Cumprir bem as leis é
pouco e insuficiente
1175 | Tempo Comum | Semana XX | Segunda | Mateus 19,16-22
Nos últimos dias, estamos meditando trechos do
Evangelho nos quais Jesus nos apresenta
o dinamismo inovador, transformador e provocador do reino de Deus nos diversos
campos das relações humanas: nas relações entre as classes sociais, nas
relações no interior das famílias, nas relações entre homem e mulher, na
relação com Deus e a religião, etc. Hoje,
o foco é a relação do discípulo com os bens.
Ao que parece, o
jovem que busca Jesus faz parte da elite de Israel. Ele tem muitos bens e,
conforme o que ele mesmo afirma, pratica fielmente os mandamentos, e isso desde
a mais tenra juventude. Está preocupado
com a felicidade individual, trata Jesus como os mestres da lei o tratavam,
mas parece estar no caminho certo e bem-intencionado. Ele pergunta a Jesus o que deve fazer de bom, ou como ser bom. Vida
eterna equivale a perfeição ou justiça, a ser salvo, a entrar no Reino de Deus.
Mas este jovem busca
um caminho seguro para “possuir” a vida eterna, e não para “deixar-se possuir”
e conduzir por Deus e seu Reino. Jesus responde a ele sublinhando que não
há nada (coisa) perfeitamente bom, mas apenas Alguém que é bom, e faz uma
referência indireta ao que o profeta Miquéias já havia dito (respeitar o
direito, amar a fidelidade e caminhar humildemente com Deus) e aos mandamentos,
enfatizando as relações justa e equitativas com os irmãos.
Sem dar ouvidos à afirmação de Jesus, o jovem demonstra que se considera bom e
perfeito, escondendo que os muitos bens que possui poderiam ser resultado de
exploração ou roubo. Mas, para Jesus, a
prática dos mandamentos não é suficiente para ser bom. Por isso, leva o
jovem dar-se conta que lhe falta a justiça e o amor aos pobres. Trata-se do
amor que leva à partilha e à restituição daquilo que por direito pertence aos
necessitados, condição essencial para seguir Jesus.
O jovem não está disposto a fazer isso, nem a caminhar com os demais
discípulos. Ele é possuído pelos bens
que pensa possuir, não é livre, não é bom, não ousa iniciar um caminho de
despojamento e conversão. Na verdade, ele não é capaz de considerar o reino de Deus como seu único tesouro. A
riqueza o sufoca, como os espinheiros sufocam parte da semente (cf. Mt 13,22).
E isso ressoa como advertência quando caímos na tentação de considerar-nos justos
e bons. “Conversão, justiça, comunhão e alegria, no cristão, é missão de cada
dia!”
Sugestões para a meditação
Com
que intenções você procura Jesus e a vida cristã? O desejo de perfeição, de
renovação total e profunda é o que move você?
Como
você se avalia em relação aos preceitos da Igreja? Você os considera suficiente
para ser bom, e se acha bom praticante?
O
que ainda impede você de entregar-se na aventura de criar novos céus e nova
terra, com Jesus e todos aqueles que o seguem?
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