sábado, 29 de agosto de 2026

Hoje a promessa se cumpre

O Evangelho desconhece fronteiras e muros

1189 | Tempo Comum | Semana XXII | Segunda | Lucas 4,16-30

Sábado passado concluímos a escuta e meditação diária do evangelho segundo Mateus, e iniciamos hoje, prestes a iniciar o mês dedicado à Palavra de Deus, com o evangelho segundo Lucas. E o texto indicado para esta segunda-feira é exatamente o anúncio programático com o qual Jesus inicia e explicita sua missão pública em sua própria terra. Esse contexto confere uma importância especial ao texto.

O enfrentamento das tentações em pleno deserto havia possibilitado a Jesus uma espécie de treinamento na escuta da Palavra de Deus, e isso é confirmado na cena que nos ocupa hoje. Jesus entende e explicita sua missão e seu projeto de vida recorrendo à palavra profética, muito cara ao seu povo. Ele vai à sinagoga para ler a profecia de Isaías. E isso não é casual, mas costumeiro na vida de Jesus. Ele cultiva uma interessante familiaridade com a Palavra de Deus.

Essa é a primeira ação de Jesus sob o impulso do Espírito que repousara sobre ele por ocasião do batismo e o conduzira no deserto. Mas a cena descreve também a primeira rejeição e o primeiro atentado que se abate sobre ele. E isso porque Jesus não se subordina às expectativas e interesses do seu próprio povoado, nem da sua religião e da sua etnia. A Palavra de Deus é como espada que divide.

Com a ajuda do profeta Isaías, Jesus esclarece sua compreensão da missão que Deus confiou a ele: realizar a misericórdia de Deus, e não sua vingança contra o povo. Os verbos do texto citado ilustram claramente isso: anunciar e proclamar uma boa notícia, recuperar e libertar os oprimidos. Depois de ler o texto, Jesus faz um comentário conciso e lapidar: “Hoje se cumpre isso que vocês acabam de ouvir!”

Seus conterrâneos reagem com entusiasmo, mas logo manifestam frustração, quando tomam conhecimento que o seu messianismo não é patriótico nem excludente e constatam sua origem e seus vínculos familiares. O entusiasmo se transforma em decepção, e a decepção se transforma em violência: Jesus é ameaçado e expulso da cidade pelos seus compatriotas.

Desde o início da sua missão Jesus deixa claro que a compaixão de Deus desconhece fronteiras, não se rege pela meritocracia, nem depende de publicidade. Por isso, Jesus recorda dois episódios da história que seus ouvintes conhecem: Elias abençoou uma viúva estrangeira, e Eliseu deu prioridade a um leproso também estrangeiro.

 

Sugestões para a meditação

Retome pacientemente o episódio narrado por Lucas, acompanhando tudo com os olhos da imaginação

Sua compreensão sobre o Evangelho do Reino de Deus é semelhante à de Jesus: uma boa notícia libertadora para todas as vítimas?

Você já conseguiu superar a ideia de que o Evangelho é doutrina que premia quem merece, e protege apenas cristãos, católicos e brancos?

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