Mãe da Igreja
discípula missionária, rogai por nós!
1091 | Tempo Comum |
Memória de Maria, Mãe da Igreja | João 19,25-34
Com a solenidade de Pentecostes havíamos concluído
nosso caminho com o Evangelho de João. Mas hoje, em vista da memória litúrgica
de “Maria, mãe da Igreja”, continuamos com ele. Esta memória nos sugere duas
coisas: que Maria estava presente no cenáculo, quando da vinda do Espírito
Santo, e também é dinamizada por ele; que precisamos fazer uma interpretação
mariana dessa cena localizada no relato da paixão e morte de Jesus.
Segundo João, no momento da paixão no Calvário, a
mãe de Jesus, Maria Madalena e o discípulo amado estão de pé, diante da cruz de
Jesus. Jesus os vê, e faz uma dupla declaração, que é também um duplo pedido:
“Mulher, este é teu filho!” “Filho, esta é tua mãe!” No alto do calvário,
diante da expressão máxima do amor de Deus por nós, Jesus nos entrega Maria
como mãe dos discípulos missionários, como mãe da Igreja. E nos convida a
levá-la conosco, como a discípula primeira e fiel. Nasce aqui uma Nova Família,
semente de uma Nova Humanidade.
É interessante notar que o texto original não fala
da “mãe de Jesus”. O evangelista a apresenta apenas como “mulher” e “mãe”. Ela
representa o antigo Povo de Deus, do qual procedem Jesus e a primeira
comunidade de discípulos. Ela é convidada a fazer a passagem, reconhecendo e
aceitando o Novo Povo de Deus nascido da nova aliança. E o discípulo amado, que
representa o discipulado perseverante, tijolo vivo na construção do templo de
Deus, é convidado a reconhecer e proteger suas raízes.
Na sequência, Jesus diz que tem sede. É um novo
pedido de acolhida. Os representantes do judaísmo não têm água, nem vinho
(amor, acolhida), e só sabem oferecer-lhe vinagre (ódio). Aceitando, sem
revidar, mais este gesto de fechamento e violência, Jesus pode dizer que
consumou em sua vida a demonstração do amor do Pai pelo mundo e, em si mesmo,
arrematou ou deu o toque final à criação do Homem e da Mulher novos, iniciada
no Gênesis.
Do corte que o soldado faz no corpo de Jesus com
sua espada escorre sangue (o amor generoso e fecundo) e água (o Espírito que
gera a Igreja). Isso não nos vem de Maria, mas do Filho que ela entrega a nós
como Mãe. Neste sentido, ela é mãe da comunidade dos discípulos, mãe dos
crentes. É isso que também nos é revelado na sua presença no cenáculo, no dia
de pentecostes.
Sugestões para a
meditação
Situe-se
no Calvário, aos pés da cruz, com Jesus, sua mãe, Maria Madalena e o discípulo
amigo e fiel
Permita
que ressoem em você as densas e ternas palavras de Jesus: “Este é teu filho!
Esta é tua mãe! Tenho sede! Tudo está consumado!”
Acolha
Maria como a mãe querida que Jesus partilha conosco e pede que levemos para nossa
casa
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