A raiz do problema
No paradigma homogêneo
e unidimensional, as pessoas pensam que têm à sua frente uma realidade
informe totalmente disponível para a manipulação. O que interessa é extrair o
máximo possível das coisas por imposição da mão humana. O ser humano e as coisas deixam de ser parceiros e se tornam inimigos.
Daqui passa-se à ideia de um crescimento
infinito ou ilimitado, que tanto entusiasmou os economistas, os teóricos das
finanças e da tecnologia. Isto supõe a
mentira da disponibilidade infinita dos bens do planeta, que leva a espremê-lo
além do limite (§ 106).
Atualmente, alguns setores econômicos têm mais poder do que
os próprios Estados. Mas não se pode
justificar uma economia sem política, porque seria incapaz de promover
outra lógica para governar os vários aspectos da crise atual. A lógica que não deixa espaço para uma
sincera preocupação pelo meio ambiente é a mesma em que não encontra espaço a
preocupação por integrar os mais frágeis, porque, no modelo do êxito e
individualista em vigor, parece que não faz sentido investir para que os
lentos, fracos ou menos dotados possam também singrar na vida (§ 196).
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