O discípulo de Jesus
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1176 | Tempo Comum | Semana XX | Terça | Mateus 19,23-30
Ontem meditamos o instigante episódio do jovem
religioso e rico que se candidatou a discípulo de Jesus. Diante da exigência de
distribuir os bens aos pobres e se colocar a caminho com os demais discípulos,
ele voltou atrás, e preferiu ficar com
os bens a seguir Jesus. Na verdade, os bens o possuíam e impediam de ser
livre para.
A atitude desse jovem leva Jesus a sublinhar que o apego aos bens e a alguns vínculos que
aparentemente dão segurança são entraves à adesão ao Reino de Deus. A
metáfora da agulha e do camelo não deixa dúvidas: que uma pessoa rica aceite o
desafio do Reino de Deus não é apenas difícil, mas impossível, a menos que se
desapegue e corrija suas práticas injustas para acumular bens e os partilhe com
os pobres, os verdadeiros “proprietários” daquilo que nos sobra.
Os discípulos ficam assustados com esta afirmação de Jesus. Eles bebem da ideologia religiosa que considera a riqueza um sinal da
benção divina, e os ricos, já socialmente privilegiados, como muito amados e
favorecidos por Deus. Por isso, pensam que se os ricos não se salvam (não
entram no Reino, não são perfeitos) ninguém poderá se salvar. Mas Jesus crê que
a fé sincera pode produzir mudanças: quem
descobre o valor do Reino, arrisca tudo, como aquele trabalhador que vendeu
tudo para comprar o campo, ou aquele negociante, que faz o mesmo pela pérola
preciosa.
Pedro, em nome dos discípulos, observa que eles deixaram tudo e estão seguindo Jesus.
De fato, deixaram a família e os contratos de trabalho de pesca, e entraram no
caminho da busca do Reino, embora não
tenham distribuído os bens aos pobres. Eles
perguntam que benefício terão, pois acham que merecem. Por isso, podemos
dizer que Pedro se mune de coragem e, em nome dos colegas, cobra a conta de
Jesus.
Jesus responde acenando para o futuro, quando o
Reino de Deus será plenamente realizado. Então aqueles que hoje são colocados em último lugar serão reconhecidos em
sua dignidade e grandeza, terão influência e atrairão outros por seu testemunho
de vida. Mas sem seguimento radical de Jesus, os que hoje são badalados
podem se ver no último lugar, como uma simples nota de rodapé no livro da
história.
Sugestões para a meditação
Há
algo que ainda amarra você e o impede de entregar-se à aventura de criar novos
céus e nova terra, sem regatear nada?
Em
que medida você também participa da ideologia que considera os estudados, ricos
e poderosos como abençoados por Deus e os pobres como culpados?
Qual
é o obstáculo faz com que a vida dos cristãos não tenha hoje grande poder de
influência e exerça pouca atração?
Você
já ouviu sermões que tentam amenizar a metáfora do camelo e da agulha, fazendo
possível conjugar o apego aos bens com a fé em Jesus?
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