O ensinamento de
Jesus suscita admiração
1190 | Tempo Comum | Semana XXII | Terça | Lucas 4,31-37
Depois da estreia aparentemente malsucedida em
Nazaré, Jesus deixa sua terra natal e
volta a Cafarnaum, onde já havia atuado e causara forte impressão. Como
pregador itinerante, ele prioriza o
ensino aos sábados, nas sinagogas, que são lugares de encontro do povo que
vive nas aldeias e pequenas cidades. Na sinagoga ele crescera e aprendera, mas
também testemunhara a hipocrisia dos líderes religiosos.
As sinagogas são o lugar da Palavra, um espaço controlado de modo quase absoluto
pelos doutores da lei e pelos fariseus. E é ali, em dia de sábado, que
Jesus realiza o primeiro sinal ou milagre narrado por Lucas. E é também ali, e
por causa desse sinal, que Jesus começa
a ser hostilizado pelos líderes religiosos, e onde ressoa pela primeira vez
a pergunta: “Que palavra é essa? Quem é esse homem?”
O primeiro sinal miraculoso realizado por Jesus,
que faz parte do seu ministério de
emancipação e libertação das pessoas dominadas pelas forças que oprimem e
escravizam, é a cura de uma pessoa dominada por um “espírito impuro”.
Trata-se de uma pessoa despersonalizada, de alguém que perdeu sua identidade e
é conduzida por poderes e forças misteriosas, exteriores a si mesma.
A cena narrada por Lucas deixa transparecer uma
luta de mensagens ou uma disputa de
espaços entre o Ungido pelo Espírito e os Doutores da Lei. No grito do
homem doente não ecoa a voz da sua alma, mas a percepção e a voz dos doutores
da lei: “Viestes para nos destruir?” A
reação do povo não é o medo, mas a admiração diante de uma palavra eficaz e
libertadora, de uma palavra que tem autoridade.
O Evangelho da misericórdia e da compaixão de Deus cala a voz dos
defensores de uma lei que discrimina e condena. Jesus não vem insistir no cumprimento da lei e no pagamento das dívidas
contraídas pelo pecado, mas anunciar e
inaugurar um tempo de graça e compaixão. E é isso que incomoda a elite
religiosa e impressiona e causa admiração e esperança no povo cansado e
abatido.
Grande notícia e belo
desafio para os discípulos missionários é este: experimentar, anunciar e testemunhar a boa e alentadora notícia. A
resposta de fé suscitada pelo encontro com Jesus não se reduz ao culto e ao
louvor, mas pede um engajamento cotidiano na tarefa de libertar os irmãos e
irmãs e fazer este mundo melhor.
Sugestões para a meditação
Sua compreensão
sobre o Evangelho do Reino é essa de Jesus: uma boa notícia libertadora para
todos os tipos de vítima?
Qual é o lugar e
a força de transformação que o Evangelho, a Boa Notícia de Jesus, tem na sua
vida?
O que o Evangelho de Jesus provoca em você: admiração e entusiasmo ou medo e inquietação?
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