sábado, 14 de fevereiro de 2026

Ah, o perdão!

A IMPORTÂNCIA SOCIAL DO PERDÃO

Não é fácil escutar o apelo de Jesus ao perdão ou tirar todas as implicações que pode ter a decisão de aceitar que um homem é mais humano quando perdoa do que quando se vinga.

Sem dúvida, é preciso entender bem o pensamento de Jesus. Perdoar não significa ignorar as injustiças cometidas, nem aceitá-las de forma passiva ou indiferente. Pelo contrário, se alguém perdoa é precisamente para romper, de algum modo, a espiral do mal e ajudar o outro a reabilitar-se e agir de forma diferente no futuro.

Na dinâmica do perdão há um esforço para superar o mal com o bem. O perdão é um gesto que muda qualitativamente as relações entre as pessoas e procura estabelecer uma convivência futura de uma nova forma. Por isso, o perdão não deve ser apenas uma exigência individual, mas deveria ter também uma tradução social.

A sociedade não deve abandonar nenhum ser humano, nem mesmo o culpado. Toda a pessoa tem direito a ser amada. Não podemos aceitar que a repressão penal apenas devolva mal por mal ao encarcerado, afundando-o no seu delito, degradando a sua existência e impedindo a sua verdadeira reabilitação.

O grande jurista G. Radbruch dizia que o castigo como imposição do mal pelo mal deve ir desaparecendo para se tornar, tanto quanto possível, um «estímulo para saldar o mal com o bem, único modo de exercer na terra uma justiça que não piore o mundo, mas o transforme num lugar melhor».

Não há justificação para agir de forma vexatória ou injusta com qualquer preso, seja delinquente comum ou ‘criminoso’ político. Nunca avançaremos para uma sociedade mais humana se não abandonarmos posturas de represália, ódio e vingança.

Por isso também é um erro incitar o povo à vingança. O grito de «o povo não perdoará» é, infelizmente, compreensível, mas não é o caminho certo para ensinar a construir um futuro mais humano.

O repúdio do perdão é um grito que, como crentes, nunca podemos subscrever, porque, no fundo, é um repúdio da fraternidade querida por Aquele que nos perdoa a todos.

 José Antônio Pagola

Tradução de Antônio Manuel Álvarez Perez

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