Não fiquemos
imóveis, olhando para o céu!
1083 | Tempo Pascal
| Ascensão do Senhor | Mateus 28,16-20
Ascensão
lembra geralmente subida, elevação, distanciamento e superioridade. Mas expressa
também a experiência de ser destacado, promovido, reconhecido.
Este o sentido original e mais profundo da boa notícia pregada pelos cristãos a
respeito de Jesus: a ascensão é uma outra forma de proclamar sua ressurreição,
de afirmar que a pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra
principal, de renovar a adesão a ele e o engajamento na missão que ele cumpriu
e as seus discípulos.
A ascensão enfatiza que a vida cristã
é muito mais que espera da plenitude celeste. Os discípulos de Jesus não podem
se acomodar na simples contemplação de alguém que subiu ao céu, mesmo que este
alguém seja o próprio Jesus Cristo. “Por que ficais aqui, parados,
olhando para o céu?” Professando a ascensão de Jesus, afirmamos que aquele
homem contestado e condenado é
assumido e reconhecido pelo próprio Deus como a expressão plena e cabal
de si mesmo.
Jesus é o primogênito de muitos irmãos e irmãs, a cabeça de um corpo
composto de muitos e variados membros. À glorificação do primogênito segue-se a
honra dos seus irmãos. À elevação da cabeça segue o reconhecimento da dignidade
daqueles que realizam sua vontade e perfazem o seu corpo. É famosa inversão
enfatizada por Jesus na sua pregação: na lógica do Reino de Deus, os últimos
passam a ser os primeiros. E isso não vale apenas para um futuro incerto: é
fato e convicção já agora.
A ascensão de Jesus Cristo não é
unicamente o fim de sua presença física no meio de nós: é também o início de nossa missão em seu nome.
A liturgia da ascensão está focada nesta responsabilidade da comunidade cristã:
convictos de que o Crucificado foi exaltado, os cristãos vencem o medo e se
tornam suas testemunhas no coração do mundo. E, nesta missão, nada os intimida,
nem a própria fraqueza.
Na
qualidade de testemunhas, anunciamos Jesus Cristo, defendemos aqueles por quem
ele deu a vida, atestamos a veracidade do seu caminho e a beleza do seu projeto
de vida. E descobrimos que é o próprio Sopro
de Deus que nos congrega na diferença e nos faz testemunhas “em
Jerusalém, na Judéia, na Samaria e até os confins do mundo... Estou convosco
todos os dias, até o fim dos tempos...”
Sugestões para a
meditação
Recomponha
o episódio, relendo a cena, percebendo a mistura de alegria e diante das
Palavras de Jesus
O
que significa reconhecer que a autoridade e o poder de Deus estão em Jesus, e
não na Igreja ou seus agentes?
Por
que insistimos em reduzir essa missão a celebrar os sacramentos se Jesus nos
envia a ensinar e fazer discípulos?
Nenhum comentário:
Postar um comentário