No caminho de Jesus
ninguém é mais que ninguém
1089 | Tempo Pascal
| Sétima Semana | Sábado | João 21,20-25
A
bela e instigante cena de ontem terminou com o convite imperativo de Jesus a
Pedro: “Segue-me!” Pedro volta-se finalmente para Jesus (movimento de conversão)
e vê que o discípulo amigo, que jamais duvidara ou abandonara Jesus, também
seguia Jesus. Pedro pergunta o que será dele, qual será seu itinerário. Com
essa inquietação, Pedro dá a entender que pretende seguir os passos dele.
Jesus
não responde à pergunta de Pedro, mas questiona seu desejo implícito, sublinhando:
“O que você tem a ver com isso? Trate de me seguir!” Para um discípulo
missionário, essencial é seguir Jesus, e cada um o faz com um percurso pessoal,
sem nunca se afastar da comunidade e da missão. Ninguém deve seguir ninguém, ninguém
é mestre e guia de ninguém, e todos devem seguir e testemunhar Jesus, de quem
recebem o Espírito.
Jesus
diz que o discípulo e amigo e fiel poderá permanecer, enquanto ele mesmo
continua vindo incessantemente. Isso quer dizer que, tanto o amor de Jesus
feito sacramento na eucaristia quanto a missão que ele nos confia, se prolongam
no tempo, sem uma data prevista para terminar. Tornar-se discípulo de Jesus é
uma aventura que nunca termina de começar.
No
finalzinho da sua vida, Pedro começa este caminho que se recusara a fazer
antes, porque só acreditava num messias poderoso, e desejava o papel de
protagonista entre os demais discípulos. De muitos modos, Jesus se dedica a
curar pela raiz esse mal, que ameaça inclusive a nós, ajudando Pedro a
renunciar à ambição de ser o primeiro, a aceitar ser amigo e não súdito, a
reconhecer que ninguém é mais que ninguém, a se dispor a um amor generoso e
incondicional.
No
começo da cena (cf. 21,15), Pedro é tratado por Jesus como “Simão, filho de
João”, expressão que sublinha seu vínculo com aqueles que esperavam um messias
nacionalista e poderoso. A cena termina com ele sendo tratado por Pedro, nome
que Jesus lhe deu, incluindo-o entre os discípulos. Agora sim, chegando à
maturidade, Pedro é pedra preciosa e firme, base da sólida construção da casa
de Deus.
Sugestões para a
meditação
Deixe
que ressoem o diálogo de Jesus com Pedro, e o desconcerto de Pedro em iniciar o
caminho que o outro discípulo já percorria
Que
luzes e ressonâncias esta bela cena tem para nós, nossas famílias e nossas
comunidades cristãs?
Como
evitar a comparação marcada pela inveja ou pelo menosprezo do jeito de seguir jesus
dos irmãos e irmãs de outras Igrejas?
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