sábado, 16 de maio de 2026

A missão

FAZER DISCÍPULOS DE JESUS

Mateus descreve a despedida de Jesus traçando as linhas de força que devem orientar para sempre os seus discípulos, os traços que devem marcar a sua Igreja para cumprir fielmente a sua missão.

O ponto de partida é a Galileia. É lá que Jesus os convoca. A ressurreição não os deve levar a esquecer o que viveram com Ele na Galileia. Lá ouviram-no falar de Deus com parábolas comoventes. Lá viram-no aliviando o sofrimento, oferecendo o perdão de Deus e acolhendo os mais esquecidos. É precisamente isso que devem continuar a transmitir.

Entre os discípulos que rodeiam Jesus ressuscitado há crentes e há quem vacile. O narrador é realista. Os discípulos prostram-se. Sem dúvida querem acreditar, mas em alguns desperta a dúvida e a indecisão. Talvez estejam assustados, não conseguem captar tudo o que aquilo significa. Mateus conhece bem a fé frágil das comunidades cristãs. Se não contassem com Jesus, apagar-se-iam rapidamente.

Jesus aproxima-se e entra em contato com eles. Ele tem a força e o poder que lhes falta. O Ressuscitado recebeu do Pai a autoridade do Filho de Deus com pleno poder no céu e na terra. Se se apoiarem nele, não vacilarão.

Jesus indica-lhes com toda a precisão qual deve ser a sua missão. Não é propriamente ensinar doutrina, não é apenas anunciar o Ressuscitado. Sem dúvida, os discípulos de Jesus devem cuidar de vários aspetos: dar testemunho do Ressuscitado, proclamar o evangelho, implantar comunidades… Mas tudo estará finalmente orientado para um objetivo: fazer discípulos de Jesus.

Esta é a nossa missão: fazer seguidores de Jesus que conheçam a sua mensagem, sintonizem com o seu projeto, aprendam a viver como Ele e reproduzam hoje a sua presença no mundo. Atividades tão fundamentais como o batismo, compromisso de adesão a Jesus, e o ensino de tudo o que Ele mandou são vias para aprender a ser seus discípulos. Jesus promete-lhes a sua presença e ajuda constante. Não estarão sós nem desamparados. Nem que sejam poucos. Nem que sejam apenas dois ou três.

Assim é a comunidade cristã. A força do Ressuscitado sustenta-a com o seu Espírito. Tudo está orientado para aprender e ensinar a viver como Jesus e a partir de Jesus. Ele continua vivo nas suas comunidades. Continua conosco e entre nós curando, perdoando, acolhendo, salvando.

 José Antônio Pagola

Tradução de Antônio Manuel Álvarez Perez

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