A fé suscita a ação e garante sua fecundidade
1166 | Tempo
Comum | Semana XVIII | Sábado | Mateus 17,14-20
O episódio do Evangelho de hoje está situado após a
transfiguração de Jesus. É o último
exorcismo narrado por Mateus, e seu foco não é propriamente a cura da
epilepsia, mas a fragilidade e a inoperância da fé dos discípulos. Não se
sabe claramente se eles haviam se sentido pequenos demais diante da grande
missão que haviam recebido, ou haviam esquecido que eram apenas mediadores.
Um homem anônimo se aproxima de Jesus e implora sua
misericórdia pelo filho que sofre de epilepsia, doença que o coloca
frequentemente em risco de vida. Um detalhe importante é que o homem já havia buscado ajuda junto aos
discípulos, que, de fato, haviam recebido de Jesus autoridade e competência
para curar enfermidades (Mt 10,8). Mas algo que era fácil para Jesus
parecia impossível aos discípulos, e eles haviam fracassado na tentativa de
curar o rapaz.
A reação de Jesus diante desse fracasso é
extremamente dura: fala dos próprios
discípulos como gente fraca na fé e geração perversa, em nada melhor que a
multidão. É possível que o fracasso dos discípulos tenha duas causas: eles
podem ter esquecido que estavam a serviço do Reino de Deus e quiseram chamar a
atenção sobre si mesmos; eles não estão de acordo com a reinserção social dos
doentes através da cura. Pensam que Deus não teria poder de mudar a situação
através deles.
Advertindo seus discípulos sobre a debilidade da
sua fé, Jesus demonstra que entende a fé
como colocar em prática a vontade misericordiosa, vivificadora e libertadora de
Deus. Quem crê de verdade, busca soluções humanas para os problemas
humanos, e, assim, ajuda Deus a remover montanhas de egoísmo, dominação e
marginalização. O maior problema não são
as montanhas de terra e de rochas, mas de preconceitos e ideologias.
Entretanto, os discípulos
missionários não podem esquecer que não são protagonistas destacados, mas
apenas humildes mediadores da vontade de Deus e do Reino de Deus. Nada é
impossível para o homem ou mulher que vive pela fé. Se não for assim, o
fracasso está dado: não conseguem mudar nada, não superam os obstáculos, não se
põem em saída, reduzem perigosamente o bem que podem fazer. Sem a fé alimentada pela esperança, pouca
mudança é possível.
Sugestões para a meditação
Reconstrua
na imaginação o fracasso dos discípulos em curar o jovem doente, inseri-lo de
novo na sociedade e conferir-lhe nela um papel
Procure
entender a dura reação de Jesus diante da dificuldade dos discípulos para se
entenderem como mediadores da vontade de Deus
Sua
fé é capaz de remover a montanha da indiferença, da intolerância e da exclusão
que dominam nossa sociedade?
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