Mostrai-nos, ó
Senhor, vossa vontade!
1167 | Tempo Comum |
Semana XIX | Domingo | Mateus 14,22-33
Jesus
revela-se um Deus compassivo com os pobres, um Deus que tem necessidade da
nossa colaboração – nem que seja apenas cinco pães e dois peixes! – na sua
ação libertadora. E é ele que nos convida a superar o medo e confiar na sua
presença em todas as travessias. Os discípulos imaginavam um Deus indiferente
às necessidades dos famintos ou poderoso o bastante para resolver
todas as dificuldades do povo.
Apesar dos séculos de
pregação, as imagens de um Deus
poderoso e ameaçador, ou nacionalista e ligado aos interesses de pequenos
grupos, ainda não se apagaram da nossa memória. Ensinaram-nos que Deus se revela no poder destruidor dos terremotos, no
fogo devorador das ideologias totalitárias, no mistério aterrador dos furacões,
nos pesados decretos que condenam, na dura punição aos que erram. Deus seria onipotente, onisciente e
onipresente, e quanto mais poder ou saber alguém possui, mais se
pareceria com ele.
Diante de um Deus com
estas características, caímos por terra ou gritamos de medo. E
do ventre do medo não costuma nascer o amor que se faz dom, mas a agressividade
da autodefesa ou da dominação. Um Deus com tais traços é um
fantasma, uma fantasia que se
abriga nas pessoas que não superaram o desejo infantil de onipotência. E
este fantasma, via de regra, está a serviço das diversas formas de dominação e
de infantilização religiosa, econômica e política. Pedro tenta caminhar sobre
as águas, revelando seu desejo de participar do “poder” de Deus...
É o medo dos ventos contrários, das diferenças e
dos questionamentos que gera a dúvida e nos leva a afundar, tanto em termos humanos como
espirituais. O medo não nasce da verdadeira experiência de Deus, mas de uma
imagem parcial ou confusa de Deus. É isso que percebemos nos discípulos no
episódio da travessia do mar: a força do
vento e das ondas que fustiga a barca como a tirania dos poderosos, somada à
ideia de um Deus que caminha indiferente sobre as ondas, arranca-lhes gritos de
pavor. E esta dúvida sobre a
divindade de um Jesus frágil e compassivo leva Pedro a afundar apavorado.
Sugestões para a meditação
Acompanhe Jesus retirando-se; os discípulos gritando
de pavor no meio da noite e do mar agitado; a aproximação de Jesus, seu diálogo
com Pedro e a calmaria
Tente perceber o conteúdo do diálogo orante de Jesus
com o Pai: a menção ao pão tornado acessível a todos, aos discípulos que ele
havia enviado à sua frente
Recorde situações de desespero pelas quais você, sua
família e sua comunidade passaram, e como a fé lhes ajudou
Será que sua fé também às vezes também se mostra
frágil e desconfiada como a fé de Pedro?
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