O Evangelho
desconhece fronteiras e muros
1189 | Tempo Comum | Semana XXII | Segunda | Lucas 4,16-30
Sábado passado concluímos a escuta e meditação diária
do evangelho segundo Mateus, e iniciamos hoje, prestes a iniciar o mês dedicado
à Palavra de Deus, com o evangelho segundo Lucas. E o texto indicado para esta
segunda-feira é exatamente o anúncio
programático com o qual Jesus inicia e explicita sua missão pública em sua
própria terra. Esse contexto confere uma importância especial ao texto.
O enfrentamento das tentações em pleno deserto
havia possibilitado a Jesus uma espécie de treinamento
na escuta da Palavra de Deus, e isso é confirmado na cena que nos ocupa
hoje. Jesus entende e explicita sua
missão e seu projeto de vida recorrendo à palavra profética, muito cara ao
seu povo. Ele vai à sinagoga para ler a
profecia de Isaías. E isso não é casual, mas costumeiro na vida de Jesus.
Ele cultiva uma interessante familiaridade com a Palavra de Deus.
Essa é a
primeira ação de Jesus sob o impulso do Espírito que repousara sobre ele por
ocasião do batismo e o conduzira no deserto. Mas a cena descreve também a
primeira rejeição e o primeiro atentado que se abate sobre ele. E isso porque Jesus não se subordina às expectativas e
interesses do seu próprio povoado, nem da sua religião e da sua etnia. A
Palavra de Deus é como espada que divide.
Com a ajuda do profeta Isaías, Jesus esclarece sua compreensão da missão que Deus confiou a ele:
realizar a misericórdia de Deus, e não sua vingança contra o povo. Os verbos do
texto citado ilustram claramente isso: anunciar e proclamar uma boa notícia,
recuperar e libertar os oprimidos. Depois de ler o texto, Jesus faz um
comentário conciso e lapidar: “Hoje se cumpre isso que vocês acabam de ouvir!”
Seus conterrâneos reagem com entusiasmo, mas logo manifestam frustração, quando tomam conhecimento que o seu
messianismo não é patriótico nem excludente e constatam sua origem e seus
vínculos familiares. O entusiasmo se transforma em decepção, e a decepção se
transforma em violência: Jesus é ameaçado e expulso da cidade pelos seus
compatriotas.
Desde o início da sua missão Jesus deixa claro que a compaixão de Deus desconhece fronteiras,
não se rege pela meritocracia, nem depende de publicidade. Por isso, Jesus
recorda dois episódios da história que seus ouvintes conhecem: Elias abençoou
uma viúva estrangeira, e Eliseu deu prioridade a um leproso também estrangeiro.
Sugestões para a meditação
Retome
pacientemente o episódio narrado por Lucas, acompanhando tudo com os olhos da
imaginação
Sua
compreensão sobre o Evangelho do Reino de Deus é semelhante à de Jesus: uma boa
notícia libertadora para todas as vítimas?
Você
já conseguiu superar a ideia de que o Evangelho é doutrina que premia quem
merece, e protege apenas cristãos, católicos e brancos?
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