Quem ama dá a sua
vida pelos amigos
1074 | Tempo Pascal
| 5ª Semana | Sexta-feira | João 15,12-17
Depois de propor
a alegoria da videira e dos ramos, Jesus continua seu diálogo formativo com os
discípulos, extraindo as consequências da metáfora da videira: como a
circulação da seiva mantém a união vital entre a videira e os ramos, o amor generoso
assegura a permanência do discípulo em Jesus e de Jesus nele.
Se, para o judeu daquele tempo, os
mandamentos eram muitos e pesados (os escribas e doutores da lei haviam
colecionado mais de 600 mandamentos!), Jesus não fica nem nos dez, e reduz tudo
a um único mandamento: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”. Este
é o mandamento que resume toda a lei, a herança deixada por Jesus em testamento
e o distintivo da comunidade cristã.
O verbo amar é mais que mera expressão
de um vago sentimento de bem-querer ou uma inofensiva filantropia: é uma
relação interativa baseada na confiança e focalizada na afirmação da dignidade
e no atendimento das necessidades do outro. O amor também não tem como movente
o cumprimento de uma ordem, mas um desejo profundo e intrínseco de dar-se, de
ser generoso, de buscar a felicidade sendo fiel e fazendo feliz o outro.
Jesus propõe a si mesmo como medida do
amor: ele começa nos escolhendo e nos chamando pelo nome, passa a dedicar-se à
nossa formação, prepara-nos para as dificuldades, alerta-nos em relação aos
riscos, e acompanha-nos “primeireando” no caminho que conduz à felicidade
verdadeira e duradoura. Em síntese: é nosso amigo, e vive conosco a comunhão no
amor.
Na
ceia e no lava-pés, Jesus deixou claro que não aceita uma relação senhor-servo,
e estabeleceu a igualdade ética de todas as pessoas, para além das funções e
diferenças. Por isso, ele volta a declarar que nos trata como a amigos, e o vértice
da relação de amizade é o dom de si mesmo sem nenhuma garantia ou obrigação.
Mas o faz “de olho” na continuidade da sua missão, com o desejo de que, vivendo
uma relação de amizade, seus discípulos deem frutos que permaneçam.
Sugestões para a
meditação
Recorde
no coração e deixe ressoar cada expressão ou palavra deste “discurso
catequético” de Jesus
Medite as diversas passagens da vida
de Jesus e procure identificar as expressões mais concretas e fortes do seu
amor pelos discípulos
Em
relação a Jesus, você sente-se mais como servo (que obedece por medo) ou como
amigo, que se relaciona com base na confiança e na estima recíproca?
Quais
são os frutos mais duradouros da prática do amor na sua família, na sua
comunidade e no lugar onde você vive?
Nenhum comentário:
Postar um comentário