Diante de Deus ninguém tem conta a cobrar
1092 | Tempo Comum |
8ª Semana | Terça-feira | Marcos 10,28-31
Concluído o tempo
pascal, retomemos o tempo comum e voltemos ao evangelho segundo Marcos. Os
versículos de hoje estão situados após a cena da deserção do homem rico diante
das exigências de Jesus para ser seu discípulo. Ele sente-se bom e
irrepreensível, um ‘homem de bem’ como se diz hoje, e volta para casa
desiludido. Diante das palavras e atitudes daquele homem, Jesus desabafa: que
um rico aceite seu caminho é tão raro como um camelo passar pelo buraco de uma
agulha!
Os discípulos
reagem à comparação de Jesus, pois pensam que se os ricos não estão mais perto
de Deus, o que dizer então dos doentes, dos pobres e dos estrangeiros, que eles
tratam como ‘sujeitos suspeitos’? Mas, aquilo que para muitos parece
impossível, para Deus é absolutamente normal: a riqueza dos ricos não é bênção
de Deus, e a prosperidade não é sinal de fidelidade; no reino de Deus e no
coração do Deus do Reino, os pobres e doentes estão no centro!
É neste contexto
que Pedro toma a Palavra e apresenta a Jesus a ‘causa’ dos discípulos: aquilo
que o jovem rico não fez, os discípulos o fizeram, livremente ou por causa das
perseguições. Eles deixaram os bens e seguiram Jesus, em busca do único bem: do
reino de Deus. Pedro parece “cobrar a conta”, pois ele e seus companheiros
ainda não haviam provado a vida eterna, apenas incompreensões.
Jesus responde
sublinhando que o retorno prometido está assegurado, mas em dois tempos: agora,
durante esta vida; no mundo futuro. Agora, quem relativizou tudo pelo absoluto
do Reino de Deus já recebe 100 vezes mais em termos de hospitalidade, ajuda,
companheiros e apoiadores mediante a fraternidade e a partilha comunitária. Mas
isso sempre em meio às perseguições, próprias do discípulo no mundo.
No futuro, no Reino de Deus plenamente
realizado, que começa aqui, mas aqui não chega ao seu termo, está assegurada
uma vida densa e intensa em termos de dinamismo e de sentido, uma vida que
desborda a história e avança para a eternidade. Com o olhar fixo no “mundo
futuro”, o discípulo de Jesus é convidado e ver já “agora” os frutos da sua
entrega: os benefícios da vida em comum, que são os irmãos e irmãs, os bem
partilhados, um futuro de esperança.
Sugestões para a meditação
Recomponha a cena, relendo os
versos 15 a 27, que relatam o encontro de Jesus com as crianças e, depois, com
o homem rico
Observe a reação dos discípulos,
especialmente do homem que se apresentou como candidato a discípulo
Será que não somos tentados a
nos apresentar a Deus ostentando nossos méritos, sem consciência daquilo que
nos falta?
Conseguimos perceber que tudo
aquilo do que abrimos mão nos havia sido dado, e que tudo o que temos pertence
a todos?
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