domingo, 24 de maio de 2026

O Papa Francisco e as mudanças climáticas (2)

A raiz do problema

No paradigma homogêneo e unidimensional, as pessoas pensam que têm à sua frente uma realidade informe totalmente disponível para a manipulação. O que interessa é extrair o máximo possível das coisas por imposição da mão humana. O ser humano e as coisas deixam de ser parceiros e se tornam inimigos. Daqui passa-se à ideia de um crescimento infinito ou ilimitado, que tanto entusiasmou os economistas, os teóricos das finanças e da tecnologia. Isto supõe a mentira da disponibilidade infinita dos bens do planeta, que leva a espremê-lo além do limite (§ 106).

Atualmente, alguns setores econômicos têm mais poder do que os próprios Estados. Mas não se pode justificar uma economia sem política, porque seria incapaz de promover outra lógica para governar os vários aspectos da crise atual. A lógica que não deixa espaço para uma sincera preocupação pelo meio ambiente é a mesma em que não encontra espaço a preocupação por integrar os mais frágeis, porque, no modelo do êxito e individualista em vigor, parece que não faz sentido investir para que os lentos, fracos ou menos dotados possam também singrar na vida (§ 196).

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