sábado, 30 de maio de 2026

Amor uno e trino

DEUS É DE TODOS!

Poucas frases terão sido tão citadas como esta que o evangelho de João coloca nos lábios de Jesus. Os autores veem nela um resumo do essencial da fé, tal como era vivida por muitos cristãos no início do século II: «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho único».

Deus ama o mundo inteiro, não apenas aquelas comunidades cristãs às quais chegou a mensagem de Jesus. Ama toda a humanidade, não apenas a Igreja. Deus não é propriedade dos cristãos. Não deve ser monopolizado por nenhuma religião. Não cabe em nenhuma catedral, mesquita ou sinagoga.

Deus habita em cada ser humano, acompanhando cada pessoa nas suas alegrias e desgraças. Não abandona ninguém, pois tem os seus caminhos para se encontrar com cada um, sem que seja necessário seguir os que nós lhe traçamos. Jesus via-o cada manhã fazendo nascer o seu sol sobre bons e maus.

Deus não sabe, não quer, nem pode fazer outra coisa senão amar, pois no mais íntimo do seu ser é amor. Por isso diz o evangelho que enviou o seu Filho, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por meio dele. Ama o corpo tanto quanto a alma, e o sexo tanto quanto a inteligência. O único desejo de Deus é ver, desde já e para sempre, toda a humanidade desfrutando da sua criação.

Este Deus sofre na carne dos famintos e humilhados da terra; está nos oprimidos defendendo a sua dignidade, e nos que lutam contra a opressão encorajando o seu esforço. Está sempre em nós para buscar e salvar o que nós estragamos e perdemos.

Deus é assim. O nosso maior erro seria esquecê-lo. Mais ainda: encerrarmo-nos nos nossos preconceitos, condenações e mediocridade religiosa, impedindo as pessoas de cultivar esta fé primeira e essencial. Para que servem os discursos dos teólogos, moralistas, pregadores e catequistas se não despertam o louvor ao Criador, se não fazem crescer no mundo a amizade e o amor, se não tornam a vida mais bela e luminosa, recordando que o mundo está envolto por todos os lados pelo amor de Deus?

 José Antônio Pagola

Tradução de Antônio Manuel Álvarez Perez

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