domingo, 3 de maio de 2026

Moradas de Deus

O amor fraternos nos torna morada de Deus

1070 | Tempo Pascal | 5ª Semana | Domingo | João 14,21-26

Saltando alguns versículos que prosseguem o trecho meditado ontem, os quais apresentam a promessa de Jesus de enviar aos seus discípulos um “outro Advogado”, o “Espírito da Verdade”, o trecho de hoje afirma a presença de Deus nas relações fraternas e solidárias dos seus discípulos e discípulas. Não somos apenas nós que podemos morar na casa de Deus; ele mesmo pode estabelecer sua morada em nós.

Esta é a primeira vez que Jesus fala do amor dos discípulos a ele. Até então ele falara apenas do amor os irmãos e irmãs, e da disponibilidade às necessidades do povo. Assim, crer em Jesus significa aderir amorosamente a ele, comportar-se como ele, compartilhar seus sonhos, seus pensamentos e suas atitudes. Mas o amor a ele se encarna e se mostra necessariamente no amor aos irmãos e irmãs, um amor que não é mero sentimento. Ajudar os outros é a única forma de concretizar o amor.

Este amor é graça derramada abundantemente na vida de quem crê em Jesus, só é chamado de mandamento porque é norma de vida, e substitui todos os demais códigos de leis. No evangelho de João, Jesus jamais cita ou enumera os dez mandamentos, pois entende que só existe um. Por isso, o amor fraterno e concreto é a chave que abre a porta para que o Pai e o Filho façam em nós sua morada.

Sendo o que “acomuna” o Pai e o Filho, o Espírito Santo de Amor é também o que une os discípulos entre si, a Jesus e ao Pai. Enquanto algo a ser proclamado, esse amor recebe o nome de mensagem; enquanto norma de vida, é chamado de mandamento; enquanto dinamismo de Deus em nós, é apresentado como Espírito Santo. Mas trata-se de um único e mesmo dinamismo divino nas criaturas.

Jesus adverte seus discípulos sobre o fato de que amá-lo significa guardar sua ordem, de amarmo-nos como ele nos amou; implica em comportar-se como ele em relação a tudo e todos. Sendo a essência do Espírito de Deus, o amor transforma a comunidade cristã e os milhões de discípulos anônimos em infinitas vivendas mediante as quais Deus se faz presente no mundo. Não o adoramos em santuários ou templos, mas em espírito e verdade, mediante atitudes e ações muito concretas.

 

Sugestões para a meditação

Recomponha na memória as palavras que Jesus dirige aos discípulos, depois da ceia e prestes a ser preso e crucificado

Situe-se junto com os discípulos, perturbados com o gesto do lava-pés, com o anúncio da sua morte e com a previsão de que seria traído

Será que na voz de Judas se expressa a expectativa de manifestações espetaculares, jamais a manifestação discreta aos discípulos e na cruz?

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