A vida e os direitos
humanos em primeiro lugar
1194 | Tempo Comum | Semana XXII | Sábado | Lucas 6,1-5
Na cena imediatamente anterior que meditamos ontem,
Jesus afirma que seus discípulos devem
viver a alegre e boa novidade do Reino de Deus, deixando de lado “velhas
lições” e “velhos hábitos” rigorosos, que levam a formar guetos de pessoas que
se consideram perfeitas e superioras às demais. Hoje, Jesus volta à questão: a pessoa e suas necessidades estão acima de
toda lei, inclusive do culto.
É sábado e, desta vez, Jesus se deslocando com seus discípulos no campo. Sentindo fome,
eles colhem e comem trigo de uma plantação que não é deles. Os fariseus
observam que eles caminham num dia que
não é permitido fazê-lo. E notam que eles não respeitam o “sagrado direito” da propriedade privada. Não se
trata apenas de costumes religiosos, mas de leis econômicas que causam insegurança alimentar.
Segundo a mentalidade dos fariseus, os discípulos de Jesus cometem dois pecados:
não respeitam as proibições da lei que impõe repouso no sábado; “invadem” uma
propriedade privada. A segunda acusação
não aparece claramente, mas é aludida no fato citado por Jesus para sua própria
defesa: Davi e seus companheiros, estando com fome, se apossam e comem do
pão reservado aos sacerdotes. A vida tem
prioridade sobre tudo, inclusive sobre a “sagrada” lei da propriedade
privada!
Jesus responde à acusação dos fariseus com duas críticas à postura deles: embora
se apresentem como defensores da tradição e da lei de Deus, eles desconhecem o sentido mais profundo das
escrituras (“acaso vós não lestes?”); eles resistem a reconhecer Jesus como o enviado autorizado e Filho de Deus,
que é o legislador e, por isso, está acima das leis (“o Filho do Homem é Senhor
também do sábado”).
Algumas leis e costumes,
por mais importantes que pareçam aos nossos olhos, se são contrárias ao
Evangelho, são como tecido velho
irrecuperável ou como barril danificado. Neste momento da história do
Brasil, com polarizações e mentiras que enganam e embrutecem, há quem insista
que a lei do equilíbrio e o princípio do arcabouço fiscal são intocáveis. Se,
por causa disso, o povo não tem acesso à cultura, morre de fome ou por falta de
atendimento médico, isso pouco importa a eles.
Sugestões para a meditação
Retome a cena,
inserindo-se na caminhada de Jesus com seus discípulos, sob o olhar crítico dos
fariseus
Procure entender
com exatidão a crítica que as lideranças religiosas (fariseus) fazem aos
discípulos e a Jesus
Como você se
sente diante da afirmação de Jesus, de que ele é senhor das leis e
instituições, e está acima delas?
Você ainda
defende, ao menos na prática, a prioridade das leis e costumes sobre as
necessidades e a dignidade das pessoas?
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