sábado, 1 de agosto de 2026

Uma operação matemática surpreendente

Que o pão da vida chegue a todas as mesas!

1160 | Tempo Comum | Semana XVIII | Domingo | Mateus 14,13-21

Depois de ter provocado escândalo na sua própria terra e de ter tomado conhecimento da prisão e do martírio de João Batista, Jesus parte para uma região deserta e afastada, tomando distância dos lugares onde o poder mostra mais sua ferocidade. Não quer entrar num jogo de cartas marcadas e assume conscientemente a margem. Sente necessidade de outros ares e de buscar inspiração junto ao Pai.

As multidões cansadas e abatidas deixam as cidades e seguem Jesus a pé. Têm a intuição de que é da periferia que pode nascer uma alternativa. Sabem que os centros de poder são como uma figueira estéril. Jesus vê a multidão e, movido pela compaixão, cura e reinsere na sociedade muitas pessoas doentes e marginalizadas. Para ele, socorrer seu povo não é um apêndice da missão, mas sua razão de ser!

No entardecer das possibilidades de ajuda, os discípulos percebem a fome do povo, mas não conseguem vislumbrar uma solução fora da lógica do império. E pedem que Jesus despeça a multidão para que cada se vire. Querem entregar os famintos às leis do mercado, bem ao estilo do “cada um para si e Deus por todos”. “Eles não precisam ir embora. Vocês é que têm de lhes dar de comer”.

Os discípulos tentam disfarçar seu descompromisso sublinhando os exíguos recursos disponíveis frente a tão grande necessidade. Mas está longe do pensamento de Jesus uma Igreja feita apenas de doutrina e de ritos religiosos, uma comunidade que se compraz em lavar as mãos diante das tragédias que se abatem sobre o povo. Ele não tolera instituições que entregam seus membros à lógica dos impérios!

“Tragam isso aqui”, diz Jesus. Ele quer deixar bem claro que a saída não é nem cada um pensar em para si, nem considerar o povo faminto um simples objeto de caridade. Para Jesus, o povo é soberano, e as autoridades religiosas e políticas devem estar a seu serviço. Mas não é cristão um amor que se preocupa apenas com a vida dos membros da sua denominação eclesial ou dos seus compatriotas!

O alimento suficiente para saciar a multidão faminta aparece quando Jesus assume o protagonismo e os discípulos colaboram com ele. Hoje, o cumprimento da ordem “deem vocês mesmos de comer” começa com a adoção de um estilo de vida sóbrio pelos setores sociais e povos ricos e com a erradicação da exploração comercial dos países ricos sobre os pobres. É para isso que a Eucaristia nos remete e conduz.

 

Sugestões para a meditação

Acompanhe Jesus e os discípulos na sua retirada para o deserto, alertado pelo martírio de João Batista e a “procissão” de pessoas necessitadas que os seguem

O que significa, para você, sua família e sua comunidade a ordem de Jesus: “Deem-lhes vocês mesmos de comer”?

Como poderíamos evitar o desperdício de alimentos em nossa própria casa, e destiná-los a quem deles necessita?

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