O Evangelho é notícia boa e gera alegria
997 | Quaresma | Sábado | Lucas
5,27-32
Estamos nos primeiros dias da
Quaresma, tempo forte de conversão ao Evangelho. A Campanha da Fraternidade, promovida pelo Conferência Nacional dos
Bispo do Brasil, nos convida a um empenho generoso e lúcido na luta para
assegurar a todas as famílias uma moradia digna e acessível.
O episódio do evangelho de hoje ocorre depois
da pesca abundante, do chamado dos primeiros discípulos e da cura de um leproso
e de um paralítico. Pedro havia dito a Jesus: “Senhor, afasta-te de mim, porque
sou um pecador”; o leproso dissera que era impuro e que Jesus, se quisesse,
podia purifica-lo; e ao paralítico, Jesus declarara: “Filho, teus pecados estão
perdoados”.
Também Levi e os demais cobradores de impostos
eram tratados como pecadores e odiados como infames pelos radicais judeus.
Mesmo assim, Jesus desconhece as fronteiras e muros que separam, opõem e
hierarquizam pessoas e povos, e chama um pecador suspeito e odiado a ser seu
discípulo, sob a murmuração e a reprovação dos fariseus, que se
autoconsideravam puros, justos e melhores. Não é por nada que um grande número
de pecadores e outras pessoas se reuniram na casa de Levi para festejar
alegremente com Jesus esta graça inesperada.
Pecador como Pedro, Levi é chamado e responde
sem “se” nem “talvez”. Como Jesus, quem aceita seu convite e se torna seu
discípulo derruba os muros erguidos pelo sistema de pureza, que classifica as
pessoas entre puras e impuras, justas e pecadoras. Jesus questiona e enfrenta
essa separação, afirmando que, como o médico se ocupa dos doentes, o Filho de
Deus veio para se ocupar dos pecadores, e não dos que se autoproclamam justos.
Sua especialidade é ir ao encontro da ovelha perdida.
Hoje, o muro que
nos separa é erguido pelas ideologias da meritocracia, do nacionalismo, do
machismo, do racismo, do status social, cultural e econômico. São elas que
rotulam e excluem dos bens e do prestígio social quem é diferente ou é visto
como ameaça. É o medo do outro e do diferente que nos leva a construir muros,
fechar portas e destruir pontes.
Sugestões para a meditação
Leia atentamente,
palavra por palavra, e contemple gesto por gesto esta cena memorável na casa de
Levi/Mateus
Perceba a alegria
agradecida que aquelas pessoas resgatadas em sua dignidade transmitem, e
alegre-se com elas
Diante deste
eloquente gesto de Jesus, porque alguns cristãos se escandalizam quando
defendemos os marginalizados?
Com qual dos
grupos você, interiormente, se identifica: com os sadios, “bons” e justos; ou
com os doentes, “maus” e pecadores?
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