A noite é escura,
mas a madrugada está perto
1186 | Tempo Comum | Semana XXI | Sexta | Mateus 25,1-13
Na meditação sobre o evangelho de ontem, vimos que os discípulos
sensatos são aqueles que ouvem e
praticam o Evangelho, e, assim, constroem
suas casas sobre a rocha. E isso significa importar-se com a vida e o
bem-estar do próximo, mantendo acesa a
chama da esperança, mesmo quando parece que nada acontece.
Com a parábola do evangelho de hoje, Jesus continua sua insistência na preparação e na prontidão para
acolher e promover o Reino de Deus, mesmo quando ele parece demorar. O
caminho do discipulado tem uma duração indeterminada, um fim imprevisível e um
desfecho desconhecido. Supõe ânimo e
disposição para perseverar na luta até o fim, sem a ânsia de que este fim
aconteça logo.
A parábola das dez moças põe diante dos olhos da nossa
imaginação dois grupos contrastantes de pessoas, ou duas atitudes contrastantes: o grupo das moças sensatas e
prudentes; o grupo das moças desligadas e insensatas. Estes grupos representam
todos os discípulos, homens e mulheres, de origem judia e de origem pagã. O foco da parábola são as moças, e não
o noivo. Estranho é que a noiva não aparece...
Com o atraso do noivo para celebrar suas bodas, todas as dez moças dormem. Mas cinco
delas, as moças sensatas, providenciam
uma reserva de óleo. Estas representam
o discipulado fiel, obediente e perseverante. As outras cinco são
insensatas: ouvem o Evangelho e não o colocam em prática ou não o levam a
sério. Com a demora ou a aparente insignificância dos sinais do Reino de Deus, o grupo das moças insensatas perde o foco e
se perde no caminho. São como terreno ruim, no qual o Evangelho não
consegue criar raízes nem frutificar.
Diante da complexidade do mundo e da lentidão dos
processos de mudança, um falso realismo nos aconselha a “largar de mão” e
deixar isso para os profissionais da política ou, pior ainda, aos tecnocratas
da economia. E ocupar-nos da nossa saúde mental ou das práticas devocionais. É
um sono tentador, e sem reserva de óleo...
A exortação
de Jesus é que estejamos sempre prontos
a encontrá-lo, reconhecê-lo e acolhê-lo, vigilantes no sonho do Reino e no
serviço solidário aos irmãos e irmãs. Jesus e o Reino de Deus podem tardar,
mas estão vindo! Que nada nos distraia diante da absoluta primazia da
fraternidade e da solidariedade. “Ficai vigiando, pois não sabeis qual será o
dia, nem a hora!”
Sugestões para a meditação
Retome
calmamente as duas comparações que Jesus oferece sobre a correta atitude em
tempos de espera e demora
O
que você pode fazer para evitar que as comunidades cristãs fujam da
responsabilidade com a transformação do mundo e se refugiem no moralismo?
Qual é o “óleo” que tem ajudado vocês a permanecer lúcidos e atenciosos, sal e fermento do Reino em tempos difíceis?
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