No Senhor encontramos graça e redenção
1003 | Quaresma | 1ª Semana | Quarta | Mateus 5,20-26
Depois de propor o caminho da
felicidade plena e duradoura (bem-aventuranças), Jesus sublinha que esse
caminho requer a vivência de uma justiça maior que aquela demonstrada pelos
escribas e fariseus. E dá uma série de exemplos, dos quais o texto de hoje nos
apresenta o primeiro. Jesus parte das Escrituras Sagradas, mas não se detém na
lei fria. Para ele, a Escritura tem como finalidade assegurar a proteção social
dos vulneráveis e a comunhão harmônica no interior da comunidade.
Nesta perspectiva, Jesus reinterpreta o 5º
mandamento da lei de Moisés, ciente de que o homicídio começa bem antes do ato
concreto que o realiza, e tem suas raízes na falta de respeito à dignidade de
quem é diferente de nós, configurada na raiva e no insulto. Não matar não é o
teto da justiça, mas o seu mínimo, ou seu ponto de partida. A fraternidade sem
fronteiras e a reconciliação sempre renovada são exigências primárias do
Evangelho do Reino, e os discípulos não podem ignorar isso.
A justiça maior que aquela ostentada pelos
fariseus se expressa na vivência da fraternidade e da reconciliação, ou seja: agindo
para que o diferente seja acolhido e viva dignamente. Isso é tão importante e
decisivo que Jesus ensina que a nossa comunhão com Deus depende da
reconciliação com as pessoas e grupos que divergem de nós e até nos perseguem.
A atitude de pacificação e reconciliação é mais importante que a doutrina
ortodoxa e o culto divino!
É claro que Jesus não recomenda fazer um
momento de parada durante a celebração ou a apresentação das oferendas. Ele usa
esta imagem forte para reforçar a absoluta importância de cultivar, manter e
reatar os vínculos que, tanto do ponto de vista humano como religioso, nos unem
ao próximo. E não se trata apenas de constatar que ofendemos alguém e que isso
nos pesa na consciência. Jesus nos pede para verificar se nós mesmos agimos mal
e provocamos dano e ressentimento aos outros.
O nosso próximo,
sendo diferente, e até mesmo divergente de nós, é um dom, um presente; jamais
um inimigo ou um concorrente. Relacionar-se fraternalmente com ele não pode
jamais ser um peso, mas deve ser sempre uma grande alegria, mesmo quando
comporta exigências. Talvez seja importante começar pela pacificação da nossa linguagem,
dos nossos sentimentos e dos nossos pensamentos.
Sugestões para a meditação
Que impacto tem
sobre você este ensino de Jesus: não é suficiente não matar, é preciso evitar a
raiva e o insulto?
Quais são as
consequências do conselho de Jesus: interromper o culto e as ofertas para
primeiro se reconciliar com quem prejudicamos?
Com quem você
precisa se reconciliar hoje? Quem são as pessoas que poderiam ter uma queixa
contra você?
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