domingo, 29 de dezembro de 2019

ANO A | TEMPO DE NATAL | MARIA, MÃE DE DEUS | ANO NOVO – 01.01.2020


A Paz se faz com memória, reconciliação e conversão ecológica!
Celebramos o início de um novo ano ainda iluminados pelo mistério do Natal. Nascido e acolhido também por nós e no meio de nós, Jesus de Nazaré pacifica o mundo abrindo caminhos de diálogo, reconciliação e conversão, inclusive conversão ecológica, diz o Papa Francisco. Deus cumpre suas promessas e realiza as esperanças humanas através de Maria e de cada um de nós, dos homens e mulheres de boa vontade, dos líderes autênticos fazem memória das violências e assumem práticas de diálogo, conversão e reconciliação.
O autêntico espírito do Natal deve perdurar e prosseguir na passagem do ano, em nós e em nossas comunidades. Por isso, a liturgia continua nos convidando a penetrar mais profundamente o mistério da encarnação. Hoje, no raiar do novo ano, contemplamos a chegada dos pastores à gruta Belém, onde encontram Jesus no seio de uma família, ficam vivamente impressionados com o que veem, e comparam tudo com aquilo que tinham ouvido. Como pode uma criatura tão frágil ser portadora de Paz a todos os homens e mulheres de boa vontade? Esta é a pergunta dos pastores, de Maria e de José, e também a nossa!
Ao ser apresentado no templo e circuncidado, Jesus recebe o nome proposto pelo Anjo a Maria na anunciação. Ele se chama Jesus, ‘boa notícia da salvação’, pois Deus salva seu povo do pecado. De fato, Jesus agirá libertando, perdoando, acolhendo. Nele, a humanidade se descobre livre do débito que tinha consigo mesma por não conseguir realizar a utopia que faz arder seu coração. Em Jesus, todos estamos livres do peso de termos ficado aquém do alvo, ou errado o rumo (pois é isso que significa ‘pecado’). Deus não espera que cheguemos heroicamente a ele: Ele mesmo vem decididamente ao nosso encontro. Ele é nossa Paz!
Mas a Paz que Jesus nos assegura não está unicamente no fim do caminho, na plena confraternização entre lobos e cordeiros, serpentes e crianças. A Paz autêntica está no caminho, na caminhada, nos caminhantes. Está nas pessoas inconformadas que ousam mudar, renovar, começar de novo, cortar pela raiz as atitudes violentas, inclusive as que falseiam a memória, e isso cada dia, e não apenas no início do ano. Está nos homens e mulheres sábios, capazes de ver nas sementes as flores e os frutos que virão depois, e de encarnar nas relações cotidianas os sonhos e utopias que, literalmente, parecem não ter um lugar.
Para os cristãos, o fundamento da Paz é a relação com Jesus Cristo. Nascido de mulher menosprezada e sob a violência transformada em estrutura e lei, Jesus conduz todas as pessoas à liberdade, começando pelas vítimas das diversas formas de violência. Ele confirma que Deus reconhece todos como filhos e filhas, e nos convida a superar as relações viciadas pelo medo, pela escravidão e pela violência. Todos estão em Paz com Deus, e podem proclamar “meu Papai querido!”  E, na medida em que somos filhos e filhas, somos também herdeiros do Reino de Deus, da “shalom” que possibilita o convívio sadio, que tem a justiça como base.
No ano que passou, os que governam o Brasil e os que os apoiam quiseram nos convencer de que o pobre é pobre porque não sabe poupar; que “o meio ambiente é um entrave para os negócios; que os garimpeiros e madeireiros devem ser defendidos dos fiscais do meio ambiente; que o professor é inimigo e o miliciano é amigo; que a escravidão foi benéfica para os descendentes de africanos; que não existe racismo no Brasil; que a mulher deve ser submissa ao homem; que os ditadores e os torturadores devem ser exaltados... Para eles, assimilar estas lições significaria colocar Deus acima de tudo e pacificar o país...
Mas o Papa Francisco, na sua mensagem para o Ano Novo, ensina lições muito diferentes! Ele diz que a Paz “é um trabalho paciente de busca da verdade e da justiça, que honra a memória das vítimas e abre para uma esperança mais forte que a vingança”. E buscar a Paz supõe “abandonar o desejo de dominar os outros e aprender a olhar-se mutuamente como pessoas, como filhos de Deus”. Mas “nunca haverá paz verdadeira, se não formos capazes de construir um sistema econômico mais justo.” E nos chama a uma “relação pacífica entre as comunidades e a terra, entre o presente e a memória, entre as experiências e as esperanças”.
Deus querido, Pai e Mãe! Iniciando um novo ano, te pedimos: ensina-nos a compreender o anseio de Paz e de comunhão que pulsa no coração do mundo. Ajuda-nos a destruir pela raiz toda atitude violenta e desmascarar e erradicar as mentiras que nos impingem como sabedoria. Suscita em nós o canto que brota da dignidade indestrutível de filhos e filhas, e dá-nos a graça de experimentar, com Maria, José e os pastores, a alegria de reconhecer a grandeza de Deus na fragilidade humana. Assim seja! Amém!
 Itacir Brassiani msf
Livro dos Números 6,22-27 | Salmo 66 (67)
Carta de Paulo aos Gálatas 4,4-7 | Evangelho de São Lucas 2,16-21

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