Mudemos nosso modo
de pensar e de julgar
1188 | Tempo Comum | Semana XXII | Domingo | Mateus 16,21-27
A atitude contraditória de Pedro, mesmo
depois de ter professado sua fé em Jesus e ter sido elogiado por ele, nos previne contra todo e qualquer
triunfalismo apostólico, inclusive papal. Como Pedro, muitos de nós
desejamos desesperadamente impedir que Jesus realize sua missão pelo caminho do
serviço e da cruz e acabamos sendo uma pedra de tropeço na sua missão.
A resposta de Pedro à pergunta de Jesus
havia sido formalmente correta, mas a
salvação não depende da formalidade e da ortodoxia. Por isso, assim que
Pedro termina sua declaração e recebe o elogio, Jesus aparentemente muda o tom da conversa e começa a falar de forma
clara e firme sobre o seu futuro próximo: ele havia tomado a firme decisão
de ir a Jerusalém, apesar dos riscos que isso representava; lá sofreria nas
mãos das autoridades religiosas; e acabaria sendo morto.
Com este anúncio, Jesus quer corrigir os resquícios de um certo messianismo triunfalista,
do qual os próprios discípulos estavam imbuídos, e mostrar outra imagem de
Messias: ele é o Servo que sofre solidariamente e o Profeta perseguido. É
aqui que Pedro tropeça e faz tropeçar.
Com uma ousadia sem precedentes, Pedro “levou Jesus para um lado e o repreendeu.
Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!” Pedro intima,
adverte e ameaça Jesus, afirmando que não é essa a vontade de Deus. O que ele não consegue admitir é um Messias sem poder
e crucificado, um Messias pobre e rejeitado, humano e servidor, nem uma
Igreja sem glórias e sem sucesso; uma Igreja que ao invés de se aliar aos
poderes sofre nas mãos deles.
Como é difícil
pensar as coisas de Deus e como é fácil, cômodo e atraente pensar as coisas dos
homens!
Coisas de Deus são a compaixão, a solidariedade e o serviço; coisas dos homens
são a indiferença, o sucesso e o poder. A
cruz da doação plena não é simplesmente imposta a Jesus, mas a um caminho que
todos devemos abraçar. “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome
a sua cruz e me siga”.
E tomar a cruz significa, em primeiro
lugar, assumir a condição das pessoas
desprezadas e colocadas à margem, e daquelas que enfrentam os poderes que
as marginalizam e oprimem; e em segundo lugar, a possibilidade e a disposição de dar a vida pela vida plena dos
irmãos e irmãs, de sofrer a morte por amor.
Sugestões para a meditação
Retome
calmamente o texto desde a cena anterior (v. 13-20) e observe a atitude
ambivalente e contraditória de Pedro
Será
que postura rígida de Pedro se manifesta hoje em grupos de cristãos que tendem
a esvaziar a cruz de Jesus e reduzir a fé a uma busca de benefícios?
O
que você e sua comunidade podem fazer para levar a sério esse caminho, sem
assumir uma atitude de desprezo pelos bens indispensáveis?
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