João vai à frente de
Jesus também no Martírio
1187 | Martírio de São João Batista | Marcos 6,17-29
A presença de João Batista nos evangelhos evidencia seus
vínculos com Jesus Cristo. Além de preparar os caminhos para a missão de Jesus,
o profeta do deserto e do rio Jordão
antecipa em si mesmo o desfecho da missão de Jesus. Suas posições claras
contra os desvios éticos do seu tempo, e a coragem com que enfrenta os
poderosos de plantão, valeram-lhe a perseguição, a prisão e a decapitação.
No texto de hoje, o
protagonista é Herodes. Ele é judeu, mas, como todas as elites sociais e
políticas, cumpre a Lei da sua religião
apenas quando lhe convém. Ele tem medo de Jesus, e pensa que ele é uma
espécie de reencarnação de João Batista, a quem havia mandado matar. O delito de Herodes vai além do roubo da
mulher do seu irmão e da conivência com a morte de João Batista. A presença
dos grandes da Galileia na sua festa de aniversário revela a quem ele serve, e
de quem depende.
Marcos nos apresenta uma
caricatura deveras sarcástica de Herodes e das elites que o apoiam. As
festas que promoviam davam asas às paixões incontroláveis e aos seus caprichos
assassinos. Entre eles, como em toda a realeza, o casamento tinha fortes
conotações de aliança para adquirir sustentação política. O juramento ou promessa de Herodes à filha da sua concubina revela o
modo escuso como as elites tomam suas decisões políticas: matam para salvar a
própria honra.
Diante de Herodes e seus bajuladores, João não se intimida, nem se cala, mas não é um homem apenas preocupado
com o culto ou com a moralidade dos costumes. Uma leitura atenta dos
evangelhos nos mostra um profeta engajado num movimento de mudança, no corte
raso das instituições que encobrem injustiças e violências, e numa partilha
radical. É nesse horizonte que ele enfrenta Herodes.
A narração do
martírio de João Batista está inserida no capítulo 6 do evangelho de Marcos,
onde a discussão é sobre a identidade de
Jesus. Com isso, o evangelista evidencia
o destino de todo aquele que anuncia e testemunha uma nova ordem social e
religiosa. E, além de uma antecipação do destino de Jesus, o destino de
João Batista soa aos discípulos de todos os tempos e latitudes como um forte
alerta.
Sugestões para a meditação
Perceba
a força política, social e religiosa da atuação corajosa de João Batista,
profeta da Judeia que estende sua missão à Galileia
Como
você e sua comunidade cristã tem se posicionado diante de um governo belicista
e contrário aos avanços sociais no Brasil?
Como
podemos evitar polêmicas religiosas parciais e estéreis, mas sem abandonar a
necessária dimensão política da fé?
Você
tem medo dos conflitos provocados pela atuação profética dos cristãos em nome
do Evangelho? Por que?
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