quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Abrir os ouvidos

Não sejamos surdos ao Evangelho da igualdade

989 | Tempo Comum | 5ª Semana | Marcos 7,31-27

Jesus está percorrendo caminhos que podem parecer estranhos. A região de Tiro, Sidônia e da Decápole era habitada por pagãos, gente desprezada. Com a presença de Jesus, brilham novas possibilidades de vida para a filha de uma mulher nascida na Fenícia e para um surdo-mudo sem nome. Não teria Jesus o que fazer entre os seus conterrâneos? Em sua peregrinação no santuário das dores humanas, Jesus sempre dá prioridade absoluta aos ‘últimos’ da escala social, sejam judeus ou pagãos.

Há pessoas que desejam excluir da bíblia textos como a carta de São Tiago, que pede que, em nossas igrejas, não façamos distinção de pessoas em favor dos ricos e nobres. “Não foi Deus que escolheu os que são pobres aos olhos do mundo para torná-los ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu àqueles que o amam?” Este é um princípio fundamental e uma bela experiência dos primeiros cristãos: a fé em Jesus não admite distinções entre pessoas em benefício dos mais fortes ou daqueles que são ‘sem mais’ considerados nobres.

Acolhendo um pagão doente e tocando seus ouvidos e sua língua, Jesus despreza as prescrições religiosas e sanitárias do seu tempo. Ele rompe a distância, toca o doente, o contágio é revertido e o surdo-mudo é curado. Mas Jesus faz questão de não agir sob os refletores. Faz o contrário de muitos que hoje transformam a fé em espetáculo e inventam curas ao vivo e a cores, escarnecendo dos doentes, manipulando a fé do povo humilde e extorquindo deles os poucos recursos que lhes restam. Por isso, a multidão ficou entusiasmada diante da compaixão de Jesus.

Estamos como aquele homem que falava com dificuldade. Nossos ouvidos parecem surdos às Palavras que escapam da nossa lógica e questionam nossos interesses. Nossa língua parece presa, especialmente quando se trata de defender os direitos humanos e recriar o Evangelho da liberdade e da solidariedade. Um nacionalismo anacrônico e nada evangélico, ao lado de uma mentalidade escravagista, ativados especialmente na semana da pátria, nos induz a imaginar perigosamente que ser humano significa ser superior e melhor que outros. Precisamos que Jesus Cristo toque nossos ouvidos, coloque sua saliva em nossa língua, converta a nossa mente e libere a nossa comunicação e nossa ação.

 

Sugestões para a meditação

Releia o texto, contemplando atentamente os gestos dos pagãos e de Jesus, mas também o que diz Jesus e o que dizem os pagãos

Você acha que as pessoas e grupos excluídos tem o espaço que lhes é devido na Igreja e na sociedade?

Será que muitos cristãos se sentem mais à vontade reproduzindo ideologias que separam que aderindo à escandalosa e provocadora liberdade inclusiva de Jesus?

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