terça-feira, 26 de maio de 2026

Pelos primeiros lugares

Os primeiros lugares são dos servos mais humildes

1093 | Tempo Comum | 8ª Semana | Quarta-feira | Marcos 10,32-45

Todas as cenas e palavras do capítulo 10 de Marcos são intensas e densas. Depois da cena do homem rico que desiste de seguir Jesus, do ensino sobre o obstáculo da riqueza e da catequese sobre os frutos do despojamento, a reação dos discípulos é confusa e ambivalente: admiração, medo, ambição, competição e indignação. Neste contexto, Jesus retoma seu ensino. No centro da cena de hoje está o modelo de liderança ensinado por Jesus e a luta pelo poder que envolve a maioria dos discípulos.

Enquanto Jesus fala abertamente das consequências da sua fidelidade ao Reino de Deus e ao Deus do Reino – traição, julgamento, tortura, execução, exclusão, morte e ressurreição – os discípulos se envolvem em disputas nada fraternas e até vergonhosas pelos lugares de honra e pela herança da liderança de Jesus. Parece que Tiago e João imaginam que Jesus está prestes a dar uma espécie de “golpe messiânico”, e que a previsível e aparente derrota da cruz será substituída por uma estrondosa vitória. Nesta onda, ambicionam privilégios.

É outra a lógica do Reino de Deus, vivida e ensinada por Jesus. Ele não transfere sua liderança a uma espécie de “dinastia” ou “delegação”. O poder ambicionado e disputado por Tiago e João – e por todos os outros discípulos, que ficam indignados por eles terem saído à frente deles! – é exatamente aquele que impõe a Jesus a traição, o julgamento, a tortura e a execução. A liderança e a honra de Jesus estão no serviço, em ser o último. Jesus representa a liderança exatamente contrária ao poder exercido pelos administradores coloniais impostos por Roma.

A atitude dos dois irmãos denuncia que, na verdade, eles não haviam abandonado “tudo por Jesus”. Eles continuavam acorrentados aos ideais de poder nos moldes colonialistas. Eles não se envergonham de dizer que estão preparados para enfrentar as oposições como Jesus, mas a resposta de Jesus a eles é cheia de ironia. Eles estão cegos pela ambição e surdos à proposta alternativa de Jesus. Não sabem ou não têm noção do que estão ambicionando e pedindo. Depois de tudo, os discípulos continuam se inspirando nos “grandes” e nos “chefes” que oprimem e tiranizam, e não conseguem entender que Jesus encarna uma liderança alternativa e não violenta.

 

Sugestões para a meditação

Observe bem a reação dos discípulos (o que dizem e o que fazem), especialmente dos dois filhos de Zebedeu (Tiago e João)

Será que também nós não “fazemos menos” da traição, condenação, tortura e execução de Jesus, como se fossem disfarces da sua vitória?

Será que estamos tirando as consequências da afirmação de que Jesus não veio para ser servido mas para servir?

Como as pessoas da Igreja exercem a liderança e os ministérios: inspirados no “Filho do Homem” ou nos “chefes” e nos “grandes”?

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