sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Alimento ou propriedade?

A vida e os direitos humanos em primeiro lugar

1194 | Tempo Comum | Semana XXII | Sábado | Lucas 6,1-5

Na cena imediatamente anterior que meditamos ontem, Jesus afirma que seus discípulos devem viver a alegre e boa novidade do Reino de Deus, deixando de lado “velhas lições” e “velhos hábitos” rigorosos, que levam a formar guetos de pessoas que se consideram perfeitas e superioras às demais. Hoje, Jesus volta à questão: a pessoa e suas necessidades estão acima de toda lei, inclusive do culto.

É sábado e, desta vez, Jesus se deslocando com seus discípulos no campo. Sentindo fome, eles colhem e comem trigo de uma plantação que não é deles. Os fariseus observam que eles caminham num dia que não é permitido fazê-lo. E notam que eles não respeitam o “sagrado direito” da propriedade privada. Não se trata apenas de costumes religiosos, mas de leis econômicas que causam insegurança alimentar.

Segundo a mentalidade dos fariseus, os discípulos de Jesus cometem dois pecados: não respeitam as proibições da lei que impõe repouso no sábado; “invadem” uma propriedade privada. A segunda acusação não aparece claramente, mas é aludida no fato citado por Jesus para sua própria defesa: Davi e seus companheiros, estando com fome, se apossam e comem do pão reservado aos sacerdotes. A vida tem prioridade sobre tudo, inclusive sobre a “sagrada” lei da propriedade privada!

Jesus responde à acusação dos fariseus com duas críticas à postura deles: embora se apresentem como defensores da tradição e da lei de Deus, eles desconhecem o sentido mais profundo das escrituras (“acaso vós não lestes?”); eles resistem a reconhecer Jesus como o enviado autorizado e Filho de Deus, que é o legislador e, por isso, está acima das leis (“o Filho do Homem é Senhor também do sábado”).

Algumas leis e costumes, por mais importantes que pareçam aos nossos olhos, se são contrárias ao Evangelho, são como tecido velho irrecuperável ou como barril danificado. Neste momento da história do Brasil, com polarizações e mentiras que enganam e embrutecem, há quem insista que a lei do equilíbrio e o princípio do arcabouço fiscal são intocáveis. Se, por causa disso, o povo não tem acesso à cultura, morre de fome ou por falta de atendimento médico, isso pouco importa a eles.

 

Sugestões para a meditação

Retome a cena, inserindo-se na caminhada de Jesus com seus discípulos, sob o olhar crítico dos fariseus

Procure entender com exatidão a crítica que as lideranças religiosas (fariseus) fazem aos discípulos e a Jesus

Como você se sente diante da afirmação de Jesus, de que ele é senhor das leis e instituições, e está acima delas?

Você ainda defende, ao menos na prática, a prioridade das leis e costumes sobre as necessidades e a dignidade das pessoas?

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