultério, e afirma que a lei tem a função de educar para uma relação que não seja possessiva. Sabemos que o dinamismo que sustenta comportamentos sexuais descontrolados é sutil: passa do olhar viciado e interesseiro, que não reconhece a dignidade da pessoa, à palavra que humilha e despreza e, enfim, à violência fatal que elimina a vida da parceira.

Jesus também reprova a dominação do homem sobre a mulher, mesmo quando sancionada pela cultura e pela lei. Dizer que a lei permite ou que é costume não desculpa nem justifica ninguém. Este é o horizonte da proposta de Jesus no caso do divórcio. A permissão legal do divórcio legitimava o descompromisso do marido com a mulher, e garantia ele o direito de maltratá-la e execrá-la publicamente, mas a ética do Reino de Deus restringe o poder ilimitado e violento dos homens.

 

Sugestões para a meditação

Releia o relato, dando atenção às palavras e exemplos que Jesus oferece de uma justiça superior àquela dos doutores da lei

Qual é o procedimento que a sociedade de hoje considera justo em relação à violência, ao culto, às relações conjugais e ao sexo?

Concordamos verdadeiramente com a radicalização de Jesus nesses campos, e tiramos as consequências disso?

Procure dar sequência aos exemplos de Jesus em outras áreas da vida, como a economia, a política, as relações internacionais...

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