sexta-feira, 3 de julho de 2026

Festa ou jejum?

É tempo de festejar a irrupção da Vida nova

1131 | Tempo Comum | Semana XIII | Sábado | Mateus 9,14-17

Ontem meditamos sobre o texto de Jo 20,24-29, pois era a festa de São Tomé. O texto que antecede o de hoje narra o chamado de Mateus e a festa que ele deu a Jesus na sua casa. Participaram da festa muitos pecadores e excluídos, como ele. Diante do escândalo dos fariseus, Jesus dizia que Deus quer misericórdia, e não sacrifícios, e que são os doentes os que precisam de médico. E é assim que ele faz: derruba todos os muros que separam e degraus que hierarquizam, e estabelece a igualdade.

Na cena de hoje, quem se aproxima de Jesus é um discípulo de João Batista. Ele estranha o comportamento de Jesus: parece-lhe pouco piedoso em relação ao jejum, e a mesma atitude é demonstrada pelos seus discípulos. “Por que razão nós e os fariseus praticamos jejuns, mas os teus discípulos não?” Não parece ser uma acusação, mas um questionamento sincero de quem havia recebido uma clara ordem de jejum e penitência e estava à espera do messias prometido pelos profetas.

Para Jesus, o tempo de espera terminou, o Sol da justiça raiou, o Noivo amado celebrou suas núpcias e o clima só pode ser de alegria. Os estrangeiros, doentes e pecadores, e todos os excluídos, são acolhidos gratuitamente. Não há mais lugar para o jejum, que é uma súplica de perdão. A chegada de Jesus, o Messias esperado, perdoa os pecados e altera radicalmente a situação social e espiritual.

Para ilustrar a novidade que se inaugura, Jesus lança mão de três alegorias ligadas à vida cotidiana e de fácil compreensão para todos: é inadmissível fazer luto e jejum quando estamos festejando de casamento de uma pessoa querida; é idiotice colocar um remendo de pano novo e bom num tecido totalmente arruinado; é inapropriado guardar vinho novo em barris velhos e frágeis, que podem pôr tudo a perder.

Os discípulos de Jesus vivem em comunidades alternativas, dedicados a acolher as pessoas e grupos marginalizados e a celebrar a alegria da chegada do “tempo da graça”, da festa dos pequenos. As práticas antigas são como roupa velha e como uma pipa apodrecida. É tempo de abandonar as velhas lições de morrer pela pátria e viver sem razões. Esperar não é saber. É preciso fazer a hora, sem esperar acontecer.

 

Sugestões para a meditação

Como poderíamos descrever hoje a novidade do estilo de vida inaugurado e proposto por Jesus?

Quais seriam as práticas antigas que o Evangelho considera superadas, mas que muita gente ainda continua pregando?

Quais seriam os principais remendos que uma vida pouco cristã tenta pregar o tecido apodrecido do capitalismo e do egoísmo?

O que podemos fazer para tornar a vida cristã mais alegre, leve e festiva, sem deixar de ser comprometida com as lutas humanas?

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