Não sejamos surdos
ao Evangelho da igualdade
989 | Tempo Comum | 5ª Semana | Marcos 7,31-27
Jesus está
percorrendo caminhos que podem parecer estranhos. A região de Tiro, Sidônia e
da Decápole era habitada por pagãos, gente desprezada. Com a presença de Jesus,
brilham novas possibilidades de vida para a filha de uma mulher nascida na
Fenícia e para um surdo-mudo sem nome. Não teria Jesus o que fazer entre os
seus conterrâneos? Em sua peregrinação no santuário das dores humanas, Jesus
sempre dá prioridade absoluta aos ‘últimos’
da escala social, sejam judeus ou pagãos.
Há pessoas que desejam excluir da bíblia textos como a carta de
São Tiago, que pede que, em nossas igrejas, não façamos distinção de pessoas em
favor dos ricos e nobres. “Não foi Deus que escolheu os que são pobres aos
olhos do mundo para torná-los ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu
àqueles que o amam?” Este é um princípio fundamental e uma bela experiência dos
primeiros cristãos: a fé em Jesus não admite distinções entre pessoas em
benefício dos mais fortes ou daqueles que são ‘sem mais’ considerados nobres.
Acolhendo um pagão doente e tocando seus ouvidos e sua língua,
Jesus despreza as prescrições religiosas e sanitárias do seu tempo. Ele rompe a
distância, toca o doente, o contágio é revertido e o surdo-mudo é curado. Mas
Jesus faz questão de não agir sob os refletores. Faz o contrário de muitos que
hoje transformam a fé em espetáculo e inventam curas ao vivo e a cores,
escarnecendo dos doentes, manipulando a fé do povo humilde e extorquindo deles
os poucos recursos que lhes restam. Por isso, a multidão ficou entusiasmada diante
da compaixão de Jesus.
Estamos como
aquele homem que falava com dificuldade. Nossos ouvidos parecem surdos às
Palavras que escapam da nossa lógica e questionam nossos interesses. Nossa
língua parece presa, especialmente quando se trata de defender os direitos
humanos e recriar o Evangelho da liberdade e da solidariedade. Um nacionalismo
anacrônico e nada evangélico, ao lado de uma mentalidade escravagista, ativados
especialmente na semana da pátria, nos induz a imaginar perigosamente que ser
humano significa ser superior e melhor que outros. Precisamos que Jesus Cristo
toque nossos ouvidos, coloque sua saliva em nossa língua, converta a nossa
mente e libere a nossa comunicação e nossa ação.
Sugestões para a meditação
Releia
o texto, contemplando atentamente os gestos dos pagãos e de Jesus, mas também o
que diz Jesus e o que dizem os pagãos
Você
acha que as pessoas e grupos excluídos tem o espaço que lhes é devido na Igreja
e na sociedade?
Será
que muitos cristãos se sentem mais à vontade reproduzindo ideologias que
separam que aderindo à escandalosa e provocadora liberdade inclusiva de Jesus?
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