A alegria do Pai é
que todos sentem à mesa
1178 | Tempo Comum | Semana XX | Quinta | Mateus 22,1-14
O calendário litúrgico-pastoral omite
quase dois capítulos do evangelho de Mateus, e nos propõe para hoje o início do
capítulo 22. Esta parábola faz parte do
quinto bloco narrativo do evangelista. Jesus percorreu um longo caminho e
chegou a Jerusalém. Ali ele travará um duro confronto com a instituição do
templo e com seus defensores e controladores. Este confronto começa com sua
entrada no templo com chicote na mão, e se prolonga em várias parábolas.
A parábola dos convidados para a festa
de casamento é um confronto aberto de
Jesus com os fariseus e os mestres da lei, que representam a elite religiosa do
judaísmo. Os protagonistas são um rei que convida seus amigos para a festa
de casamento do filho (uma alusão a Jesus). Como sabemos, para o mundo e a
cultura oriental, comer e festejar
significa participar da vontade de Deus e do seu Reino, e evoca as
refeições de Jesus com as pessoas excluídas.
Os convidados preferenciais para a
festa declinam do convite reiterado do rei, e tratam com violência os
mensageiros que ele envia. Na verdade, rejeitam
tanto a autoridade de Jesus como enviado e mensageiro do Pai como a
participação no dinamismo do Reino de Deus, no qual há lugar para todos.
Mesmo vendo seu convite rejeitado e seus enviados tratados com violência, o rei
não reage de modo violento, nem pune aqueles que não o reconhecem.
Então, o rei deixa de convidar os que vivem nos templos e nos
corredores dos palácios e das cúrias e se dirige às pessoas e grupos que vivem nas
encruzilhadas (lugares de mendicância), abrindo
a porta do seu Reino a todos, sem exclusão: homens e mulheres, judeus e
pagãos, doentes e pecadores, adultos e crianças, bons e maus. É nisso que
consiste a alegria do rei, e é nisso que ele se parece com Deus Pai. Sua alegria e seu prazer é ver todos os
filhos e filhas reunidos fraternalmente.
A parábola termina fazendo referência a
alguém que aceitou o convite, mas não se apresentou com as vestes adequadas e é
punido duramente. Trata-se de um sujeito que pretende ser discípulo de Jesus sem assumir um novo jeito de viver,
e não de alguém que tenha alguma culpa moral. Os últimos da escala social e
aqueles que se dispõem a seguir a Jesus precisam assumir seus valores e suas
práticas: dar gratuitamente aquilo que de graça receberam.
Sugestões para a meditação
Como
você vem respondendo a este convite para participar da festa da vida que acolhe
quem sempre foi relegado à margem?
Você
acolhe esse convite com alegria e compromisso, ou “com dor de cotovelo”, como
se você e sua classe fossem preteridos?
E
você está usando a roupa adequada para uma festa de núpcias (prática da
justiça) e não se preocupa com a coerência?
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