sábado, 16 de maio de 2026

Fazer discípulos

Não fiquemos imóveis, olhando para o céu!

1083 | Tempo Pascal | Ascensão do Senhor | Mateus 28,16-20

Ascensão lembra geralmente subida, elevação, distanciamento e superioridade. Mas expressa também a experiência de ser destacado, promovido, reconhecido. Este o sentido original e mais profundo da boa notícia pregada pelos cristãos a respeito de Jesus: a ascensão é uma outra forma de proclamar sua ressurreição, de afirmar que a pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra principal, de renovar a adesão a ele e o engajamento na missão que ele cumpriu e as seus discípulos.

A ascensão enfatiza que a vida cristã é muito mais que espera da plenitude celeste. Os discípulos de Jesus não podem se acomodar na simples contemplação de alguém que subiu ao céu, mesmo que este alguém seja o próprio Jesus Cristo. “Por que ficais aqui, parados, olhando para o céu?” Professando a ascensão de Jesus, afirmamos que aquele homem contestado e condenado é assumido e reconhecido pelo próprio Deus como a expressão plena e cabal de si mesmo.

Jesus é o primogênito de muitos irmãos e irmãs, a cabeça de um corpo composto de muitos e variados membros. À glorificação do primogênito segue-se a honra dos seus irmãos. À elevação da cabeça segue o reconhecimento da dignidade daqueles que realizam sua vontade e perfazem o seu corpo. É famosa inversão enfatizada por Jesus na sua pregação: na lógica do Reino de Deus, os últimos passam a ser os primeiros. E isso não vale apenas para um futuro incerto: é fato e convicção já agora.

A ascensão de Jesus Cristo não é unicamente o fim de sua presença física no meio de nós: é também o início de nossa missão em seu nome. A liturgia da ascensão está focada nesta responsabilidade da comunidade cristã: convictos de que o Crucificado foi exaltado, os cristãos vencem o medo e se tornam suas testemunhas no coração do mundo. E, nesta missão, nada os intimida, nem a própria fraqueza.

Na qualidade de testemunhas, anunciamos Jesus Cristo, defendemos aqueles por quem ele deu a vida, atestamos a veracidade do seu caminho e a beleza do seu projeto de vida. E descobrimos que é o próprio Sopro de Deus que nos congrega na diferença e nos faz testemunhas “em Jerusalém, na Judéia, na Samaria e até os confins do mundo... Estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos...”

 

Sugestões para a meditação

Recomponha o episódio, relendo a cena, percebendo a mistura de alegria e diante das Palavras de Jesus

O que significa reconhecer que a autoridade e o poder de Deus estão em Jesus, e não na Igreja ou seus agentes?

Por que insistimos em reduzir essa missão a celebrar os sacramentos se Jesus nos envia a ensinar e fazer discípulos?


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