Mulheres vivas e
soberania, eis nosso grito!
No dia 18 de agosto aconteceu, em Porto Alegre, o
lançamento da 32ª edição do Grito dos
Excluídos e do Manifesto por um Rio
Grande Decente. O evento esteve sob a responsabilidade da Comissão das Pastorais Sociais da CNBB Sul 3,
em parceria com os movimentos populares e algumas Igrejas. O espaço escolhido
foi a Assembleia Legislativa, e a
sala que nos acolheu não poderia ter um nome mais sugestivo: Espaço Democrático.
O Grito dos
Excluídos nasceu da sensibilidade social de algumas Igrejas Cristãs e
organismos que cuidam da dimensão social da fé. Desde sua primeira edição, vem
sendo realizado no dia 7 de setembro. A data não é uma escolha fortuita, pois lembra
que, ao grito de Dom Pedro I pela independência política e administrativa do
Brasil, somam-se muitos gritos que clamam pelo resgate das dívidas sociais do
Estado brasileiro.
Aos cristãos e cidadãos que estranham ou questionam o
que chamam de “indevida intromissão” das Igrejas nas questões sociais”, lembramos
que o judaísmo, do qual somos herdeiros, nasceu do grito dos hebreus oprimidos
que clamaram a Deus e foram por ele ouvidos. E permaneceu vivo e se renovou na
medida em que os profetas e profetizas emprestaram suas vozes aos gritos dos
pobres, dos órfãos, das viúvas e dos estrangeiros.
O cristianismo também nasceu em torno do Enviado de Deus que, na cruz cravada
fora dos muros que protegiam os “cidadãos de bem”, juntou seu grito ao de dois
condenados e ao clamor de milhões de homens e mulheres não reconhecidos como
cidadãos e sujeitos de direitos. Leprosos, cegos, leprosos, mendigos, crianças
e pessoas de boa vontade se reconheceram no grito de Jesus e fizeram dele um
grito de vitória coletiva: o Evangelho!
Nossas Igrejas precisam ser fiéis ao seu DNA cristão,
fazendo ressoar os gritos das vítimas de hoje, abrindo-lhes espaços nos
templos, ruas, parlamentos e praças. Elas nasceram para incomodar, para sacudir
o comodismo. Afinal, o Filho de Deus a quem seguimos é sinal de contradição e
veio para incomodar (Lucas 2,34). Não podemos ignorar ou silenciar os gritos
dos excluídos, esperando que as pedras gritem por eles (Lucas 19,4).
Na Semana da
Pátria nosso grito será “Vida em primeiro lugar!” Na defesa da paz e da
moradia, façamos ressoar a nossa voz: “Mulheres vivas e soberania!” Esse grito
adquire maior relevância no contexto de um estado machista e violento (80
feminicídios em 2025 e 60 em 2026), e de um momento nacional em que líderes
despudorados querem sacrificar a soberania de um povo no altar de um poder fugaz
e vantajoso para poucos.
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