segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

A mulher e a menina

Jesus é o peregrino que faz o bem por onde passa

979 | Tempo Comum | 4ª Semana | Marcos 5,21-43

O texto do evangelho de hoje está literariamente estruturado em forma de sanduíche: no início e no fim está a cena da menina doente; no meio, temos a cena da mulher que sofre de hemorragia há 12 anos. A menina, mesmo muito enferma, tem alguém por ela: seu pai é chefe de uma sinagoga. A mulher enferma já sofrera na mão de muitos médicos, e não pode contar com ninguém que interceda por ela.

Jairo, o chefe da sinagoga e pai da adolescente que “está nas últimas” atira-se aos pés de Jesus e pede insistentemente que ele faça um gesto que a cure e faça viver. Jesus atende o seu pedido e caminha com ele, ladeado por uma multidão. Tudo parece andar bem de acordo com as expectativas e necessidades, mas, no meio do caminho aparece uma mulher sofrida, sem nome e sem ninguém.

Ela sofre de hemorragia há 12 anos, foi depauperada pelos médicos, e, “em vez de melhorar, piorava cada vez mais”. 12 anos de dor, de isolamento social por causa da “impureza” provocada pelo fluxo de sangue, de uma pobreza que se agrava a cada dia. Também ela ouve falar de Jesus, mas não ousa pedir nada. Apenas aproxima-se discretamente por trás e toca na roupa dele. Movida pela fé, acredita que o seu toque não transmite sua impureza a Jesus, mas atrai dele a graça da cura.

Aproximando-se de Jesus e tocando na roupa dele, a mulher vê-se curada. Mesmo apertado pela multidão por todos os lados, Jesus percebe que algo acontecera. Uma pessoa tão sofrida não poderia passar por Jesus sem que ele se sentisse profundamente tocado! Mesmo embaraçada pelo seu gesto inusitado, a mulher se apresenta, e ouve de Jesus uma palavra poderosa e emancipadora: “És minha filha, e o que te curou é a tua fé. Vai em paz!”

Enquanto Jesus se entretém com esta mulher, a filha de Jairo morre, e seus empregados querem dispensar Jesus do pedido que ele lhe fizera. Então Jesus pede ao chefe da sinagoga que aprenda a crer como aquela mulher sem nome. E, chegando à casa, interrompe os lamentos, põe ordem na confusão, fica sozinho com os pais na peça onde está a menina, estende a mão a ela e a coloca de pé. E ela caminha, livre e curada, diante de uma multidão admirada.

 

Sugestões para a meditação

Perceba a situação de abandono social da mulher anônima, mas também sua confiança e sua fé, e a estratégia que nasce delas

Perceba como Jesus não dá preferência a quem tem um intercessor importante, e como toma a fé de uma pagã como exemplo

Qual é a atenção que dispensamos às pessoas que, movidas pela necessidade e pelo desespero, irrompem em nossas igrejas?

O que podemos fazer para que a Igreja reconheça o espaço que cabe às mulheres na sua missão e organização?

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