terça-feira, 1 de setembro de 2026

Ganhar ou perder?

Negar os interesses mesquinhos ou o Evangelho?

No próximo domingo, as comunidades católicas celebram o ministério das catequistas, a quem somos gratos. E o evangelho do dia (Mateus 16,21-27) lembra que, antes de serem “professoras de doutrina”, elas são aprendizes na escola de Jesus, pessoas seduzidas pela Boa Notícia do Reino de Deus, dispostas a seguir seus passos e a viver suas opções, sem cair na tentação de colocar-se à frente de Jesus, como ocorreu com Pedro.

A resposta de Pedro à pergunta de Jesus havia sido correta, mas incompleta: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Por isso, assim que Pedro termina sua profissão de fé, Jesus o elogia, muda o tom e começa a falar do seu futuro próximo: ele subirá a Jerusalém, apesar dos riscos; lá sofrerá muito nas mãos das autoridades religiosas; será morto, e ressuscitará. Trata-se claramente da imagem e do caminho de um Deus despojado.

Com estas palavras, Jesus corrige os resquícios de um messianismo triunfalista, do qual os próprios discípulos estavam imbuídos. Ele é o Servo que sofre solidariamente e o Profeta perseguido. Mas Pedro, com uma ousadia sem precedentes, leva Jesus para um lado e o repreende. “Que isso nunca te aconteça!” Pedro não consegue admitir nem imaginar um Messias sem poder e crucificado, pobre e rejeitado, humano e servidor.

Reagindo e falando assim, Pedro faz-se porta-voz dos discípulos de todos os tempos, e demonstra pessoalmente a dificuldade de pensar as coisas ao modo de Deus e a tentação de pensar as coisas ao modo dos homens. Coisas de Deus são a compaixão, a solidariedade e o serviço; coisas dos homens são a indiferença, o sucesso e o poder. Este é o discernimento que desafiada permanentemente os discípulos e discípulas de Jesus.

A cruz não é simplesmente uma intercorrência inesperada ou uma imposição à qual Jesus não pode escapar, mas a um caminho que todos devemos percorrer se quisermos ser cristãos. “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”. E tomar a cruz significa assumir a condição das pessoas colocadas à margem, assim como daquelas que resistem e enfrentam os poderes que marginalizam e oprimem.

A expressão “renuncie a si mesmo” não agrada muito aos homens e mulheres de hoje. Mas é claro que não se trata de negar o que há de mais original e precioso em cada indivíduo, mas de libertar-se da ideologia de sucesso. Eis a escolha a ser feita: negar os interesses mesquinhos, os sonhos infantis de sucesso e onipotência, ou negar o Messias, a compaixão, a solidariedade. Eis a lição mais preciosa que se espera das catequistas.

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