quinta-feira, 7 de maio de 2026

Uma relação de amizade

Quem ama dá a sua vida pelos amigos

1074 | Tempo Pascal | 5ª Semana | Sexta-feira | João 15,12-17

Depois de propor a alegoria da videira e dos ramos, Jesus continua seu diálogo formativo com os discípulos, extraindo as consequências da metáfora da videira: como a circulação da seiva mantém a união vital entre a videira e os ramos, o amor generoso assegura a permanência do discípulo em Jesus e de Jesus nele.

Se, para o judeu daquele tempo, os mandamentos eram muitos e pesados (os escribas e doutores da lei haviam colecionado mais de 600 mandamentos!), Jesus não fica nem nos dez, e reduz tudo a um único mandamento: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”. Este é o mandamento que resume toda a lei, a herança deixada por Jesus em testamento e o distintivo da comunidade cristã.

O verbo amar é mais que mera expressão de um vago sentimento de bem-querer ou uma inofensiva filantropia: é uma relação interativa baseada na confiança e focalizada na afirmação da dignidade e no atendimento das necessidades do outro. O amor também não tem como movente o cumprimento de uma ordem, mas um desejo profundo e intrínseco de dar-se, de ser generoso, de buscar a felicidade sendo fiel e fazendo feliz o outro.

Jesus propõe a si mesmo como medida do amor: ele começa nos escolhendo e nos chamando pelo nome, passa a dedicar-se à nossa formação, prepara-nos para as dificuldades, alerta-nos em relação aos riscos, e acompanha-nos “primeireando” no caminho que conduz à felicidade verdadeira e duradoura. Em síntese: é nosso amigo, e vive conosco a comunhão no amor.

Na ceia e no lava-pés, Jesus deixou claro que não aceita uma relação senhor-servo, e estabeleceu a igualdade ética de todas as pessoas, para além das funções e diferenças. Por isso, ele volta a declarar que nos trata como a amigos, e o vértice da relação de amizade é o dom de si mesmo sem nenhuma garantia ou obrigação. Mas o faz “de olho” na continuidade da sua missão, com o desejo de que, vivendo uma relação de amizade, seus discípulos deem frutos que permaneçam.

 

Sugestões para a meditação

Recorde no coração e deixe ressoar cada expressão ou palavra deste “discurso catequético” de Jesus

Medite as diversas passagens da vida de Jesus e procure identificar as expressões mais concretas e fortes do seu amor pelos discípulos

Em relação a Jesus, você sente-se mais como servo (que obedece por medo) ou como amigo, que se relaciona com base na confiança e na estima recíproca?

Quais são os frutos mais duradouros da prática do amor na sua família, na sua comunidade e no lugar onde você vive?

Nenhum comentário: