terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Deus na carpintaria

As mãos de Deus têm as marcas da carpintaria

980 | Tempo Comum | 4ª Semana | Marcos 6,1-6

Apesar dos títulos de poder que a história associou a ele, Jesus de Nazaré partilhou a sorte das pessoas humildes, simples, normais. Ele não fez coro com os soberbos e satisfeitos, nem foi indiferente ao destino das pessoas desprezadas. Nasceu numa estrebaria, habitou numa cidade insignificante, foi trabalhador braçal, aproximou-se de grupos sociais considerados suspeitos, foi preso e executado entre outros condenados, fora dos muros de Jerusalém. Em sua cidade, Jesus era conhecido como um carpinteiro, e seus familiares eram pessoas muito humildes.

O trecho do evangelho de hoje mostra a admiração e a inquietação dos conterrâneos de Jesus sobre a origem e o carisma de Jesus. Como o conheciam desde pequeno, perguntavam-se: “Onde foi que arranjou tanta sabedoria? Esse homem não é o carpinteiro, o filho de Maria?” Do ponto de vista da origem, Jesus não poderia ser o que dava a impressão de ser. Para seus conterrâneos, a sabedoria não poderia vir de pessoas comuns e humildes como eles. Por mais seus ensinamento e ações impressionassem, sua pertença a um povoado e uma família marginal era como uma pedra de escândalo. Ele não poderia ser o Messias que esperavam.

Jesus, por sua vez, fica muito impressionado com esta visão estreita, com a influência que a ideologia das elites exerce sobre os humildes habitantes da sua aldeia. Por trás dela está a ideia da inferioridade e impotência dos pobres, da sua radical e eterna dependência de benfeitores poderosos. Como tantos outros, aquele povo simples havia interiorizado e assimilado a insignificância que os outros lhe atribuíam. E parece que esse escândalo atinge os próprios familiares e parentes de Jesus. Com um olhar ofuscado por ambições e preconceitos, não conseguimos ver claramente.

Por isso, Jesus repete um provérbio popular da sua região: “Um profeta só não é estimado na sua pátria, entre seus parentes e familiares” Aqueles que conhecem sua origem humilde e suas mãos calejadas na carpintaria não conseguem reconhecer nele os traços do Profeta ou do Messias. Mas para Jesus o escândalo dos habitantes de Nazaré significa falta de fé, ausência daquela abertura essencial que permite reconhecer a presença de Deus nas coisas e pessoas simples, acolher as surpresas e a ação de Deus que se manifesta onde menos se espera.

 

Sugestões para a meditação

Releia o texto com atenção, imaginando-se presente em Nazaré, interagindo com os familiares e conterrâneos de Jesus

Em que medida também nós resistimos em admitir que pessoas simples, em lugares remotos podem fazer grandes coisas?

Como nós e nossas comunidades vivemos nossa origem, frequentemente humilde e de pouca relevância social?

Deixe-se seduzir por Jesus Cristo, o Deus na carpintaria e na cruz, assumindo uma vida simples e priorizando os meios frágeis


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