terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Converter-se é preciso

Dai-nos, Senhor, um espírito decidido!

1001 | Quaresma | 1ª Semana | Quarta  | Lucas 11,29-32

A missão de Jesus não era aceita unanimemente, pois provocava muitas controvérsias. Algumas lideranças religiosas diziam que, para curar doentes e possessos, Jesus havia feito uma aliança com a Diabo. Ele se defendia com ações, com sólidos argumentos e recorrendo a parábolas. Nesse contexto, alguém elogia sua mãe por ter trazido ao mundo alguém tão especial como ele. E Jesus reage afirmando que a honra pertence a quem ouve e pratica a Palavra de Deus.

Diante rejeição e do fechamento das pessoas, especialmente dos líderes religiosos, à Boa Notícia do Reino de Deus, e diante do insistente pedido de que apresente suas credenciais de enviado de Deus realizando sinais capazes de impressionar, Jesus declara: “Esta geração é uma geração perversa”. E se recusa a transformar o Reino de Deus em espetáculo mediante sinais grandiosos. E não faz nenhum milagre.

Jesus diz que o sinal do profeta Jonas continua em vigor, e vale para os seus interlocutores: um apelo à mudança de atitudes e de interesses, a voltar-se de coração a Deus e à sua vontade, e ao serviço ao próximo e suas necessidades. E mais ainda: Jesus apresenta a si mesmo como sinal, de modo que quem não reconhece o sinal da ação de Deus na sua compaixão pelos vulneráveis está dando as costas a Deus.

Numa postura claramente provocativa, Jesus afirma ainda que os “piedosos” judeus que o rejeitam são piores que os pagãos que eles tanto desprezam. Enquanto uma rainha pagã reconheceu a sabedoria de Salomão, e o povo pagão de Nínive aceitou a pregação de Jonas e se converteu, eles, em nome de uma limitada imagem de Deus, desprezam o Filho do Homem, que é maior que Salomão e que Jonas.

Precisamos aprender que Deus gosta manifestar-se de modo discreto, com sinais pequenos, mas eloquentes, e até na contramão das avenidas mais transitadas: na compaixão pelos pequenos, na doação de si mesmo, na comunhão com os últimos, na acolhida e no perdão aos pecadores, na morte na cruz. A conversão ao Reino de Deus precede qualquer milagre. E aqueles que são desprezados por serem pagãos, por suas atitudes de conversão, serão juízes daqueles que posam como piedosos.

 

Sugestões para a meditação

Será que estamos sendo capazes de acolher e valorizar os gestos e iniciativas humanitárias de gente de outros grupos e religiões?

Poderíamos afirmar sem medo de errar que temos levado sempre a sério a nossa conversão ao Evangelho do Reino de Deus?

Somos capazes de identificar na compaixão transformadora e amorosa de Jesus o sinal mais eloquente de sua divindade?

Ou ainda somos tentados a pedir e esperar sinais espetaculares de Deus para mudar as coisas que estão ruins?

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