domingo, 5 de julho de 2026

Uma menina, uma mulher

De Jesus brota um grande manancial de vida

1133 | Tempo Comum | Semana XIV | Segunda | Mateus 9,18-26

Nesta dupla cena descrita por São Mateus, temos a presença de vários elementos contrastantes: um chefe importante e reconhecido, e uma mulher anônima; a impotência dos oficiais e o poder libertador de Jesus; a doença e a cura; a prostração e a elevação; o ambiente público da rua e o espaço privado da casa; o pedido direto de uma pessoa socialmente relevante e a necessidade de uma mulher desprotegida.

A ação libertadora de Jesus cura e reabilita duas pessoas que sofrem e são marginalizadas: uma mulher e uma menina, ambas do extrato social mais vulnerável e desprezado num ambiente patriarcal. Mas enquanto a menina tem família e é filha de uma pessoa que tem cargo de chefia, a mulher que vê sua vida se esvaindo em sangue parece não ter ninguém por ela.

A menina tem alguém por ela, e seu pai, reconhecendo que seu poder é impotente, se aproxima de Jesus e pede em favor da filha. A mulher que sofre de hemorragia, ciente de sua pequenez, não tem ninguém que possa interceder por ela, e não pede nada: apenas se aproxima de Jesus e toca no seu manto, mantendo em segredo seu desejo, mas revelando sua confiança.

Há um elemento comum entre o chefe (não se diz se é chefe dos romanos ou dos judeus) e a mulher que interrompe a caminhada de Jesus à casa da menina do chefe: a fé na ação restauradora de Jesus. Talvez esse chefe, que em relação às crianças faz o contrário de Herodes, represente um modelo alternativo de liderança cristã, centrado no cuidado dos mais vulneráveis.

A mulher se aproxima de Jesus, sem reverência, mas com grande fé, tanto que, nesse toque, Jesus reconhece sua fé e fica impressionado. O chefe também, a seu modo, crê que o toque de Jesus dará vida à sua filha. Para Jesus, a fé é que fez o trabalho de cura da mulher, por isso deve ela ter coragem, e a menina não está morta, mas precisa ser “elevada”, reestabelecida, reinserida na sociedade, ou seja, curada.

Como os escribas e fariseus, a multidão reunida na casa do pai da menina não espera nada de Jesus, e até caçoa dele. Diante disso, Jesus evita fazer gestos espetaculares, e pede que aqueles que esperam apenas isso se retirem da cena. A cura ocorre em modo reservado, mas a notícia se espalha e chega até nós. Cremos como a mulher e o pai da menina que o toque e a Palavra de Jesus podem nos curar e levantar?

 

Sugestões para a meditação

Acompanhe cada palavra, gesto ou ação desta cena, observando como as pessoas se dirigem a Jesus e o que ele faz por elas

O que a intercessão do pai da menina e a iniciativa doente podem nos ensinar?

É possível perceber como Jesus evita dar prioridade às necessidades de pessoas de classe superior em desfavor dos pobres?

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