Para Jesus Cristo,
os últimos são os primeiros
1169 | Tempo Comum | Semana XIX | Terça | Mateus 18,1-14
Nos capítulos 18 a 20 do seu evangelho, Mateus nos
oferece diversas catequeses de Jesus dedicadas aos seus discípulos, a caminho
para Jerusalém. Trata-se de orientações
fundamentais para que a comunidade cristã viva um estilo de vida alternativo e
profético, testemunhando assim a força transformadora do Evangelho na vida
pessoal e nas relações comunitárias, sociais, econômicas e políticas.
A tentação do elitismo e do autoritarismo rondam a comunidade de Jesus
desde sempre, e o tempo que vivemos não nos deixa dúvidas. A
pergunta sobre quem é o maior o demonstra, e a resposta de Jesus quer cortá-la
pela raiz. Para ilustrar a virada radical que a chegada do Reino provoca nas
pessoas, na escala de valores e no coração do mundo, Jesus toma a figura da criança como símbolo vivo e eloquente.
Aqui, a criança não significa a pureza e a inocência,
“virtudes” que a modernidade burguesa gosta de enfatizar para esconder suas
hipocrisias, mas a sua condição social
de fragilidade, insignificância e marginalidade. Para Jesus, as crianças são o retrato perfeito da comunidade
cristã, que nasceu para viver nas margens e ensaiar uma vida alternativa ao
judaísmo e ao império romano, assumindo a fraternidade, a igualdade e a
minoridade.
Esse estilo de vida vai contra a corrente, precisa ser aprendido e
exercitado tenazmente, pois é exigente. Como as crianças, os discípulos
de Jesus são preciosos aos olhos de Deus, são importantes por serem pequenos,
são tirados dos últimos lugares e colocados nos primeiros. E as autoridades
cristãs têm o dever de protegê-los. Eles podem se perder, ou seja, tornarem-se
mais frágeis e vulneráveis ainda.
O Pai do céu não quer que
nenhum deles se perca, e a comunidade deve assumir esse cuidado em nome de Deus. Por sua vez, os discípulos devem confiar totalmente na acolhida que o
Pai suscita nas pessoas e nos povos aos quais são enviados. Não somos grandes ou importantes pela
origem, pela riqueza, pela educação, pela profissão, pela função social ou pelo
poder que exercemos, mas pelo batismo e porque somos filhas e filhos amados
do Pai e portadores do tesouro do Reino.
Sugestões para a meditação
Exercite
sua imaginação e procure participar da cena com todos os seus sentidos, para
acolher o sentido integral do texto
Você
percebe as ambições e expectativas de reconhecimento e precedência que às vezes
se insinuam nos seus trabalhos?
Como
você se sente em relação à condição liminar (margem, insignificância,
despojamento) dos discípulos de Jesus?
Você
tem conseguido se exercitar na confiança no cuidado do Pai e na hospitalidade
na sua prática comunitária e pastoral?
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