As mãos de Deus têm
as marcas da carpintaria
980 | Tempo Comum | 4ª Semana | Marcos 6,1-6
Apesar dos títulos de poder que a história associou a
ele, Jesus de Nazaré partilhou a sorte das pessoas humildes, simples, normais.
Ele não fez coro com os soberbos e satisfeitos, nem foi indiferente ao destino
das pessoas desprezadas. Nasceu numa estrebaria, habitou numa cidade
insignificante, foi trabalhador braçal, aproximou-se de grupos sociais
considerados suspeitos, foi preso e executado entre outros condenados, fora dos
muros de Jerusalém. Em sua cidade, Jesus era conhecido como um carpinteiro, e
seus familiares eram pessoas muito humildes.
O
trecho do evangelho de hoje mostra a admiração e a inquietação dos conterrâneos
de Jesus sobre a origem e o carisma de Jesus. Como o conheciam desde pequeno,
perguntavam-se: “Onde foi que arranjou tanta sabedoria? Esse homem não é o
carpinteiro, o filho de Maria?” Do ponto de vista da origem, Jesus não poderia
ser o que dava a impressão de ser. Para seus conterrâneos, a sabedoria não
poderia vir de pessoas comuns e humildes como eles. Por mais seus ensinamento e
ações impressionassem, sua pertença a um povoado e uma família marginal era
como uma pedra de escândalo. Ele não poderia ser o Messias que esperavam.
Jesus,
por sua vez, fica muito impressionado com esta visão estreita, com a influência
que a ideologia das elites exerce sobre os humildes habitantes da sua aldeia.
Por trás dela está a ideia da inferioridade e impotência dos pobres, da sua
radical e eterna dependência de benfeitores poderosos. Como tantos outros,
aquele povo simples havia interiorizado e assimilado a insignificância que os
outros lhe atribuíam. E parece que esse escândalo atinge os próprios familiares
e parentes de Jesus. Com um olhar ofuscado por ambições e preconceitos, não
conseguimos ver claramente.
Por isso, Jesus repete um provérbio popular da sua
região: “Um profeta só não é estimado na sua pátria, entre seus parentes e familiares” Aqueles que conhecem sua
origem humilde e suas mãos calejadas na carpintaria não conseguem reconhecer nele
os traços do Profeta ou do Messias. Mas para Jesus o escândalo dos habitantes
de Nazaré significa falta de fé, ausência daquela abertura essencial que
permite reconhecer a presença de Deus nas coisas e pessoas simples, acolher as
surpresas e a ação de Deus que se manifesta onde menos se espera.
Sugestões para a meditação
Releia o
texto com atenção, imaginando-se presente em Nazaré, interagindo com os
familiares e conterrâneos de Jesus
Em que
medida também nós resistimos em admitir que pessoas simples, em lugares remotos
podem fazer grandes coisas?
Como nós e
nossas comunidades vivemos nossa origem, frequentemente humilde e de pouca
relevância social?
Deixe-se
seduzir por Jesus Cristo, o Deus na carpintaria e na cruz, assumindo uma vida
simples e priorizando os meios frágeis
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