sábado, 23 de maio de 2026

O Papa Francisco e as mudanças climáticas (1)

A gravidade da Crise Ambiental na visão do Papa Francisco

É impossível ignorar a gravidade da situação

As mudanças climáticas são um problema global com graves implicações ambientais, sociais, econômicas, distributivas e políticas, constituindo atualmente um dos principais desafios para a humanidade (§ 25).

As previsões catastróficas já não se podem olhar com desprezo e ironia. Às próximas gerações, poderíamos deixar demasiadas ruínas, desertos e lixo. O ritmo de consumo, desperdício e alteração do meio ambiente superou de tal maneira as possibilidades do planeta, que o estilo de vida atual só pode desembocar em catástrofes. A atenuação dos efeitos do desequilíbrio atual depende do que fizermos agora, sobretudo se pensarmos na responsabilidade que nos atribuirão aqueles que deverão suportar as piores consequências (§ 161).

Basta olhar a realidade com sinceridade para ver que há uma grande deterioração da nossa Casa Comum. Os sintomas anunciam de que chegamos a um ponto de ruptura, por causa da velocidade das mudanças e da degradação, que se manifestam tanto em catástrofes naturais como em crises sociais ou mesmo financeiras, uma vez que os problemas do mundo não se podem analisar nem explicar de forma isolada (§ 161).

Em relação às mudanças climáticas, os progressos são muito escassos. A redução de gases com efeito de estufa requer honestidade, coragem e responsabilidade. A Conferência da ONU sobre o Desenvolvimento Sustentável, chamada Rio+20, emitiu uma declaração final extensa, mas ineficaz. As negociações internacionais não podem avançar por causa das posições dos países que privilegiam os seus interesses nacionais sobre o bem comum global (§ 169).

O sistema industrial não desenvolveu a capacidade de absorver e reutilizar resíduos. Ainda não se conseguiu adotar um modelo circular de produção que assegure recursos para todos/as e para as gerações futuras, o que exige limitar o uso dos recursos não-renováveis, moderando o seu consumo, maximizando a eficiência no seu aproveitamento, reutilizando e reciclando-os. A solução deste problema está no enfrentamento da cultura do descarte que acaba por danificar o planeta inteiro, mas nota-se que os progressos neste sentido são ainda muito escassos (§ 22).

Culpar o incremento demográfico em vez do consumismo exacerbado e seletivo de alguns é uma forma de não enfrentar os problemas. Essa ideologia pretende legitimar o modelo distributivo atual, no qual uma minoria se julga com o direito de consumir numa proporção que seria impossível generalizar (§ 50).

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