Esperto é quem promove
a fraternidade
1257 | Tempo Comum |
31ª Semana | Sexta | Lucas 16,1-8
Este é um dos textos mais difíceis do
Evangelho. Está situado literariamente depois das três parábolas dirigidas aos
fariseus (a ovelha, a moeda e o filho perdidos, e a alegria de quem os
reencontrou). Mas, desta vez, Jesus se
dirige aos discípulos, e isso é importante para compreender a parábola. Ele não está polemizando com ninguém, mas
formando os seus seguidores.
A parábola fala de um administrador acusado de esbanjar os
bens do patrão, bens que não lhe pertencem. Diante da denúncia e da iminente
demissão, ele reflete, decide e age com rapidez e esperteza. O administrador
sabe que o tempo presente é decisivo
para seu futuro, por isso analisa, pondera e decide. Ele não se defende da
acusação, mas procura um jeito esperto de garantir seu próprio futuro.
A parábola dá apenas dois exemplos dessa esperteza do
administrador. Muitos outros seriam possíveis, mas o que interessa a Jesus
é demonstrar a esperteza, a estratégia. O sujeito é administrador, “filho deste
mundo”, e sabe como “se virar” para “salvar a pele”. Os discípulos, filhos da
luz, devem saber decidir à luz do Reino de Deus, no meio de um mundo que se
rege por outra lógica.
O que deve ser imitado não é a ação interesseira,
desonesta e ilegal do empregado, mas sua capacidade de agir bem no breve tempo
presente em vista do futuro. Quem segue
Jesus deve ter lucidez e sabedoria para encarnar na provisoriedade deste mundo os
valores definitivos do Reino de Deus.
Como filhos e filhas da luz, nas
avaliações e decisões estratégicas que devemos tomar permanentemente, não podemos guiar-nos pelo medo ou pelo
apego a pequenas e transitórias vantagens para grupos privilegiados. Nada de medo de “sujar as mãos” no mundo da
política e da economia. O que é preciso é subordiná-lo à fraternidade, ao
bem comum. Tudo deve estar a serviço disso!
Quando temos o Reino de Deus como único tesouro, o medo se
afasta, os olhos se abrem, e a criatividade tira-nos da comodidade. E não se trata de “salvar a própria pele”, mas de ter
diante dos olhos o bem-estar da humanidade, as necessidades dos pobres, dos
“devedores”, das pessoas tratadas como não-cidadãs. Esta é a esperteza dos
discípulos de Jesus, dos filhos e filhas da luz. O resto é ambição e
capitulação.
Sugestões para a meditação
Considere também
o exemplo do pai misericordioso, que empenha todos os bens (que não pertencem
totalmente a ele) para acolher o filho (15,11-32)
Leia e releia a
parábola, colocando-se no lugar dos discípulos, sem esquecer o todo do ensino e
da prática de Jesus
Quais são os
critérios que guiam nossas decisões nos momentos mais difíceis e urgentes, nos
quais nosso futuro este em jogo?
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