A gravidade da Crise Ambiental na visão do Papa Francisco
É impossível ignorar a gravidade da
situação
As mudanças
climáticas são um problema global com
graves implicações ambientais, sociais, econômicas, distributivas e políticas,
constituindo atualmente um dos principais desafios para a humanidade (§ 25).
As previsões
catastróficas já não se podem olhar com desprezo e ironia. Às próximas gerações, poderíamos
deixar demasiadas ruínas, desertos e lixo. O ritmo de consumo, desperdício
e alteração do meio ambiente superou de
tal maneira as possibilidades do planeta, que o estilo de vida atual só pode desembocar em catástrofes. A
atenuação dos efeitos do desequilíbrio atual depende do que fizermos agora, sobretudo se pensarmos na
responsabilidade que nos atribuirão aqueles que deverão suportar as piores
consequências (§ 161).
Basta olhar a
realidade com sinceridade para ver que há uma grande deterioração da nossa Casa
Comum. Os
sintomas anunciam de que chegamos a um ponto de ruptura, por causa da
velocidade das mudanças e da degradação, que se manifestam tanto em catástrofes
naturais como em crises sociais ou mesmo financeiras, uma vez que os problemas do mundo não se podem analisar
nem explicar de forma isolada (§ 161).
Em relação às mudanças climáticas, os progressos são muito
escassos. A redução de gases com efeito
de estufa requer honestidade, coragem e responsabilidade. A Conferência da ONU sobre o Desenvolvimento
Sustentável, chamada Rio+20, emitiu uma declaração final extensa, mas
ineficaz. As negociações internacionais não podem avançar por causa das posições dos países que privilegiam os seus
interesses nacionais sobre o bem comum global (§ 169).
O sistema industrial não desenvolveu a capacidade de
absorver e reutilizar resíduos. Ainda não
se conseguiu adotar um modelo circular de produção que assegure recursos para
todos/as e para as gerações futuras, o que exige limitar o uso dos recursos
não-renováveis, moderando o seu consumo, maximizando a eficiência no seu
aproveitamento, reutilizando e reciclando-os. A solução deste problema está no enfrentamento da cultura do descarte que acaba por danificar o planeta inteiro, mas
nota-se que os progressos neste sentido são ainda muito escassos (§ 22).
Culpar o
incremento demográfico em vez do consumismo exacerbado e seletivo de alguns é uma forma de não enfrentar os problemas. Essa ideologia pretende legitimar o modelo distributivo atual,
no qual uma minoria se julga com o direito de consumir numa proporção que
seria impossível generalizar (§ 50).
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