Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!
1097 | Tempo Comum |
Solenidade da S. Trindade | João 3,16-1
A festa da Santíssima Trindade marca
o fim do ciclo litúrgico da páscoa e a retomada do ciclo litúrgico comum. É uma
espécie de desdobramento da solenidade de pentecostes, pois o Espírito Santo é
dinamismo de comunhão de tudo com tudo, ele estabelece o parentesco de todas as
criaturas. É também a antecipação da imagem de um Deus caracterizado pela comunhão, pelo dom, pela entrega, pela
amizade.
O trecho do evangelho que ilumina a
solenidade de hoje está no contexto do diálogo tenso de Jesus com Nicodemos, um
fariseu importante, membro do conselho superior do templo. O diálogo é perpassado pelo confronto de duas imagens de Deus e dois
caminhos para conhece-lo e adorá-lo. Nicodemos não esconde sua pretensão de
saber quem é Deus e de ter competência para ensinar o caminho que leva a ele, a
ponto de querer ensinar o próprio Jesus.
Jesus sublinha, de forma provocativa,
que para entrar no dinamismo de Deus e
do seu Reino é preciso ser regenerado, nascer de novo, ou nascer do alto.
Isso significa renascer da cruz, deixar-se
conduzir pelo vendaval do Espírito suscitado pela encarnação de Deus na
humanidade e pela sua doação radical e solidária na cruz. Sem adentrar
nesse mistério com humildade e sede de aprender continuamente, não passaremos
de analfabetos na escola da fé cristã.
Nossa profissão de fé na tri-unidade
de Deus não é uma simples questão quantitativa ou numérica (1 e 3), um enigma a
ser decifrado ou uma charada a ser explicada. É uma questão de fé, um mistério que aponta para o coração ou a
essencialidade de Deus e do ser humano: Deus não é solidão, poder,
separação, distanciamento ou lei, mas Comunhão, Amor, Proximidade, Amizade,
Compaixão, Dom pleno de si. Ele se define
por seu amor pelo mundo e por todas as criaturas. Ele habita, de modo
diferenciado e único, em cada criatura.
Em
Jesus, Deus nos revela que ama a
humanidade, especialmente a humanidade mais vulnerável, mas ama também o mundo: as organizações e
sistemas que possibilitam as relações e a vida, por mais ambíguas que sejam. Em
Jesus, o Pai se dá ao mundo para que ele
alcance a plenitude e a abundância da vida. Isso é possível pela adesão
àquele que o Pai envia, pela prática do amor e do serviço vividos por Jesus
Cristo na sua relação com o Pai e com os irmãos.
Sugestões para a meditação
Releia
o texto, se possível, retomando também os versos anteriores (v. 1-15), e
relacionando-o com o diálogo com Nicodemos
Na
ideia que você faz de Deus, e na imagem que você faz dele, o que predomina: o
isolamento, a distância, a impassibilidade, o poder, ou o amor e a comunhão?
Quais
são as consequências da nossa fé num Deus que se define pela Comunhão, pelo Dom
de si, pela Compaixão, pela Proximidade?
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