O que você daria em troca da sua vida?
1165 | Tempo
Comum | Semana XVIII | Sexta | Mateus 16,24-28
O evangelho de hoje está situado literariamente
depois da profissão de fé e dos discípulos em Jesus como “o Messias, o Filho do
Deus Vivo”. Vem também depois da cena em que os discípulos revelam dificuldade
de aceitar o caminho da cruz (cf. Mt 16,21-28), e imediatamente antes da cena
da transfiguração (Mt 17,1-13). É essa
dificuldade dos discípulos com a imagem de messias que justifica essa catequese
incisiva e delimitadora de Jesus, e a própria transfiguração que a segue.
Jesus estabelece dois pré-requisitos para quem quiser ser seu discípulo: negar a si
mesmo, que significa desistir de práticas que impedem o advento do Reino de
Deus (abrir mão de projetos pessoais e egoístas, entregar-se inteiramente à
vontade do Pai); tomar a própria cruz e seguir Jesus, ou seja: assumir um
estilo de vida que pode provocar humilhação, que comporta marginalização, dor e
morte. Ou seja: o discípulo deve estar
pronto para seguir o caminho de vida percorrido por Jesus.
Esta disposição de “perder a vida” por Jesus e pelo
Reino de Deus a fim de entrar na vida verdadeira é uma convocação a identificar-se com o destino dos insignificantes e a
aceitar do risco de ser tratado como criminoso pelas elites, aceitando até
o martírio por resistir ao status quo. E isso significa, por outro lado, não dar a vida pelo império romano (ou
qualquer outro sistema de poder), ou “morrer pela pátria e viver sem razões”.
Só Deus é grande e pode pedir o dom da nossa vida.
Jesus assegura que a vinda do Reino de Deus é coisa certa como o sol que nasce todo dia.
Mas “ganhar o mundo inteiro” será, para os discípulos, sempre uma tentação (cf.
Mt 4,8), e, para salvar a própria vida, a maioria é induzida a escolher o
caminho mais seguro, o interesse próprio, o silêncio e a submissão por medo da
perseguição. Entretanto, perder a vida
para ganhá-la equivale a não se submeter nem ceder ao medo, a ser livre para
lutar, amar e servir, como faz Jesus.
A glória que envolverá Jesus na sua volta é a glória da cruz, do amor
vivido de forma incondicional e em medida extrema. E é isso que continuamos
vendo, também nós, ao nosso lado: homens e mulheres “que se amam mais que a si,
e dizem com firmeza: vê, Senhor, estou aqui!” E nós também confirmamos: Conta
comigo, Senhor!
Sugestões para a meditação
Retome
e repita pausadamente cada expressão e cada afirmação de Jesus aos seus
seguidores
Compare
cada uma dessas afirmações com o seu evangelho e a sua vida como um todo e
entenda o sentido
O
que significa hoje, na situação sanitária e social do Brasil e do mundo, perder
ou ganhar a vida no sentido evangélico?
Você
conhece pessoas que ganharam “um mundo de vantagens” mas perderam o sentido e o
gosto da vida?
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