Os Apóstolos são os alicerces da fé cristã
1130 | Tempo Comum |
Festa de S. Tomé, Apóstolo | João 20,24-29
Na festa de São Tomé, bebemos das fontes joaninas. É em João que
encontramos algo mais que o nome desse operário da primeira hora. Além da cena
de hoje, João nos apresenta Tomé
disposto a seguir Jesus a Jerusalém para com ele enfrentar a morte, mas,
diante do iminente “êxodo” de Jesus, manifesta seu profundo desconcerto: “Não
sabemos para onde vais; como podemos conhecer o caminho?”
O
contexto da cena do evangelho de hoje é pascal, e Tomé aparece separado da comunidade, com dificuldade de aceitar o
testemunho dos condiscípulos, que afirmam que Jesus está vivo. Para Tomé, esse
testemunho não é suficiente. Parece que ele espera uma manifestação particular
ou uma prova extraordinária. Mas o lugar
de Jesus é entre os seus, como entendera bem Madalena. Tomé representa os discípulos que impõem condições e exigências para
crer.
Mas,
não obstante a dúvida dele, ou, talvez, por causa das objeções apresentadas por
ele, Jesus volta a se mostrar presente
no seio da comunidade. As portas fechadas denotam uma comunidade claramente
alternativa à lógica que predomina na sociedade, uma comunidade com um estilo de vida próprio. E Jesus se manifesta
a todos os presentes, e não apenas a Tomé, como parece ter sido o desejo dele.
Depois de se dirigir a todos, finalmente volta-se a Tomé. Como prova do seu amor fiel, Jesus toma a iniciativa no diálogo, e
o convida a tocar os sinais da sua entrega total, conatural e inseparável do
seu amor e sua memória.
A ressurreição de Jesus
não significa seu afastamento da humanidade, mas a realização máxima da vocação
humana. Tocando nas chagas de Jesus, Tomé
finalmente comunga e faz sua a carne e o sangue de Jesus. E, ao chamá-lo “meu Senhor”,
estabelece com ele uma relação pessoal, como Madalena o fizera. Dirigindo-se a
Deus como “meu Deus”, reconhece em Jesus um Deus próximo, humano, e
não um Deus altíssimo e inacessível.
Finalmente, Jesus adverte Tomé por ele não ter acreditado no
testemunho da sua comunidade, lugar da sua presença viva e continuada. E
declara bem-aventurados aqueles que, diversamente de Tomé, acreditam sem ver. É
um convite que Jesus faz a Tomé e a nós: caminhar no claro-escuro da fé. Nós aceitamos
e vivemos segundo o testemunho das Escrituras e das gerações que nos
precederam.
Sugestões para a
meditação
Participe da cena descrita, da alegria e do
testemunho dos discípulos, da resistência de Tomé, da delicadeza da presença de
Jesus
Visualize o rosto e o nome de pessoas, de ontem e
de hoje, a partir de cujo testemunho de vida você acredita na presença de Deus
no mundo
Em que situações você se percebe impondo condições
para crer em Jesus e segui-lo, querendo ver para crer?
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