quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Transfiguração

O que brilha no rosto de Jesus é sua compaixão

1164 | Festa da Transfiguração do Senhor | Mateus 17,1-9

Na pessoa de Pedro, os discípulos haviam dito que reconheciam Jesus como “o Messias, o Filho do Deus Vivo” (cf. Mt 16,11). Mas discordaram e resistiram fortemente quando Jesus lhes disse que seria perseguido e morto pelas mãos dos anciãos, chefes dos sacerdotes e doutores da Lei (cf. 16,21-23). E fecharam ainda mais os ouvidos quando Jesus colocou como condição para segui-lo tomar a cruz dos excluídos e doar a própria vida (cf. 24-28).

A cena audiovisual que conhecemos como “transfiguração de Jesus” está ligada a essa situação e tem como objetivo superar a resistência dos discípulos ao projeto de Jesus e tornar visível a sua esplendorosa humanidade. O protagonista da cena é o Pai, e a beleza da humanidade de Jesus deixa os discípulos extasiados, tanto que desejam congelar essa visão e prolongar a experiência no tempo. Mas eles não podem esquecer que estão a caminho de Jerusalém, e a experiência é uma espécie de chave que lhes abre o sentido da pregação e da paixão de Jesus.

A montanha e a nuvem são sinais que apontam para uma manifestação divina, uma teofania. O que chama a atenção, é que essa revelação não acontece no templo de Jerusalém nem é dada às elites religiosas, mas num lugar marginal e para três pessoas pouco relevantes. A presença de Moisés e de Elias também lembram que os profetas são perseguidos. A voz imperativa manda escutar e entender o que Jesus disse, diz e dirá na sua vida, morte e ressurreição.

Diante da voz que afirma que Jesus é o filho amando do Pai e deve ser escutado, os três discípulos caem por terra assustados. Eles reconhecem a presença divina e se assustam com a confirmação do caminho da cruz que Jesus percorreria. A voz de Deus faz Pedro calar (como em 16,23), mas o toque de Jesus cura a falta de fé, encoraja e os coloca de pé. E percebem que estão sozinhos com Jesus, pois é a ele e somente a ele que devem escutar e seguir.

O risco de recordar somente o esplendor e as ações miraculosas de Jesus é grande. Por isso, Eles são proibidos de falar do que viram porque sua compreensão do mistério de Jesus é ainda limitada, e devem esperar a sua paixão.

 

Sugestões para a meditação

Procure participar da cena com sua imaginação: veja o desconforto dos discípulos diante do caminho proposto por Jesus, os três escolhidos subindo a montanha com Jesus, seu êxtase frente ao brilho da humanidade de Jesus, o medo que os joga no chão quando ouvem a voz pedem que eles levem Jesus a sério

Veja o testemunho de Elias e Moisés, que lembram a incompreensão e a perseguição sofrida pelos profetas

Ouça a ordem de escutar o que ele diz, e sintam o toque dele encorajando e curando suas resistências e sua falta de fé

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