De Jesus brota um grande manancial de vida
1133 | Tempo Comum |
Semana XIV | Segunda | Mateus 9,18-26
Nesta dupla cena descrita por São Mateus, temos a presença de vários elementos contrastantes:
um chefe importante e reconhecido, e uma mulher anônima; a impotência dos
oficiais e o poder libertador de Jesus; a doença e a cura; a prostração e a
elevação; o ambiente público da rua e o espaço privado da casa; o pedido direto
de uma pessoa socialmente relevante e a necessidade de uma mulher desprotegida.
A ação libertadora de Jesus cura
e reabilita duas pessoas que sofrem e são marginalizadas: uma mulher e uma
menina, ambas do extrato social mais vulnerável e desprezado num ambiente
patriarcal. Mas enquanto a menina tem família e é filha de uma pessoa que tem
cargo de chefia, a mulher que vê sua
vida se esvaindo em sangue parece não ter ninguém por ela.
A menina tem alguém por
ela, e seu pai, reconhecendo que seu poder é impotente, se aproxima de Jesus e
pede em favor da filha. A mulher que sofre de
hemorragia, ciente de sua pequenez, não tem ninguém que possa interceder por
ela, e não pede nada: apenas se aproxima de Jesus e toca no seu manto, mantendo
em segredo seu desejo, mas revelando sua confiança.
Há um elemento comum entre
o chefe (não se diz se é chefe dos romanos ou dos judeus) e a mulher que interrompe a caminhada de
Jesus à casa da menina do chefe: a
fé na ação restauradora de Jesus. Talvez esse chefe, que em relação às
crianças faz o contrário de Herodes, represente um modelo alternativo de
liderança cristã, centrado no cuidado dos mais vulneráveis.
A mulher se aproxima de Jesus, sem reverência, mas com grande fé, tanto
que, nesse toque, Jesus reconhece sua fé
e fica impressionado. O chefe também, a seu modo, crê que o toque de Jesus
dará vida à sua filha. Para Jesus, a fé
é que fez o trabalho de cura da mulher, por isso deve ela ter coragem, e a
menina não está morta, mas precisa ser “elevada”, reestabelecida, reinserida na
sociedade, ou seja, curada.
Como os escribas e fariseus, a multidão reunida na casa do pai da menina não espera nada de Jesus, e
até caçoa dele. Diante disso, Jesus
evita fazer gestos espetaculares, e pede que aqueles que esperam apenas isso se
retirem da cena. A cura ocorre em modo reservado, mas a notícia se espalha
e chega até nós. Cremos como a mulher e o pai da menina que o toque e a Palavra
de Jesus podem nos curar e levantar?
Sugestões para a meditação
Acompanhe
cada palavra, gesto ou ação desta cena, observando como as pessoas se dirigem a
Jesus e o que ele faz por elas
O
que a intercessão do pai da menina e a iniciativa doente podem nos ensinar?
É
possível perceber como Jesus evita dar prioridade às necessidades de pessoas de
classe superior em desfavor dos pobres?
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