“Há tempo estás
comigo, e não me conheces?”
1068 | Tempo Pascal
| 4ª Semana | Sábado | João 14,7-14
Este
é o Evangelho que ilumina a nossa vida neste sábado. A passagem faz parte da
comovida catequese que Jesus desenvolve após a ceia e do lava-pés, para
orientar e confortar os discípulos, que estavam muito assustados. Um deles,
Filipe, pede que Jesus lhes mostre o Pai. “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos
basta”!
Jesus já havia
deixado claro que é nele que temos acesso ao Pai, pois ele é o caminho, a
verdade e a vida. Por isso, responde quase que lamentando a dificuldade de
Filipe e dos demais: “Se me conheceis, conhecereis também o meu Pai. Há tanto
tempo estou convosco e não me conheces? Quem me vê, vê o Pai. Crede, ao menos,
por causa destas obras...”
O problema de
Filipe é também o nosso. Custa-nos aceitar que o Deus que revestimos de poder e
colocamos no mais alto dos céus nos seja dado a conhecer nas ações concretas e na
vida de Jesus de Nazaré. Não queremos ver mais, mas ver outras coisas, mais
abstratas e manipuláveis; menos interpeladoras, como o é lavar os pés dos
irmãos, alimentar os famintos, dar a vida sem reservas.
O problema continua
e se torna mais sério à medida em que queremos dar a impressão de que
conhecemos Jesus, e fazemos o possível para impor a ideia que temos dele a quem
crê diversamente. A tentação da qual não nos livramos facilmente é esta: fazer
Jesus “vestir o figurino que preparamos para ele”, obrigá-lo a fazer aquilo que
decidimos ou que aprendemos que ele deve fazer em nossas faculdades de teologia
e gabinetes doutrinais.
Imagino Jesus dirigindo-se a nós, dizendo
afirmativamente: “Há tanto tempo estou convosco e não me conheces...” Crer nele
é fazer aquilo que ele faz, prosseguir sua ação libertadora, entrar no caminho
da compaixão, armar a tenda dos nossos sonhos e projetos no chão da humanidade
ferida e sedenta de vida. O resto é culto às vaidades que passam, serviço aos
poderes que oprimem, fuga da responsabilidade.
Sugestões para a meditação
Recomponha
na memória os gestos as palavras desse diálogo de Jesus com os seus discípulos
no ambiente da última ceia
Será
que também nós partilhamos da cegueira de Filipe, e não reconhecemos Deus
naquilo que Jesus faz e pede?
Quais
são as ações de Jesus que expressam de modo mais eloquente e libertador a ação
do Pai?
Como
podemos nós, em nosso tempo, recriar esta ação de Jesus, inclusive com maior
alcance e eficácia?
Nenhum comentário:
Postar um comentário