quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

O preço da fidelidade

Quanto nos dispomos a pagar por nossa coerência?

982 | Tempo Comum | 4ª Semana | Marcos 6,14-29

Ontem meditamos sobre o episódio do envio dos doze apóstolos e o ensino sobre o que é essencial na missão, em qualquer tempo e lugar: sair ao encontro como peregrinos e hóspedes; confiar na força libertadora dos meios frágeis; manter a abertura e o diálogo; fazer bem e fazer bem sem olhar a quem. E, na cena de amanhã, refletiremos sobre o retorno e a partilha da experiência missionária.

É aparentemente estranho que o evangelista coloque, entre o envio e o retorno dos apóstolos, o relato sobre a condenação e morte de João Batista. Parece uma espécie de parêntesis na história central, mas não é! Inserindo aqui este episódio, o evangelista quer dar a entender que os apóstolos herdam tanto a missão como o destino de Jesus. Ele inicia sua missão com a prisão de João, é comparado a ele, e terá o mesmo destino dele. Assim também os discípulos enviados em seu nome.

Na história contada hoje temos uma crítica mordaz às elites que controlam Israel, um registro do conluio incestuoso entre interesses políticos, militares e comerciais, e uma denúncia vigorosa dos seus caprichos assassinos. Herodes convida para sua festa a nobreza, o exército e as lideranças regionais. O juramento de um Herodes bêbado, prometendo dar à bailarina, sua enteada, a metade dos seus bens, registra e denuncia o modo estranho como as elites tomam suas decisões políticas.

Mesmo que aparentemente deseje conhecer Jesus, Herodes não o conseguirá, pois silenciou a Voz que anuncia o Verbo, e sem voz não há palavra. Seu casamento com a cunhada, que era também uma aliança política e diplomática, era criticada por João. Imaginando que Jesus seria João Batista que havia retornado, Herodes reconhece seu fracasso na tentativa de calar a voz dos profetas que o criticavam.

Nessa espécie de crônica policial percebemos o recorrente confronto entre reis arrogantes e enfraquecidos e profetas que não calam a verdade, mesmo quando têm que pagar sua coerência com a própria vida. Jesus seguirá por esse mesmo caminho, e terá semelhante destino. E os discípulos missionários que ele envia também devem se preparar para isso. Os cristãos serão sempre luz que revela o que costuma ser escondido, e podem pagar um alto preço por sua fidelidade.

 

Sugestões para a meditação

Releia o texto com atenção, observando bem as nuances do relato e participando da cena que ele descreve

Você percebe a crítica irônica do evangelista às elites da Galileia, assim como a denúncia vigorosa da violência delas?

O que explica o arrefecimento da profecia das lideranças cristãs nos tempos atuais, e como poderemos resgatá-la?

Como desenvolver nos discípulos missionários de hoje a coragem da verdade e a ousadia do testemunho?


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