sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

A alegria de ser acolhido

O Evangelho é notícia boa e gera alegria

997 | Quaresma | Sábado  | Lucas 5,27-32

Estamos nos primeiros dias da Quaresma, tempo forte de conversão ao Evangelho. A Campanha da Fraternidade, promovida pelo Conferência Nacional dos Bispo do Brasil, nos convida a um empenho generoso e lúcido na luta para assegurar a todas as famílias uma moradia digna e acessível.

O episódio do evangelho de hoje ocorre depois da pesca abundante, do chamado dos primeiros discípulos e da cura de um leproso e de um paralítico. Pedro havia dito a Jesus: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador”; o leproso dissera que era impuro e que Jesus, se quisesse, podia purifica-lo; e ao paralítico, Jesus declarara: “Filho, teus pecados estão perdoados”.

Também Levi e os demais cobradores de impostos eram tratados como pecadores e odiados como infames pelos radicais judeus. Mesmo assim, Jesus desconhece as fronteiras e muros que separam, opõem e hierarquizam pessoas e povos, e chama um pecador suspeito e odiado a ser seu discípulo, sob a murmuração e a reprovação dos fariseus, que se autoconsideravam puros, justos e melhores. Não é por nada que um grande número de pecadores e outras pessoas se reuniram na casa de Levi para festejar alegremente com Jesus esta graça inesperada.

Pecador como Pedro, Levi é chamado e responde sem “se” nem “talvez”. Como Jesus, quem aceita seu convite e se torna seu discípulo derruba os muros erguidos pelo sistema de pureza, que classifica as pessoas entre puras e impuras, justas e pecadoras. Jesus questiona e enfrenta essa separação, afirmando que, como o médico se ocupa dos doentes, o Filho de Deus veio para se ocupar dos pecadores, e não dos que se autoproclamam justos. Sua especialidade é ir ao encontro da ovelha perdida.

Hoje, o muro que nos separa é erguido pelas ideologias da meritocracia, do nacionalismo, do machismo, do racismo, do status social, cultural e econômico. São elas que rotulam e excluem dos bens e do prestígio social quem é diferente ou é visto como ameaça. É o medo do outro e do diferente que nos leva a construir muros, fechar portas e destruir pontes.

 

Sugestões para a meditação

Leia atentamente, palavra por palavra, e contemple gesto por gesto esta cena memorável na casa de Levi/Mateus

Perceba a alegria agradecida que aquelas pessoas resgatadas em sua dignidade transmitem, e alegre-se com elas

Diante deste eloquente gesto de Jesus, porque alguns cristãos se escandalizam quando defendemos os marginalizados?

Com qual dos grupos você, interiormente, se identifica: com os sadios, “bons” e justos; ou com os doentes, “maus” e pecadores?

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