sexta-feira, 1 de maio de 2026

Conhecemos Jesus?

“Há tempo estás comigo, e não me conheces?”

1068 | Tempo Pascal | 4ª Semana | Sábado | João 14,7-14

Este é o Evangelho que ilumina a nossa vida neste sábado. A passagem faz parte da comovida catequese que Jesus desenvolve após a ceia e do lava-pés, para orientar e confortar os discípulos, que estavam muito assustados. Um deles, Filipe, pede que Jesus lhes mostre o Pai. “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta”!

Jesus já havia deixado claro que é nele que temos acesso ao Pai, pois ele é o caminho, a verdade e a vida. Por isso, responde quase que lamentando a dificuldade de Filipe e dos demais: “Se me conheceis, conhecereis também o meu Pai. Há tanto tempo estou convosco e não me conheces? Quem me vê, vê o Pai. Crede, ao menos, por causa destas obras...”

O problema de Filipe é também o nosso. Custa-nos aceitar que o Deus que revestimos de poder e colocamos no mais alto dos céus nos seja dado a conhecer nas ações concretas e na vida de Jesus de Nazaré. Não queremos ver mais, mas ver outras coisas, mais abstratas e manipuláveis; menos interpeladoras, como o é lavar os pés dos irmãos, alimentar os famintos, dar a vida sem reservas.

O problema continua e se torna mais sério à medida em que queremos dar a impressão de que conhecemos Jesus, e fazemos o possível para impor a ideia que temos dele a quem crê diversamente. A tentação da qual não nos livramos facilmente é esta: fazer Jesus “vestir o figurino que preparamos para ele”, obrigá-lo a fazer aquilo que decidimos ou que aprendemos que ele deve fazer em nossas faculdades de teologia e gabinetes doutrinais.

Imagino Jesus dirigindo-se a nós, dizendo afirmativamente: “Há tanto tempo estou convosco e não me conheces...” Crer nele é fazer aquilo que ele faz, prosseguir sua ação libertadora, entrar no caminho da compaixão, armar a tenda dos nossos sonhos e projetos no chão da humanidade ferida e sedenta de vida. O resto é culto às vaidades que passam, serviço aos poderes que oprimem, fuga da responsabilidade.

 

Sugestões para a meditação

Recomponha na memória os gestos as palavras desse diálogo de Jesus com os seus discípulos no ambiente da última ceia

Será que também nós partilhamos da cegueira de Filipe, e não reconhecemos Deus naquilo que Jesus faz e pede?

Quais são as ações de Jesus que expressam de modo mais eloquente e libertador a ação do Pai?

Como podemos nós, em nosso tempo, recriar esta ação de Jesus, inclusive com maior alcance e eficácia?

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