quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

O Evangelho dominical (Pagola) - 02.02.2020


FÉ SIMPLES

O relato do nascimento de Jesus é desconcertante. Segundo Lucas, Jesus nasce numa terra onde não há lugar para O receber. Os pastores tiveram de O procurar por toda Belém até que o encontraram num lugar afastado, deitado numa manjedoura, sem mais testemunhas do que os Seus pais.
Aparentemente, Lucas sente necessidade de construir um segundo relato em que a criança é resgatada do anonimato para ser apresentada publicamente. Que lugar mais apropriado do que o Templo de Jerusalém para Jesus ser acolhido solenemente como o Messias enviado por Deus ao seu povo?
Mas o relato de Lucas é de novo desconcertante. Quando os pais se aproximam do templo com a criança, não saem ao seu encontro os sumos sacerdotes e outros líderes religiosos. Dentro de uns anos, serão eles que o entregarão para ser crucificado. Jesus não encontra acolhida nessa religião segura de si mesma e esquecida do sofrimento dos pobres.
Tampouco O vêm receber os mestres da Lei que pregam as suas «tradições humanas» nos átrios daquele Templo. Anos mais tarde, rejeitarão Jesus por curar os doentes violando a lei do sábado. Jesus não encontra acolhida em doutrinas e tradições religiosas que não ajudam a viver uma vida mais digna e saudável.
Quem acolhe Jesus e o reconhece como Enviado de Deus são dois anciãos de fé simples e de coração aberto, que viveram as suas longas vidas esperando a salvação de Deus. Os seus nomes parecem sugerir que são personagens simbólicos. O ancião chama-se Simeão (o Senhor ouviu), a anciã chama-se Ana (oferenda). Eles representam tanta gente de fé simples que, em todos os povos de todos os tempos, vivem com a sua confiança colocada em Deus.
Os dois pertencem aos ambientes mais saudáveis de Israel. São conhecidos como o «Grupo dos Pobres do Senhor». São pessoas que não têm nada, apenas a sua fé em Deus. Não pensam na sua fortuna ou no seu bem-estar. Só esperam de Deus a consolação que o seu povo necessita, a libertação que procuram geração após geração, a luz que ilumine as trevas em que vivem os povos da terra. Agora sentem que as suas esperanças se cumprem em Jesus.
Esta fé simples que espera de Deus a salvação definitiva, é a fé da maioria. Uma fé pouco cultivada, que se concretiza quase sempre em orações desajeitadas e distraídas, que se formula em expressões pouco ortodoxas, que se desperta sobretudo em momentos difíceis de apuro. Uma fé que Deus não tem nenhum problema em entender e acolher.
José Antônio Pagola.
Tradução de Antônio Manuel Álvarez Perez.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

ANO A | TEMPO COMUM | FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR | 02.02.2020


Jesus assume a condição humana e se faz nosso irmão.
A passagem do Evangelho sugerida para a Festa da Apresentação do Senhor reúne uma série de episódios interligados: a apresentação de Jesus no templo, o encontro com Simeão e sua profecia sobre o Menino, o encontro com a profetiza Ana, o retorno a Nazaré e o crescimento normal e anônimo de Jesus. As três primeiras cenas se desenrolam no templo, centro espiritual e cultural do judaísmo. O último é uma espécie de contraponto teológico ao templo, e se desenrola em Nazaré, na região da Galileia. Mesmo encravada no tempo comum, esta celebração está espiritualmente ligada ao ciclo do Natal.
A primeira cena mostra a apresentação de Jesus ao templo. As leis judaicas obrigavam os pais a consagrar a Deus seu filho primogênito. Para recuperar o direito sobre os filhos devidos a Deus, precisavam resgatá-los mediante uma oferta. Lucas não menciona a oferta pelo resgate de Jesus, mas somente a oferta de purificação de uma mãe pobre. "Se ela não tem meios para comprar um cordeiro, pegue duas rolas ou dois pombinhos: um para o holocausto e outro para o sacrifício pelo pecado" (Lv 12,8).
A segunda cena apresenta o encontro de José e Maria com Simeão, homem piedoso e devoto que cultiva a esperança da vinda do Messias. Simeão não é sacerdote e nem vive no templo; é um homem justo, como José e, como os pastores, capaz de reconhecer o Messias na fragilidade do menino que acolhe nos braços. Simeão credita que no Messias todos os povos são acolhidos e salvos por Deus. Ele reconhece e apresenta o menino Jesus como luz para todas as nações e povos.
O pai e a mãe de Jesus ficam maravilhados com o que Simeão diz do menino. É a reação própria de quem acolhe com gratidão a ação libertadora de Deus na história mediante os pobres e humildes. E esse estupor tem dois motivos: o primeiro, é o fato de Simeão reconhecer Jesus como Messias, mesmo sem ter recebido nenhuma informação a respeito; o segundo, são as palavras de Simeão anunciando o caráter e a missão universal de Jesus. José e Maria são discípulos e aprendizes, e precisam descobrir o sentido de tudo isso.
Simeão invoca sobre José e Maria a bênção de Deus, e lhes fala das contradições que o filho provocaria, da sua missão de revelar aquilo que está escondido no silêncio malicioso dos homens. Fala também sobre o destino do filho, e prevê os sofrimentos de Maria, parábola dos sofrimentos do povo de Deus. Quem partilha o projeto e a vida de Jesus acaba partilhando também a contradição que ele provoca, sua rejeição e seu aparente fracasso como pregador. Estar com ele significa sofrer com ele.
Uma segunda pessoa que dá testemunho de Jesus no templo é Ana. Além de piedosa, seu nome significa “oferta” e ela é conhecida como intérprete dos desígnios de Deus. Ana se aproxima de Jesus e seus pais, como os pastores e Simeão haviam feito antes. Também ela acolhe e entende o sinal, e anuncia aos quatro ventos a salvação que em Jesus se manifesta. Ana louva a Deus pelo que lhe fora dado presenciar, e anuncia o Messias presente no menino a todos aqueles que o esperam teimosamente.
Os dois últimos versículos são uma espécie de contra­ponto ao entusiasmo despertado no pequeno círculo das pessoas reunidas no templo. A volta a Nazaré é uma descida da exaltação no templo ao anonimato em Nazaré. É nesta suspeita vila da Galileia que o menino cresce e fica forte, cheio de sabedoria. Uma sabedoria adquirida longe do templo, participando na vida cotidiana do povo. No templo Jesus é apresentado a Deus e brilha, mas em Nazaré é apresentado ao povo de Deus e com ele se identifica radicalmente.
A Carta aos Hebreus vai na mesma linha se sentido. Jesus assume a condição comum a todos os homens e mulheres, faz-se em tudo semelhante a nós, é uma espécie de encarnação de uma misericórdia que merece confiança e que nos liberta do medo escravizador. Por ter experimentado o sofrimento e a tentação, próprias da condição humana no mundo, Jesus é capaz de socorrer aqueles que sofrem e são tentados pelo desânimo. Apresentado a Deus no templo, Jesus é por ele devolvido à humanidade como irmão solidário e salvador.
Jesus de Nazaré, filho amado de Maria e de José, anjo da Aliança e em tudo semelhante a nós! Bendito sejas por tua divina raiz e pela tua proximidade redentora! Tua presença confirma nossos sonhos e descobre nossas ambiguidades! Que tua Presença e tua Palavra sejam força a nos reerguer e, através de nós e da comunidade que nasce do teu lado aberto, luz e liberdade para todos os povos! E que os homens e mulheres que a ti se consagram te louvem e anunciem com a vida! Assim seja! Amém!
Itacir Brassiani msf
Profecia de Malaquias | Salmo 23
Carta de Paulo aos Hebreus 2,14-18| Evangelho de São Lucas 2,22-40

sábado, 25 de janeiro de 2020

O Evangelho dominical (Pagola) - 26.01.2020


EM QUE TEMOS DE MUDAR?

Não é difícil resumir a mensagem de Jesus: Deus não é um ser indiferente e distante, que se move no Seu mundo, interessado apenas na Sua honra e nos Seus direitos; é alguém que procura o melhor para todos. A Sua força salvadora age no mais profundo da vida. Só quer a colaboração das Suas criaturas para conduzir o mundo à sua plenitude: «O reino de Deus está próximo. Mudai».
Mas, o que é colaborar no projeto de Deus? O que é que é preciso mudar? O chamado de Jesus não se dirige apenas aos pecadores, para que abandonem a sua conduta e se pareçam um pouco mais com os que já observam a lei de Deus. Não é isso que o preocupa. Jesus dirige-se a todos, porque todos têm de aprender a agir de maneira diferente. O Seu objetivo não é que em Israel se viva uma religião mais fiel a Deus, mas que os Seus seguidores introduzam no mundo uma nova dinâmica: a que responde ao projeto de Deus. Indicarei os pontos principais.
A compaixão há de ser sempre o princípio de atuação. Há que introduzir no mundo a compaixão por aqueles que sofrem: «Sejam compassivos como é o Vosso Pai». Sobram as grandes palavras que falam de justiça, igualdade ou democracia. Sem compaixão para com os últimos não são nada. Sem ajuda prática para com os desgraçados da terra, não há progresso humano.
A dignidade dos últimos há de ser o primeiro objetivo. "Os últimos serão os primeiros." Há que imprimir à história uma nova direção. Há que colocar a cultura, a economia, as democracias e as igrejas a olhar para aqueles que não podem viver de forma digna.
Há que promover um processo de cura que liberte a humanidade do que a destrói e degrada. Jesus não encontrou uma linguagem melhor. O decisivo é curar, aliviar o sofrimento, sanear a vida, construir uma convivência orientada para uma vida mais saudável, digna e feliz para todos.
Esta é a herança de Jesus. Em nenhum lugar a vida será construída como Deus quer, se não for libertando os últimos da sua humilhação e sofrimento. Nunca será abençoada por Deus, nenhuma religião, se não se procura justiça para eles.
José Antonio Pagola.
Tradução de Antonio Manuel Álvarez Perez.

ANO A | TEMPO COMUM | TERCEIRO DOMINGO | 26.01.2020


A boa notícia é esta: o Reino de Deus está próximo!
Aquele que foi anunciado como o Cordeiro de Deus vem ao encontro dos últimos da sociedade e estabelece entre eles sua morada. A partir da periferia, Jesus de Nazaré anuncia viabiliza uma novidade que muda radicalmente o mundo: o Reino de Deus está tomando força. Para acolher e levar adiante este sonho indomável, ele chama homens e mulheres de boa vontade, aos quais pede unicamente que abram os olhos e a mente à novidade em curso, e tenham a coragem de superar as divisões e competições mesquinhas, distanciar-se da surrada e desumana indiferença e romper os compromissos com a dominação.
Jesus começa sua missão depois que lhe chega a notícia da prisão de João Batista, seu parente profeta. Ele traz ainda muito viva a recente experiência do encontro com este profeta à beira do rio Jordão, a consciência de ser filho amado e servo dedicado (cf. Mt 3,13-17), assim como a prova das tentações, uma antecipação do confronto duro e exigente que marcaria toda sua missão (cf. Mt 4,1-11). Com essas lembranças vivas, Jesus deixa sua pequena e querida Nazaré e se muda para para Cafarnaum, às margens do mar.  Mas esta mudança de endereço para uma região igualmente periférica e desconhecida não tem nada de fortuito!
No passado, a região de Zebulon e Neftali assistira a uma violenta deportação dos seus filhos. Para Jesus, é lá que se reacende a luz da esperança e ressurge um canto de alegria. Ele escolhe esta região e nela decide habitar guiado pelo Espírito de Deus. Não muda de Nazaré para cidades maiores e famosas como Tiberíades (importante cidade portuária) ou Séforis (destacado centro cultural). Como cidadão judeu que vive num território controlado por Roma, Jesus decide continuar morando na margem, junto à população empobrecida, longe daqueles que colaboram com o império e ao lado daqueles que lhe resistem.
Com a presença de Jesus, a noite da opressão que envolve os povos se transfirgura em noite da libertação, a periferia se converte em centro de renovação, a canga e a vara que encarnam a dominação viram lenha de fogueira. Gritos e cantos de alegria substituem o clamor de um povo submergido nas sombras da morte. A razão de tal mudança? Tudo brota do alegre e jubiloso anúncio de Jesus: “Convertei-vos, pois o Reino dos Céus está próximo!” A novidade alegre é que o tempo de espera se esgotou! Jesus é o enviado de Deus para desatar o pesado fardo do pecado, jogado às costas do povo!
Mas Jesus não se limita a anunciar a proximidade do Reino de Deus. Ele faz questão de demonstrar sua presença e seu dinamismo mediante ações claramente libertadoras. Segundo o evangelista, Jesus “percorria toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, anunciando a Boa Nova do Reino e curando toda espécie de doença e enfermidade do povo.” Ele restaura a integridade física dos doentes, possibilita a reinserção social dos excluídos, derrota as forças que oprimem o povo e cura um mundo profundamente enfermo. Com Jesus e em torno dele começa uma nova história.
Mas sem envolvimento pessoal na ação não há liberdade que seja digna desse nome. Por isso, além de anunciar e demonstrar a irrupção dos áureos tempos sonhados, Jesus age chamando discípulos e associando-os à sua missão. Em torno dele, as pessoas chamadas formam uma espécie de comunidade alternativa, centrada na vivência, no anúncio e no serviço ao Reino de Deus, cujo conteúdo é a libertação radical do ser humano. O chamado de Jesus é uma espécie de contestação da pretensa imutabilidade da ordem dominante e uma demonstração da fecundidade da força que vem de Deus.
Os primeiros membros desta comunidade alternativa são duas duplas de irmãos, todos galileus socialmente marginalizados que se ocupavam da pesca. O evangelista ressalta a resposta positiva, imediata e incondicional do quarteto ao chamado de Jesus. A decisão de seguir Jesus comporta, além da total confiança nele, um custo social e econômico, expresso pelo abandono da atividade social. Por isso, Pedro, André e os filhos de Zebedeu deixam o barco e o pai, rompem com os valores da família patriarcal e com a sustentação do império romano e lançam as bases de uma família nova e alternativa. Vamos nessa?!
Deus querido, pai e mãe de uma humanidade ferida e sedenta de vida. Teu Filho iniciou sua missão na periferia, e continua chamando homens e mulheres sonhadores. Faz ressoar em nossos ouvidos o convite que ele não cessa de fazer. Dá-nos generosidade para lançarmos as sementes de uma nova humanidade, prefigurada em famílias abertas e inclusivas e em comunidades solidárias e empenhadas em frutificar em boas obras, na tarefa de conduzir todas as pessoas e povos à tua única e querida família. Assim seja!  Amém!
Itacir Brassiani msf
Profecia de Isaías 8,23-9,3 | Salmo 26 (27)
Carta de Paulo aos Coríntios 1,10-13 | Evangelho de São Mateus 4,12-23

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

O Evangelho dominical (Pagola) - 19.01.2020


O MAIS IMPORTANTE

Alguns ambientes cristãos do primeiro século estavam muito interessados em não serem confundidos com os seguidores do Batista. A diferença, segundo eles, era grande. Os batistas viviam de um rito externo que não transformava as pessoas: um batismo de água. Os cristãos, pelo contrário, deixavam-se transformar internamente pelo Espírito de Jesus.
Esquecer isso é mortal para a Igreja. O movimento de Jesus não se sustenta em doutrinas, normas ou ritos vividos exteriormente. É o próprio Jesus que deve batizar ou encher os seus seguidores com o Seu Espírito. E é este Espírito que os deve animar, impulsionar e transformar. Sem esse batismo do Espírito não há cristianismo.
Não devemos esquecer. A fé que anima a Igreja não está nos documentos do magistério ou nos livros de teólogos. A única fé real é a que o Espírito de Jesus desperta nos corações e mentes dos Seus seguidores. Esses cristãos simples e honestos, de intuição evangélica e coração compassivo, são os que realmente «reproduzem» Jesus e introduzem o seu Espírito no mundo. Eles são o melhor que temos na Igreja.
Infelizmente, existem muitos outros que não conhecem por experiência essa força do Espírito de Jesus. Eles vivem uma religião de segunda mão. Não conhecem nem amam Jesus. Simplesmente acreditam no que dizem outros. A sua fé consiste em acreditar no que diz a Igreja, no que ensina a hierarquia ou no que escrevem os entendidos, que às vezes não vivam nada do que viveu Jesus. Como é natural, com o passar dos anos, a sua adesão ao cristianismo vai-se dissolvendo.
O que mais precisamos hoje não é de catecismos que definam corretamente a doutrina cristã ou de exortações que precisem com rigor as normas morais. Só com isso não se transformam as pessoas. Há algo prévio e mais decisivo: narrar nas comunidades a figura de Jesus, ajudar os crentes a entrar em contato direto com o evangelho, ensinar a conhecer e amar Jesus, aprender juntos a viver com o Seu estilo de vida e o Seu espírito. Recuperar o batismo do Espírito, não é essa a primeira tarefa da Igreja?
José Antonio Pagola.
Tradução de Antonio Manuel Álvarez Perez.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

ANO A | TEMPO COMUM | SEGUNDO DOMINGO | 19.01.2020


Jesus elimina o pecado que fere e aprisiona a nossa liberdade.
Com a solenidade do batismo de Jesus, celebrada no domingo passado, chegamos ao fim o ciclo litúrgico das festas natalinas e iniciamos o ciclo do tempo comum. Neste segundo domingo do tempo comum, a Igreja nos propõe uma espécie de apresentação de Jesus. O pequeno trecho do Evangelho que nos é proposto é rico de imagens, e nos mostra João Batista em maturidade profética, dando testemunho de Jesus e apresentando-o como Cordeiro de Deus e como aquele que elimina o pecado do mundo e arca com suas consequências.
No dia anterior à cena de hoje, interrogado sobre a própria identidade, João respondera claramente que não era Elias, nem o Profeta, nem o Messias, mas alguém enviado a preparar o caminho para a vinda do Messias, diante do qual reconhecia sua própria pequenez e transitoriedade (cf. Jo 1,19-28). No dia seguinte, vendo Jesus vindo ao seu encontro, declara: “Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo.” E completa: “Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim.” Os papeis se invertem: quem era discípulo passa a ser mestre; quem estava atrás, passa à frente.
Esta imagem de Jesus Cristo como Cordeiro de Deus adquiriu um lugar importante na tradição cristã e é recordada até hoje em cada celebração eucarística. No livro do Apocalipse, a imagem do Cordeiro é aplicada a Jesus e aparece frequentemente. Ele é o Cordeiro ferido, mas vitorioso e glorioso.  Nesta imagem do cordeiro vemos quase que espontaneamente a mansidão e a docilidade, ou nos vem a ideia de sacrifício ou do ‘bode expiatório’. Mas, na santa Palavra, o próprio Deus nos adverte que ele não pede de nos sacrifícios e oblações, mas ouvidos abertos à sua voz e aos clamores da criação (cf. Sl 39/40).
É importante compreender que, apresentando Jesus como Cordeiro de Deus, João nos quer apresentá-lo como o Cordeiro pascal da tradição judaica, o sinal de comunhão do povo na memória, no sonho e na luta pela liberdade. Com o Cordeiro pascal, o povo hebreu celebrava a história e a utopia libertária, que, com o passar do tempo, acabou sendo ligada de modo quase exclusivo a uma etnia, uma nação e uma cultura. Ultimamente, com o processo de privatização da experiência religiosa, a imagem do cordeiro terminou sendo refém de uma espiritualidade intimista e desencarnada.
Pra João, Jesus é o Cordeiro que tira o pecado do mundo. Mas escutemos atentamente: trata-se de tirar o pecado, não de expiar; e o profeta do Jordão se refere ao pecado no singular, e não a pecados diversos; e é algo que existe antes de Jesus, que não se define apenas pela relação com ele. Este ‘pecado do mundo’ se condensa na recusa do projeto de Deus e na submissão aos sistemas que se fecham em torno dos interesses privados e das violências e mentiras que sua manutenção exige. Somente o dom Espírito pode fazer o ser humano uma realidade nova, renascida e capaz de amar e dar a vida, como o próprio Jesus.
Enquanto Servo e Cordeiro de Deus, Jesus leva a sério esta missão, urgente e sem fronteiras. E começa indo ao encontro das ‘ovelhas perdidas’ ou marginalizadas do povo de Israel. Depois, abre as portas do Reino de Deus a todos as pessoas, classes, povos, etnias e crenças. Nele, com ele e por ele, nenhum povo ou indivíduo é considerado inapto, incapaz ou indigno da vida abundante proporcionada pelo Reino de Deus. Todas as pessoas, grupos e povos são chamados à liberdade e à vida, a todos é concedido o Espírito de liberdade e de serviço. Caducou a divisão do mundo em “pessoas de bem” e pessoas que tratamos como indesejaveis.
É isso que Paulo destaca nas primeiras linhas da sua carta aos Coríntios. O apóstolo Paulo diz que, em Jesus Cristo, todos os seres humanos, inclusive aqueles que são chamados de pagãos, são chamados a ser santos. Acabaram as hierarquias que privilegiam uns e descartam muitos! Então, acolhendo o anúncio convicto de Paulo e a palavra-de-ordem de João Batista, repetida em cada Eucaristia no convite à comunhão, assumamos alegremente nossa dignidade de filhos, herdeiros e enviados, e engajemo-nos sem reservas na missão de tirar o pecado do mundo, a fim de que o mundo seja cada vez mais a casa comum dos filhos e filhas de Deus.
Jesus de Nazaré, Cordeiro pascal, memória e esperança de uma liberdade radical: confirma-nos como discípulos na escola do serviço despojado e fiel, lúcido e eficaz à plena liberdade e dignidade dos nossos irmãos e irmãs. Faz do teu Espirito libertário e renovador a lei maior do nosso sentir, pensar e agir. Abre cada dia de novo nossos ouvidos à Palavra que pronuncias mediante os gemidos da criação. E ajuda tuas Igrejas a compreender que não queres sacrifícios, doutrinas e sacramentos, mas amor que serve, palavra que anuncia e estimula, celebração que resgata a dignidade e a grandeza dos pobres. Assim seja! Amém!
Itacir Brassiani msf
Profecia de Isaías 49,3-6 | Salmo 39 (40)
Carta de Paulo aos Coríntios 1,1-3 | Evangelho de São João 1,29-34

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

O Evangelho dominical (Pagola) - 12.01.2020


EXPERIÊNCIA PESSOAL

Para Jesus, o encontro com João Batista foi uma experiência que mudou a sua vida. Após o batismo no Jordão, Jesus já não retorna ao trabalho em Nazaré; nem adere ao movimento do Baptista. A Sua vida centra-se agora num único objetivo: gritar a todos a Boa Nova de um Deus que deseja salvar o ser humano.
Mas o que transforma a trajetória de Jesus não são as palavras que escuta dos lábios do Baptista, nem o rito purificador do batismo. Jesus vive algo mais profundo. Sente-se inundado pelo Espírito do Pai. Reconhece-se a Si mesmo, como Filho de Deus. Doravante, Sua vida consistirá em irradiar e contagiar o amor insondável de um Deus Pai.
Esta experiência de Jesus tem um significado também para nós. A fé é um itinerário pessoal que cada um de nós deve percorrer. É muito importante, sem dúvida, o que ouvimos desde crianças aos nossos pais e educadores. É importante o que ouvimos de padres e pregadores. Mas, no final, devemos sempre fazer uma pergunta: Em quem acredito eu? Acredito em Deus ou acredito naqueles que me falam sobre ele?
Não podemos esquecer que a fé é sempre uma experiência pessoal que não pode ser substituída pela obediência cega ao que os outros nos dizem. Do lado de fora, podem orientar-nos para a fé, mas somos nós mesmos que devemos abrir-nos a Deus com confiança.
Por isso, a fé não consiste também em aceitar, sem mais, um determinado conjunto de fórmulas. Ser crente não depende primariamente do conteúdo doutrinário que se recolhe num catecismo. Tudo isso é muito importante, sem dúvida, para configurar a nossa visão cristã da existência. Mas antes disso e dando sentido a tudo isso, está esse dinamismo interior que, a partir de dentro, nos leva a amar, confiar e esperar sempre no Deus revelado em Jesus Cristo.
A fé também não é um capital que recebemos no batismo e do qual podemos então dispor tranquilamente. Não é algo adquirido em propriedade para sempre. Ser crente é viver permanentemente escutando o Deus encarnado em Jesus, aprendendo a viver dia a dia de forma mais plena e libertada.
Esta fé não está feita apenas de certezas. Ao longo da vida, o crente vive muitas vezes na escuridão. Como o grande teólogo Romano Guardini: “A fé consiste em ter luz suficiente para suportar as trevas”. A fé é feita, acima de tudo, de fidelidade. O verdadeiro crente sabe como acreditar durante as trevas, no que viu nos momentos de luz. Sempre continua a procurar esse Deus que está além de todas as nossas fórmulas claras ou escuras. Para Henri de Lubac, «as ideias que fazemos de Deus são como as ondas do mar, sobre as quais o nadador se apoia para as superar». O decisivo é a fidelidade a Deus que se manifesta a nós no Seu Filho Jesus Cristo.
José Antonio Pagola.
Tradução de Antonio Manuel Álvarez Perez.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

ANO A | TEMPO DE NATAL | SOLENIDADE DO BATISMO DE JESUS – 12.01.2020


O amor solidário é o pleno cumprimento da justiça de Deus!
O hábito católico de batizar as crianças logo que nascem pode induzir-nos a esquecer que o batismo pregado e realizado por João Batista não gozava de estima junto às autoridades do judaísmo. Esta prática não lhes parecia ortodoxa, tinha conotações de insubordinação e de inovação inaceitáveis, claramente contrárias aos interesses e à doutrina do templo. Por isso, desfrutemos da festa do batismo de Jesus como uma boa oportunidade para compreender mais clara e profundamente o sentido deste sacramento cristão.
Os doutores da lei ensinavam que os incontáveis pecados do povo ignorante suscitava a ira de Deus, que havia fechado o céu e bloqueado sua comunicação com a humanidade. O povo foi se acostumando com os anúncios ameaçadores e a violência simbolizada pelo grito nas praças, pela quebra da cana rachada e pela extinção da frágil luz das velas. A lei e os costumes judaicos diziam que só o templo e seus agentes autorizados poderiam lavar culpas e perdoar pecados. Fora do templo e suas taxas não poderia haver salvação!
João Batista ousa contrariar estas prescrições e práticas: proclama que Deus não cobra nada para perdoar; anuncia que a água abundante do rio Jordão lava as culpas que pesam sobre as costas dos mais pobres; pede que se aproximem todos aqueles que desejam endireitar as estradas da própria vida e da sociedade, os que desejam sinceramente reestabelecer a justiça. Como os magos mostraram no natal, João recorda, muitos anos depois, que os caminhos da graça de Deus n­ão passam necessariamente por Jerusalém e pelo templo.
Uma multidão de gente cansada e abatida, vergada sob o peso de uma pesada canga de leis e condenações, acorre a João à beira do rio Jordão. Gente humilde e humilhada, pobre e empobrecida, ignorante e ignorada, anônima e rotulada como pecadora. Gente com fome de tudo: de pão, de justiça, de graça, de acolhida, de cidadania. Muitos habitantes de Jerusalém, da Judéia e da região do rio Jordão, cansados de penar e sedentos de um Deus diferente, saem à procura do Profeta de hábitos simples e palavras exigentes.
Já adulto e prestes a assumir sua missão pública, Jesus deixa a Galileia e vai à procura de João Batista em meio a essa gente: anônimo, na mesma fila, com os mesmos sentimentos. Como tantos outros conterrâneos e contemporâneos, Jesus também deseja endireitar caminhos, nivelar colinas, mudar as coisas. Ele quer deslocar o centro para a periferia e a periferia para o centro. Jesus sabia que do templo não poderia vir nada de novo e nada de bom. Seu batismo é participação solidaria nas tentativas, buscas e sonhos do seu povo.
João pressente nessa atitude de Jesus algo novo e em desacordo com as práticas tradicionais. Percebe que está em curso uma inversão revolucionária. “É eu que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” Mas percebe também que a justiça não pode ser realizada parcialmente. A encarnação de Deus deve atingir a humanidade em sua dimensão mais profunda, e Jesus entra na fila dos pecadores e se identifica com eles. Com seu batismo, Jesus Cristo manifesta ao mundo a compaixão de Deus, assumindo o lugar dos últimos.
É por isso que a voz do Pai diz que este filho é quem lhe agrada e dá prazer, é a realização plena do seu ser e sua vontade. Deus é compaix­ão e complacência! E isso porque Jesus passa pelo mundo fazendo o bem, mostrando que Deus não discrimina pessoas ou religiões, e o faz assumindo o caminho do serviço, o papel de Servo. Ele revela a paternidade de Deus recriando os vínculos de fraternidade, começando pelas vítimas. Bem diferente do porta-voz do rei, que anunciava suas más notícias quebrando canas e apagando velas.
Durante o batismo, em meio ao povo machucado e sedento, Jesus faz uma experiência espiritual que deixará marcas profundas e dará a direção à toda sua vida e missão: percebe o Espírito de Deus descendo e repousando sobre ele, constituindo-o como filho, servo e libertador. Doravante, não reconhecerá mais a distinção entre judeus e pagãos, entre “homens de bem” e os que não interessem a ninguém e são por todos desprezados. Alguns anos mais tarde, Pedro resumirá esta percepção: “Deus não faz distinção entre as pessoas. Ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença.”
Deus querido, Pai e Mãe dos homens e mulheres que aceitam o desafio de renascer da água e do Espírito, do sonho e da Palavra: te agradecemos porque nos acolhes como filhas e filhos amados neste povo que amas. Conserva-nos no caminho do teu Filho, e faz de todos os batizados um fator de aliança entre os fracos, instrumento de justiça para quem é desprezado. E não nos deixes cair na tentação de uma justiça parcial ou superficial, disposta a aceitar subornos para fazer-se cega. Assim seja! Amém!
Itacir Brassiani msf
Profecia de Isaías 42,1-7 | Salmo 28 (29)
Atos dos Apóstolos 10,34-38 | Evangelho de São Mateus 3,13-17

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

O Evangelho dominical (Pagola) - 05.01.2020


APRENDER A ADORAR DEUS

Hoje fala-se muito de crise de fé, mas quase nada se diz sobre a crise do sentimento religioso. E, no entanto, como apontam alguns teólogos, o drama do homem contemporâneo não é a sua incapacidade de acreditar, mas a sua dificuldade de sentir Deus como Deus. Mesmo aqueles que se dizem crentes parecem estar perdendo a capacidade de viver certas atitudes religiosas.
Um exemplo claro é a dificuldade em adorá-Lo. Em tempos não muito distantes, parecia fácil sentir reverência e adoração ante a imensidão e o insondável mistério de Deus. Hoje, é mais difícil adorar a quem reduzimos a um ser estranho, incômodo e supérfluo.
Para adorar Deus é necessário sentir-se criaturas infinitamente pequenas ante Ele, mas infinitamente amadas por Ele; admirar a Sua grandeza insondável e gostar da Sua presença próxima e amorosa que envolve todo o nosso ser. Adoração é admiração. É amor e entrega. É entregar o nosso ser a Deus e permanecermos em silêncio, agradecido e alegre ante Ele, admirando o Seu mistério desde a nossa pequenez.
A nossa dificuldade para adorar vem de raízes diversas. Quem vive atordoado interiormente por todo o tipo de barulhos e abalado por mil impressões passageiras, sem parar nunca ante o essencial, dificilmente encontrará o rosto adorável de Deus.
Por outro lado, para adorar Deus é necessário parar ante o mistério do mundo e saber encará-lo com amor. Quem olha a vida com amor até ao fundo começará a vislumbrar as marcas de Deus mais cedo do que suspeita.
Somente Deus é adorável. Nem as coisas mais valiosas, nem as pessoas mais queridas são dignas de serem adoradas como Ele. Por isso somente quem é livre pode adorar Deus de verdade.
Esta adoração a Deus não afasta do compromisso. Quem adora Deus luta contra tudo o que destrói o ser humano, que é a Sua imagem sagrada. Quem adora o Criador respeita e defende a sua criação. Estão intimamente unidas, adoração e solidariedade, adoração e ecologia. Entende-se as palavras do grande cientista e místico Teilhard de Chardin: «Quanto mais homem se torne o homem, mais experimentará a necessidade de adorar».
O relato dos magos oferece-nos um modelo de autêntica adoração. Estes sábios sabem olhar o cosmos até ao fundo, captar sinais, aproximar-se do Mistério e oferecer a sua humilde homenagem a esse Deus encarnado na nossa existência.
José Antônio Pagola.
Tradução de Antônio Manuel Álvarez Perez.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

ANO A | TEMPO DE NATAL | SOLENIDADE DA EPIFANIA – 05.01.2020


Proclamemos com alegria a igualdade de todos diante de Deus!
Com os anônimos pagãos que vieram do oriente, aproximemo-nos da gruta-estábulo de Belém para acolher e reconhecer o rei-servo que nos emancipa e nos faz livres que nos leva para fora do estreito círculo dos interesses mesquinhos e dos medos nem sempre disfarçados e nos conduz ao melhor de nós mesmos. Contemplemos a glória de Deus que brilha nas suas criaturas e deixemos aos pés do Deus Menino nossos melhores dons: o desejo de uma humanidade tecida de infinitos gestos de aproximação e de solidariedade.
Homens de outros pagos e diferentes crenças, os magos chegam a Jerusalém guiados por um sinal que brilha no firmamento. Mateus nos diz que eles batem às portas dos líderes políticos e religiosos acomodados em Jerusalém e pedem ajuda para decifrar os sinais e descobrir o caminho. Os escribas mostram saber, mas são incapazes de se mover. Herodes fica sabendo das coisas e morre de medo de perder o poder. Os magos aprendem e ensinam que Aquele que merece honra e reverência não está nos palácios, nem nas capitais.
Belém está entre as cidades mais insignificantes de Judá. Somente a teimosia e a fé dos pobres podem esperar algo de um lugar tão obscuro. Mas é em direção a Belém que o trio de sábios orientais segue, e é lá que eles encontram a inocente alegria com feições de um Menino, deitado numa manjedoura, sob o olhar cuidadoso de uma mãe. Como estes estrangeiros suspeitos, somos chamados a redescobrir nossa fé original em lugares que se distanciam do terrível vírus do poder que limita a dignidade e a soberania do povo.
Aquilo que suscita alegria nos magos provoca medo em Herodes. Aquele que motiva a viagem dos sábios coloca em alerta a capital de um país dominado e sua classe dirigente. Mas nada desencoraja os peregrinos da fé: nem a indiferença dos líderes religiosos, nem o medo do rei submisso ao império, nem o paradoxo da estrebaria. Eles compreenderam que a estrebaria era a morada mais adequada para Aquele que viria para abater os poderosos e elevar os humildes, fazer com que os últimos sejam os primeiros.
Herodes aconselhara os magos que fossem a Belém e voltassem trazendo-lhe preciosas informações. Mas eles caminhavam levando presentes, e não mapas e medos. A estrela foi um sinal transitório, pois o sinal de que a humanidade tem um novo líder é o “Menino deitado na manjedoura”. Os magos reconhecem a realeza de Jesus Menino e lhe oferecem ouro. Proclamam sua divindade oferecendo-lhe incenso. Mas também prenunciam sua morte, que seria desde cedo tramada nos corredores dos palácios, oferecendo-lhe mirra.
Este é o núcleo da fé que professamos: um Deus que se sente bem assumindo a carne humana e que, por amor, não recusa a cruz. Como é possível que tenhamos nos afastado tão perigosamente disso? Como entender que as igrejas tenham transformado a estrebaria em palácios, os peregrinos estrangeiros em reis que barram migrantes, os pastores em imperadores? Como é possível que tenhamos esterilizado uma fé tão revolucionária, reduzindo-a a uma espécie de analgésico para as dores de uma má consciência?
Herodes parece querer ocupar o lugar de Deus ao enviar os magos a Belém. Encomenda informações precisas para montar sua estratégia e eliminar violentamente qualquer sombra de oposição ou concorrência. Deus jamais pede coisa semelhante aos que ele envia. O Deus dos cristãos liberta o indigente que suplica e o pobre que ninguém quer ajudar. Ele tem compaixão do miserável e do infeliz e salva a vida dos humildes (cf. Sl 71,12-13). É essa a lição de Belém, a Boa Nova que José, Maria, os pastores e os magos nos ensinam.
Paulo nos fala de um mistério finalmente a ele revelado: a notícia alvissareira de que todos os povos e religiões participam da mesma herança do Reino de Deus e são membros do corpo de Cristo em igual dignidade com os judeus. Com isso, Paulo anula invalida toda e qualquer pretensão superioridade religiosa, derruba todos os muros que separam e hierarquizam, e, assim, acaba atraindo também a raiva de muitos compatriotas. Na raiz da fé cristã está esta alegre descoberta da igualdade de todos diante de Deus.
É a ti que dirigimos nosso olhar, Deus dos humildes, Deus envolto em fraldas, destino e refúgio de todos os que peregrinam. Dá-nos palavras e sinais que guiem nossos passos inseguros. Não deixes que tua Igreja se detenha nos palácios, pois eles escondem prisões, e as “pessoas de bem” costuma viver fora deles. Ajuda-nos a reconhecer tua presença na Belém de todos os homens e mulheres, e a ver as diversas religiões como diferentes e legítimos caminhos que conduzem ao encontro contigo. Assim seja! Amém!
 Itacir Brassiani msf
Profecia de Isaías 60,1-6 | Salmo 71 (72)
Carta de Paulo aos Efésios 3,2-6| Evangelho de São Mateus 2,1-12