Nada convence quem não decidiu não entender
1096 | Tempo Comum |
8ª Semana | Sábado | Marcos 11,27-33
Vimos que as diversas cenas do
evangelho de ontem são uma contundente crítica ao templo como centro simbólico
da ordem social judaica. Na sua ação mais direta e provocativa, Jesus expulsa
os vendedores, derruba as mesas dos cambistas, e proíbe qualquer movimento e
ensina. Assim, denuncia o roubo que o templo encobre e patrocina, e paralisa
suas atividades. É como se declarasse a
interdição dos negócios.
Para Jesus, o sistema do templo deve
ser mudado e substituído, por mais que apareça como sólido e piedoso; o mundo pode ser refeito, por mais que as
elites digam que é o melhor dos mundos possíveis. Por isso, entendendo
muito bem onde Jesus quer chegar, as
autoridades do templo decidem matar Jesus. Mas nem isso o intimida, e ele
volta ao templo. A consciência de que é enviado exatamente para isso o mantém
firme, com os olhos fixos na vontade do Pai e na defesa da vida.
Jesus é interceptado e questionado pela classe dirigente e controladora do templo. Sumos sacerdote, escribas e anciãos
são a máxima autoridade de Deus na terra, e controlam o Sinédrio, uma espécie
de STF deles. Como eles se entendem a autoridade máxima, questionam a autoridade de Jesus para criticar aquilo que eles
autorizam e fazem. Eles já haviam suspeitado de que Jesus tinha pacto com o
diabo.
A pergunta que as autoridades do
templo dirigem a Jesus não tem sequer uma pitada de boa vontade, de desejo de
saber. Querem apenas armar uma arapuca.
E Jesus também não responde, senão apresentando outra pergunta como réplica.
Eles se recusaram a responder, mas o
evangelista desnuda os motivos do silêncio: por mais que se mostrem
poderosos, eles têm medo do povo, e evitam se auto incriminar pela omissão
frente à morte de João Batista.
Jesus
não aposta nenhuma ficha nesse diálogo estéril e nessa discussão sobre suas
credenciais. E é suficientemente perspicaz para não produzir a prova que eles
esperam para condená-lo. Não adianta
argumentar para quem decidiu não entender. Até porque Jesus não reconhece a
eles nenhuma autoridade, mas apenas hipocrisia, rapinagem e exploração dos mais
vulneráveis e humildes em nome da religião. Ele sim fala, ensina, critica, denuncia e age em nome do Deus vivo,
do Deus que se caracteriza pela compaixão e pela intervenção libertadora.
Sugestões para a meditação
Você
consegue perceber como Jesus assume uma postura de relativização do templo, das
autoridades e de todas as instituições oficiais?
Por
que os cristãos perdemos ou menosprezamos a dimensão profética e libertária da
nossa fé, que relativiza instituições e autoridades?
Qual
poderia ser a reação dos cristãos de hoje diante de uma liderança religiosa que
respondesse como Jesus aos questionamentos oficiais?
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